Para Wim Wenders, atual cinema brasileiro é ″vívido e ativo″ | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 22.08.2008
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Cultura

Para Wim Wenders, atual cinema brasileiro é "vívido e ativo"

Cineasta alemão se declarou fã do brasileiro Glauber Rocha e disse desconhecer "Tropa de Elite" durante a sua passagem pelo Brasil, onde participou do ciclo de palestras Fronteiras do Pensamento.

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Wim Wenders elogiou cinema brasileiro, mas disse conhecer poucos filmes

O cineasta alemão Wim Wenders, de 63 anos, disse que o atual cinema brasileiro é "muito vívido, atuante e ativo", mas revelou um conhecimento limitado da produção audiovisual brasileira durante sua passagem por Porto Alegre, onde participou no dia 18 de agosto do ciclo de palestras Fronteiras do Pensamento.

Wenders resumiu suas preferências aos diretores Walter Salles e Fernando Meirelles – dos quais disse conhecer todos os filmes – e Marcelo Gomes, por Cinema, Aspirinas ® e Urubus – tendo assistido a este num cinema na quadra onde mora, em Berlim. E se declarou fã de Glauber Rocha, tendo sido influenciado por ele.

O cineasta alemão não escondeu sua decepção ao falar sobre o assunto cinema brasileiro. "Certamente, preciso assistir a mais alguns [filmes brasileiros], o que ainda não fiz porque não foram exibidos na Europa", justificou.

"Nunca ouvi falar em Tropa de Elite"

Tropa de elite | The Elite Squad | Tropa de elite Land: BRA/ARG 2007 Sektion: Wettbewerb Nur zur Verwendung zur Berichterstattung über diesen Film Berlinale 2008

Cena de Tropa de Elite, que Wenders disse desconhecer

Essa carência no setor de divulgação, distribuição e exibição de filmes brasileiros no continente europeu impediu Wenders de conhecer, por exemplo, Tropa de Elite, de José Padilha, vencedor do Urso de Ouro no 59º Festival de Berlim e fenômeno de público no Brasil.

"Nunca ouvi falar", admitiu, para surpresa geral, quando indagado a respeito do título, tanto em inglês quanto em português (a versão em Inglês, The Elite Squad, foi a adotada na Berlinale). O filme é distribuído pela Paramount Pictures.

Segundo o jornalista e professor Juremir Machado da Silva, um dos cicerones de Wenders em Porto Alegre, o cineasta teria voltado ao assunto após a palestra, explicando que não estava em Berlim na época em que Tropa de Elite ganhou o prêmio e que, além disso, o filme não chegou a entrar em cartaz na capital alemã.

Em Salvador

No dia 20, o diretor de Asas do Desejo fez outra palestra pelo Fronteiras do Pensamento, desta vez em Salvador. Na capital baiana, ele participou de um seminário com o cineasta brasileiro José Padilha, de Ônibus 174 e Tropa de Elite.

Brasilien Filmreggiseur Glauber Rocha

Glauber Rocha, de quem Wenders se declarou fã

Padilha foi o primeiro a falar e, enquanto Wenders aguardava no palco a sua vez, era exibido um trecho de Tropa de Elite – e o diretor alemão finalmente tomou conhecimento do filme.

Ele não apenas elogiou a obra como ainda propôs a Padilha, em tom de brincadeira: "Vou enviar a você uma cópia de um filme meu para 'vazar' no Brasil, desde que eu ganhe uns 30% do lucro das vendas", numa referência ao vazamento de uma cópia de Tropa de Elite durante as filmagens.

Meses antes da estréia, vendedores ambulantes produziram milhões de CDs piratas do filme, vendidos nas ruas por cerca de R$ 10. O acesso barato transformou o filme num fenômeno cinematográfico no Brasil – de acordo com o Ibope, foi visto por mais de 11 milhões de pessoas somente por meio das cópias piratas e por 2,5 milhões nos cinemas.

Let's go to a ride?

Dois documentários foram realizados durante a passagem de Wenders pelo Brasil. Eles integrarão a série online Boundaries of Thought: Think Tank (Fronteiras do Pensamento: Ensaios Visuais).

Em Porto Alegre, o diretor Gustavo Spolidoro retomou a idéia original de Quarto 666 ( Room 666, 1982), do cineasta alemão, em que vários diretores – Jean-Luc Godard, Rainer Fassbinder, Steven Spielberg, Werner Herzog, entre outros – são defrontados com uma pergunta a respeito do futuro do cinema.

Walter Salles - brasilianischer Regisseur

O diretor brasileiro Walter Salles

Em De Volta ao Quarto 666, Wim Wenders é colocado diante da mesma indagação, uma vez que o cinema, 26 anos depois, sobrevive, mas passa por um novo período de questionamentos.

"Tínhamos receio de que ele pudesse não querer atuar ou responder sobre um tema que propôs num filme seu", explicou Spolidoro. Mas isso não aconteceu, e no curta-metragem, olhando pela janela (cena característica de muitos de seus filmes), o diretor exclamou: "Alles blau, Porto Alegre".

De Volta ao Quarto 666 mostra Wenders falando por mais de 20 minutos sobre o cinema atual. O documentário tem previsão de estréia para setembro e é uma produção da V2 Cinema.

Seqüestro numa BMW

Já os cineastas baianos Fábio Rocha e Marcos Pierry realizaram o documentário Corte: O Sr. Cinema. No dia 20, eles "seqüestraram" Wenders numa BMW e o levaram pelas ruas de Salvador, numa alusão aos seus road movies.

Let's go to a ride? (vamos dar um passeio?), foi a proposta, aceita pelo diretor. No dia 21, passearam novamente com Wenders pela pátria do Pelourinho, desta vez filmando seus depoimentos no Museu de Arte Moderna da Bahia.

O Fronteiras do Pensamento é um ciclo de seminários sobre estética e cultura contemporâneas que acontece de março a novembro e é patrocinado pelas empresas Copesul e Braskem.

Em sua segunda edição – a primeira aconteceu em 2007 –, o evento reúne em duas capitais brasileiras alguns dos representantes mais expressivos das artes, da filosofia, da sociologia e da economia, como Bernard-Henri Lévy, em Salvador, e Edgar Morin e David Lynch, em Porto Alegre.

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