Pastor mantém intenção de queimar Alcorão apesar de repúdio internacional | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 08.09.2010
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Mundo

Pastor mantém intenção de queimar Alcorão apesar de repúdio internacional

Líderes religiosos, UE e Casa Branca condenam anúncio feito pelo pastor de pequena comunidade cristã da Flórida. Na Alemanha, ele chegou a fundar uma igreja e foi condenado por exibir um título falso de doutor.

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Jones ao lado de mural que incita a queimar o Alcorão

O anúncio de que um pastor de uma pequena comunidade religiosa da Flórida pretende queimar um exemplar do Alcorão – o livro sagrado dos muçulmanos – no próximo dia 11 de setembro, data que marca os nove anos dos atentados terroristas contra Nova York e Washington, causou indignação entre políticos, militares e líderes religiosos.

A secretária de Estado Hillary Clinton disse que se trata de um desrespeito e de um ato vergonhoso. "Estou satisfeita com a condenação clara e inequívoca do ato, desrespeitoso e vergonhoso, feita pelos líderes de todas as religiões", afirmou.

O secretário da Justiça dos EUA, Eric Holder, qualificou a atitude de "idiota e perigosa". Anteriormente, o porta-voz da presidência, Robert Gibbs, havia afirmado que a intenção é, também, uma ameaça às tropas norte-americanas no exterior.

Gibbs acrescentou que o comandante militar norte-americano no Afeganistão, general David Petraeus, já advertiu que imagens da queima do Alcorão deverão ser usadas por extremistas para incitar à violência nos países muçulmanos. "Qualquer atividade como essa, que é prejudicial às nossas tropas, é uma preocupação para este governo", afirmou Gibbs.

Reaktionen zu Terry Jones' Koran-Plänen

Bandeira dos EUA e boneco de Jones foram queimados em protesto no Afeganistão

A União Europeia (UE) também condenou a atitude do pastor americano. A porta-voz de Catherine Ashton, chefe da diplomacia europeia, disse que a UE respeita todas as religiões. "Essa não é uma atitude sensata", afirmou.

Repúdio de católicos, evangélicos e judeus

O Vaticano emitiu nesta quarta-feira (08/09) nota de repúdio à anunciada queima do Alcorão, afirmando que os ataques terroristas de 11 de Setembro não justificam um gesto tão ultrajante e grave contra um livro sagrado para uma comunidade religiosa.

Também na Alemanha as declarações do pastor Terry Jones causaram indignação. A Igreja Evangélica da Alemanha (EKD, na sigla em alemão) censurou a planejada queima pública do Alcorão. O bispo Martin Schindehütte disse que se trata de uma provocação inadmissível. Num país como os EUA, onde a liberdade das confissões religiosas recebe grande importância, os escritos fundamentais de outras religiões deveriam ser tratados com respeito.

O bispo evangélico de Berlim, Markus Dröge, disse que uma atitude como essa contradiz a mensagem de reconciliação do Evangelho. Principalmente em Berlim, afirmou, "uma ação tão impregnada de ódio traz à lembrança a queima de livros dos nazistas" em maio de 1933.

A mesma associação foi feita pela presidente do Conselho Central do Judeus na Alemanha, Charlotte Knobloch. "Essa ideia é horrível e repugnante", afirmou em Munique.

Na Alemanha: multa por falso título de doutor

Apesar da condenação internacional e da pressão da Casa Branca, o pastor Jones, líder espiritual de 50 fiéis na igreja evangélica Dove World Outreach Center em Gainesville, mantém-se irredutível na sua decisão de queimar o Alcorão e de convocar um dia internacional de queima do livro sagrado dos muçulmanos.

"Precisamos enviar uma clara mensagem ao Islã radical, de que não vamos tolerar as suas ameaças e a disseminação do medo aqui entre nós", afirmou o pastor, que possui ligações com a cidade alemã de Colônia.

Na Alemanha, Jones foi o fundador da Christliche Gemeinde Köln (Comunidade Cristã de Colônia) nos anos 1980 – segundo ele, após ter recebido um sinal de Deus. Hoje os membros da igreja se mostram aliviados por ele ter ido embora.

"Graças a Deus não temos mais nada que ver com ele", afirmou a fiel Diana Breuel, que participa há seis anos da igreja. Segundo relatos, Jones agia como um líder de seita e fazia pressão psicológica sobre os fiéis, que chegaram a somar 800 pessoas em Colônia.

Membros da igreja o descrevem como uma pessoa muito carismática, que sabia exercer fascínio sobre os fiéis. Ele também impunha normas de conduta e construiu uma hierarquia rígida. Tudo tinha de ser como ele queria, afirmam membros da igreja.

Em 2002, um tribunal de Colônia condenou Jones a pagar uma multa de 3 mil euros por ostentar um título falso de doutor. Segundo o atual vice-presidente da igreja, Stephan Baar, Jones se envolveu com irregularidades financeiras na instituição. Em 2008, foi afastado pela comunidade, que afirma não ter mais ligações com ele nem com a igreja que ele comanda nos EUA.

AS/dpa/lusa/epd/kna
Revisão: Roselaine Wandscheer

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