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Mundo

Partido curdo anuncia sua dissolução

PKK decide mudar de nome e estratégia na Europa e Turquia, em virtude da política internacional pós-11 de setembro. Sua luta pela criação de um Estado independente custou 35 mil vidas.

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Líder do PKK, Abdullah Öçalan, ouve sua sentença de morte em 1999

O Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que travou uma luta armada de mais de três décadas pela criação de um Estado curdo independente na Turquia e aterrorizou a Alemanha com protestos violentos, anunciou que vai mudar de nome e de estratégia na União Européia e na Turquia.

A decisão, que significa a dissolução do partido clandestino, foi tomada em janeiro e anunciada na noite desta quarta-feira (06), em Berlim, pelo Centro de Informação do PKK, mas ainda será aprovada num congresso internacional em lugar e data desconhecidas.

A nova situação política internacional resultante dos atentados terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos foi o motivo alegado para a mudança estratégica, dois anos depois de o PKK ter deposto as armas. Ao anunciar a decisão, o Centro de Informação destacou que o partido curdo e seu povo "não praticarão atos de terrorismo ou de repressão e sim lutarão por democracia, paz e liberdade". Os seguidores do partido clandestino foram orientados a continuar o seu trabalho em duas organizações legais e democráticas de nomes ainda desconhecidos.

Manobra – A Turquia viu a mudança anunciada pelo PKK como uma mera manobra política. "Nós conhecemos todos os esforços do PKK para se apresentar como organização política", disse o ministro turco do Interior, Rüstü Kazim Yücvelen, em Ancara. Mais de 35 mil pessoas foram mortas na guerra entre as Forças Armadas turcas e o PKK. O serviço secreto alemão acha que "é cedo demais para fazer uma avaliação séria das conseqüências da decisão do partido".

Suicidas - Dos mais de 3 milhões de turcos residentes da Alemanha, cerca de meio milhão são curdos. O PKK promoveu uma série de atentados incendiários contra instalações turcas na Alemanha e paralisou várias rodovias do país, de 1993 até a sua proibição em 1999. A onda de violência atingiu o auge em 1994, quando 800 curdos mediram forças com a polícia num protesto gigantesco e duas jovens curdas atearam fogo no próprio corpo diante das câmaras de TV, em protesto contra a repressão de sua etnia na Turquia, Irã, Iraque e Síria.

O PKK foi proibido na Alemanha em 1993 e sofreu a sua pior derrota na Turquia em fevereiro de 1999 com a captura do seu líder Abdullah Öçalan, no Quênia, por um comando turco. Repatriado para a Turquia, Öçalan foi condenado a morte por traição a pátria e vários assassinatos. A execução da pena foi suspensa por tempo indeterminado e ele permanece numa ilha prisão. Em 2000, o PKK depôs oficialmente as armas.