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Economia

Parlamento aprova desistência da energia nuclear

As 19 centrais atômicas da Alemanha serão desativadas nos próximos 20 anos e não serão mais construídos reatores nucleares no país. A lei aprovada hoje também regula o lixo atômico.

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A usina nuclear de Stade será uma das primeiras a ser desativada, em 2003.

Com os votos dos partidos da coalizão de governo – o Partido Social Democrático (SPD) do chanceler federal Gerhard Schröder, e o Partido Verde - o Parlamento alemão aprovou nesta sexta-feira a desistência da energia nuclear, selando uma grande mudança na política energética, que irá priorizar fontes renováveis.

Os 19 reatores serão desativados nos próximos 20 anos, em diferentes datas. A lei não precisa da aprovação do Conselho Federal, a câmara alta do Legislativo. Enquanto os partidos da coalizão a elogiaram como um de seus projetos mais importantes, a oposição renovou suas críticas e a União Democrata Cristã (CDU), maior partido oposicionista, anunciou que irá lutar para revogá-la.

O cronograma - A "Lei que regulamenta o fim do uso da energia nuclear para a produção de eletricidade" coloca em prática o acordo estabelecido em consenso com os empresários do setor energético, no ano passado.

Para o cronograma de desativação dos reatores, foi considerada a data de sua construção e 32 anos de "vida útil" para cada um. A partir desses dados, calculou-se o total de energia que eles ainda poderiam produzir: ao todo 2,623 bilhões de quilowatts/hora ( ou 2.623 terawatts/hora).

As primeiras usinas a serem desligadas, por esse cronograma, serão a de Obrigheim, no final do ano que vem, e a de Stade, em 2003. A última será a de Neckarwestheim, em 2021. No entanto, as quantias de eletricidade podem ser transferidas de um reator a outro da mesma empresa, dificultando a previsão do momento exato da desativação final.

Lixo atômico - A lei proíbe a construção de novas usinas nucleares e determina controles regulares de segurança. Quanto ao lixo atômico, já não será mais transportado aos depósitos provisórios de Ahaus e Gorleben, devendo ficar na própria central nuclear onde foi produzido até 40 anos, para depois ser levado diretamente a um depósito definitivo, que ainda não existe.

A partir de 2005 serão proibidos os transportes de barras combustíveis já utilizadas ao exterior, onde vinham sendo reprocessadas até agora. Ao defender a lei, os partidos da situação alegaram principalmente os riscos de segurança. "O reator absolutamente sem riscos continua sendo o sonho dos técnicos", disse o deputado social-democrata Horst Kubatschka.

Os riscos teriam se tornado mais claros após os atentados terroristas de 11 de setembro. Para o ministro do Meio Ambiente, Jürgen Trittin, do Partido Verde, a energia nuclear torna vulnerável uma sociedade aberta. "Num parque de energia eólica, por exemplo, não há o perigo da fusão nuclear", disse Trittin.

Segurança de reatores e proteção do clima - O vice-líder da bancada do SPD, Michael Müller, admitiu que a coalizão desejaria um desligamento mais rápido. No entanto, o governo pode estar orgulhoso do acordo negociado com as centrais atômicas, que foi um verdadeiro ato de força, segundo ele.

As primeiras sondagens ocorreram exatamente há três anos, em 14 de dezembro de 1998, quando o chefe de governo Gerhard Schröder teve uma primeira reunião com representantes do setor energético. Somente a desativação das centrais nucleares romperá a velha estrutura do abastecimento energético, dando vez às fontes renováveis, acrescentou Müller.

A CDU e o Partido Liberal, porém, advertiram quanto aos altos custos para a iniciativa privada, as indústrias e os consumidores, bem como as conseqüências negativas para o clima, quando a energia nuclear, que não provoca nenhuma emissão, for substituída por outras fontes.

Segundo o deputado democrata-cristão Klaus Lippold, o uso da energia nuclear na Alemanha representou até agora uma economia de 100 milhões de toneladas de emissões de bióxido de carbono por ano.

Alvo de terrorismo - O Greenpeace, por sua vez, anunciou que entrará com um pedido para que sejam canceladas as autorizações de funcionamento das 19 usinas nucleares na Alemanha.

Na opinião da organização ecologista, os atentados terroristas de setembro nos EUA questionaram as condições de funcionamento das centrais atômicas, uma vez que atentados suicidas e queda de aviões de passageiros não foram considerados antes de sua construção.

Após o 11 de setembro, ninguém mais pode afirmar que catástrofes desse tipo são inconcebíveis, afirmou o Greenpeace, que realizou uma ação de protesto diante da usina Biblis, nesta sexta-feira. Numa das torres de refrigeração, foi projetada uma imagem com os dizeres : "Usinas atômicas: inseguras, radioativas, alvo de terrorismo!"

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