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Economia

Parceiros na Alemanha, adversários no Brasil

A relação com os sindicatos destaca-se entre as práticas divergentes de multinacionais alemãs em seu país de origem e no Brasil, atesta estudo promovido pelo Observatório Social com ThyssenKrupp, Bayer e Bosch.

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Odilon Faccio: trocar tradição de conflito pela cultura da negociação

Empresas e sindicatos alemães buscam juntos soluções para os problemas nas unidades de seus países. No Brasil, as mesmas multinacionais geralmente não permitem que seus trabalhadores se organizem no local de trabalho e só aceitam atividades sindicais da porta para fora de seus estabelecimentos – em algumas, também são permitidas dentro da empresa, desde que com autorização prévia. Hipótese inimaginável nas empresas americanas instaladas no maior país da América do Sul. Elas procuram dificultar ao máximo a vida sindical. Não recebem representantes dos sindicatos e estimulam seus funcionários a não se sindicalizarem.

Este quadro comparativo é resultado das pesquisas que o Observatório Social vem realizando desde sua fundação em 1998, com o objetivo de verificar as práticas trabalhistas e sociais das empresas no Brasil. O mais recente estudo trata do comportamento das subsidiárias brasileiras das multinacionais Bayer, Bosch e ThyssenKrupp e foi apresentado a sindicalistas alemães em Düsseldorf, na última segunda-feira (29/9), pelo engenheiro Odilon Luís Faccio, coordenador institucional do Observatório Social, sua equipe e líderes sindicais brasileiros.

Pioneirismo – "Pela primeira vez, multinacionais aceitam no Brasil que sua atuação social seja investigada pelos sindicatos", comemora Faccio, cuja equipe pôde entrevistar funcionários e executivos e requisitar informações. Convencer os executivos não foi fácil. As negociações com a ThyssenKrupp levaram quatro meses, com a Bosch, seis, e com a Bayer quase um ano.

O coordenador do Observatório Social recorda que havia um clima de desconfiança sobre o interesse e o objetivo dos sindicatos com a pesquisa. O cumprimento das diretrizes da Organização Internacional do Trabalho (OIT) são a base da pesquisa. "Para nossa surpresa, o relatório não servirá só aos sindicatos. Muitos diretores de multinacionais nos disseram que com ele passarão a conhecer melhor suas empresas", declarou o engenheiro à DW-WORLD.

Desdobramentos – Verificar a situação e as diferenças das práticas adotadas na Alemanha e no Brasil não é o único objetivo do trabalho. O mais importante ainda está por vir. "Queremos sensibilizar as multinacionais para que cumpram também no Brasil sua função social", diz Faccio. O relatório será o ponto de partida para negociações coletivas para superar as deficiências identificadas.

"A ThyssenKrupp assumiu este compromisso formalmente, assim como a Bayer, que o fez até de forma bem detalhada sobre cada passo deste processo. A Bosch ainda não formalizou, mas revela intenção clara também neste sentido", acrescenta.

A ThyssenKrupp começa a cumprir o combinado. O relatório sobre a empresa é o primeiro a ser concluído e identificou grande deficiência na área de saúde e segurança do trabalho em suas fundições. "A situação é grave, complicada, com muitos acidentes e mortos", atesta o engenheiro. A direção do conglomerado entretanto já colocou o problema entre suas prioridades para ser resolvido.

O Observatório Social tem consciência de que a correção das distorções não será fácil, apesar da predisposição inicial das empresas. Neste sentido, é indispensável a articulação com sindicalistas alemães, que têm relacionamento pouco conflituoso com a direção mundial das multinacionais. A experiência dos sindicalistas brasileiros mostra o quanto as subsidiárias nacionais são dependentes da orientação das matrizes.

Negociação versus conflito – Criado numa iniciativa da CUT, o Observatório Social é sustentado através de cooperações com entidades sindicais alemãs, holandesas e finlandesas, entre outras. Sem o apoio financeiro da fundação Hans-Böckler-Stiftung, ligada à central sindical DGB, a pesquisa com as multinacionais alemães não teria sido possível.

Outro objetivo do Observatório é mudar as relações dos sindicatos com as empresas no Brasil, tradicionalmente conflituoso. "Houve casos em que para haver negociação era preciso fazer greve. Através deste projeto estamos procurando o caminho do diálogo social. Estou no momento contente porque o resultado até agora aponta para uma situação positiva de melhoria das condições de trabalho e do ambiente de confiança entre as partes", resume Odilon Faccio.

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