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Alemanha

Parentes das vítimas de acidente processam ferroviária

O descarrilhamento de Eschede, no norte da Alemanha, foi o acidente ferroviário mais pavoroso do pós-guerra na Alemanha, com 101 mortos. Começou o processo das famílias atingidas contra a empresa Deutsche Bahn.

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Trabalhos de resgate em Eschede, em 4 de junho de 1998, um dia após o acidente

Três anos e meio após a catástrofe ferroviária de Eschede, iniciou-se nesta quarta-feira (20) o primeiro grande processo civil dos parentes de vítimas contra a companhia ferroviária Deutsche Bahn. Os seis autores da ação judicial perante o Tribunal Estadual de Berlim exigem da empresa de 125 mil a 250 mil euros, cada um. Eles perderam cônjuges ou filhos no acidente que matou 101 pessoas, na Baixa Saxônia, norte do pais.

Uma tragédia sem precedentes - O descarrilamento do ICE 884 em 3 de junho de 1998 foi a maior tragédia ferroviária da Alemanha, desde a Segunda Guerra. O aro de uma das rodas do trem de alta velocidade quebrou. Ao descarrilar-se, o trem arrancou uma ponte e seus vagões entraram um nos outros, ficando empilhados. As imagens das equipes de salvamento tratando de salvar os feridos chocaram a opinão pública. Além dos mortos, houve numerosos feridos graves. Alguns não puderam ser retirados a tempo dos vagões que ficaram por baixo dos outros.

O presidente da Deutsche Bahn, Helmut Mehdorn, não compareceu pessoalmente, fazendo-se representar por um advogado. A empresa alegou que ainda não se está determinado oficialmente o culpado pelo acidente. Com base neste fato, requereu o adiamento do processo, até que a questão esteja esclarecida. O juiz concedeu às partes prazo até 18 de setembro para um acordo amigável. Em agosto, o Tribunal de Lüneburg deverá iniciar processo penal contra os responsáveis, tanto da Deutsche Bahn como da firma fabricante de rodas.

15 mil euros por cada morte – "De nosso ponto de vista, tratou-se de um acidente. As rodas estavam de acordo com as exigências técnicas", declarou um porta-voz da empresa na terça-feira. Mesmo assim, esta tem um sentimento de dever em relação aos atingidos. Até agora, ela já pagou um total 20 milhões de euros, também em tratamentos médicos, ressarcimento de danos materiais e manutenção dos órfãos.

Do total de 338 indenizações a que têm direito as vítimas diretas do acidente, a Deutsche Bahn considera 80% dos casos como resolvidos. Ela pretende continuar a auxiliar parte dos prejudicados, por exemplo em casos de incapacitação profissional, porém recusa-se a pagar mais do que os 30 mil marcos (15.340 euros) já depositados por cada vítima fatal. O advogado dos parentes das vítimas, Reiner Geulen, considera a quantia insuficiente e acusa a empresa de "graves falhas de organização" e negligência na manutenção das rodas.

Um dos afetados perdeu toda a sua família: a esposa, de 28 anos, e dois filhos de 4 e 8 anos de idade. O porta-voz da associação "Auto-ajuda Eschede", Heinrich Löwen, também perdeu esposa e filha, restando-lhe apenas uma criança deficiente. Segundo Geulen, todos os que recorreram à Justiça tiveram graves sofrimentos psíquicos, culminando em depressões e psicoses. Alguns passaram dias procurando seus entes queridos nos destroços e nos hospitais.