Partido do governo perde eleições em Portugal | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 05.06.2011
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Mundo

Partido do governo perde eleições em Portugal

Partido do primeiro-ministro, José Sócrates, é derrotado nas eleições parlamentares portuguesas, vencidas pela oposição conservadora. Socialistas se despedem do governo, após seis anos no poder.

Portugal's interim Prime Minister and Socialist Party leader Jose Socrates reacts in a political rally in Lisbon on the last day of election campaigning, Friday June 3, 2011. Portugal's elections for a new government on June 5 risk delivering a messy political stalemate that could delay urgent economic reforms and aggravate Europe's debt troubles. (AP Photo/Paulo Duarte)

Sócrates: derrota em eleições antecipadas

O líder da oposição de centro-direita, Pedro Passos Coelho, do Partido Social Democrata (PSD), venceu as eleições portuguesas, realizadas neste domingo (05/06) podendo formar uma maioria no parlamento com seu aliado tradicional, o partido conservador CDS-PP. De acordo com as projeções de três cadeias de TV, divulgadas logo após o fechamento das urnas, o PSD conseguiu entre 37% e 42,5% dos votos, contra 24,8% a 30% para o primeiro-ministro, José Sócrates.

Os portugueses foram às urnas para eleger um novo parlamento nacional em meio a pior crise econômica, política e social desde o retorno à democracia, pela Revolução dos Cravos, em 1974. O período de agitação política e financeira começou com a queda do governo socialista, em março, e levou Portugal a se converter no terceiro país da zona do euro a pedir ajuda financeira, depois de Grécia e Irlanda.

As últimas pesquisas de opinião já previam a derrota do primeiro-ministro socialista, José Sócrates, do Partido Socialista (PS), no poder desde 2005, e a vitória do candidato opositor de centro-direita, o social-democrata Pedro Passos Coelho, do Partido Social Democrata (PSD), que contava, nas últimas sondagens, com 36,6% das intenções de votos, contra 31,1% do PS.

Pedro Passos Coelho, leader of the center-right Social Democratic Party, PSD, gestures during his election campaign closing rally Friday, June 3 2011, in Lisbon. Opinion polls indicated Friday that the main opposition PSD will unseat the ruling Socialist Party in Sunday's election held against the backdrop of a euro78 billion bailout. Slogan in the foreground reads It's time to change. (Foto:Armando Franca/AP/dapd)

Pedro Passos Coelho deve liderar próximo governo

O PSD deve conseguir uma maioria absoluta no Legislativo, por meio de uma coalizão com os conservadores social-democratas do Centro Democrático e Social-Partido Popular (CDS-PP), que podem se firmar como terceira força no parlamento, com cerca de 11,6%. No entanto, até este domingo ainda não havia qualquer acordo oficial entre os partidos.

Eleições mais importantes desde 1974

"Estas são as eleições mais importantes no país desde 1974", disse o presidente da Comissão Europeia e antigo primeiro-ministro português, José Manuel Durão Barroso, logo após depositar seu voto na urna, em Lisboa. No total, cerca de 9,6 milhões de eleitores estavam aptos para eleger 230 deputados para a Assembleia da República.

As pesquisas previam que tanto os comunistas do PCP, combinados aos Verdes na coligação CDU, como os comunistas do Bloco de Esquerda (BE) conseguem retornar ao parlamento em Lisboa, com cerca de 7,4% e 6% dos votos, respectivamente.

As eleições antecipadas foram necessárias depois que Sócrates renunciou em março, após o parlamento ter rejeitado o seu quarto pacote de austeridade em apenas onze meses.

Governo minoritário

Sócrates, de 53 anos, levou os socialistas em 2005 ao melhor resultado eleitoral de sua história, conseguindo pela primeira vez uma maioria absoluta. No entanto, após uma série de crises e escândalos que abalaram seu primeiro mandato, o chefe do PS ganhou as eleições de 2009 apenas com 36,5% de apoio, tendo, então, que dirigir o país com um fraco governo minoritário.

Após o resultado das eleições antecipadas, o presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, deverá se reunir com representantes de todos os partidos representados no parlamento para, mais tarde, nomear o novo governante. Estima-se que a formação do novo governo deve durar vários dias, mas é esperado que ele assuma, o mais tardar, no início de julho.

Em julho, Lisboa tem de começar a implementar as novas medidas de austeridade e saneamento, conforme acordo com a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que concederam uma ajuda de 78 bilhões de euros em maio. Sindicatos, partidos de esquerda e vários movimentos anunciaram protestos contra estes planos nas próximas semanas e meses.

O desemprego já atingiu um recorde histórico de 12,5% em Portugal. Há protestos no centro de Lisboa diariamente, as greves devem aumentar, e os especialistas dizem que o país enfrenta a segunda maior onda de imigrantes dos últimos 160 anos.

MD/afp/dpa/rtr
Revisão: Nádia Pontes

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