Para general da Otan, ação na Líbia impediu massacre de civis | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 19.04.2011
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Mundo

Para general da Otan, ação na Líbia impediu massacre de civis

Conflito na Líbia parece estar empatado. Rebeldes pedem mais apoio ao Ocidente, enquanto forças de Kadafi continuam atacando. Em Nápoles, na Itália, Deutsche Welle entrevistou o comandante da operação da Otan na Líbia.

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General Charles Bouchard comanda a ação da Otan na Líbia

O comandante da missão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Líbia, o general canadense Charles Bouchard, avaliou os resultados da ação militar no país norte-africano. Para Bouchard, a presença da Otan impediu que as forças de Kadafi continuassem massacrando civis.
Deutsche Welle: O ataque das forças de Kadafi à cidade de Misrata desencadeou uma crise humanitária e deixou centenas de mortos. Moradores e rebeldes na cidade reclamam que, enquanto as forças do ditador continuam a bombardear o local indiscriminadamente, a Otan faz pouco para proteger os civis. Como o senhor reponde a essa crítica?
Charles Bouchard: Há bombardeios a todo o momento. Não são bombardeios precisos, mas bombas arremessadas ao redor da região. As forças do regime de Kadafi não têm respeito pela população. Na cidade, a situação é muito difícil, muito dura. As forças de Kadafi não usam mais uniformes e se escondem no topo de mesquitas, de escolas. São os locais onde ficam os equipamentos mais pesados. E eles se protegem atrás de mulheres e crianças.
Então quando as pessoas perguntam porque não estamos fazendo nada, bem, eu não vou descer a esse nível que Kadafi desceu e empreender o tipo de conflito que ele está fazendo. O meu trabalho é ajudar a população.
Se não se pode proteger os civis dentro de Misrata, quais são os outros meios que a Otan tem para enfraquecer Kadafi?
Nós estamos buscando as linhas de comunicação, os depósitos de munição, procurando o comando de Kadafi e o sistema de controle. Continuamos atingindo os taques em regiões possíveis, sem provocar o tipo de dano que suas forças estão fazendo. Destruímos dois outros tanques na área de Misrata (18 de abril). Então continuamos a exercer pressão sobre Kadafi.
Há relatos de que rebeldes estão movimentando armas através da área marítima controlada pela Otan. A aliança está permitindo que os rebeldes façam isso de fato?
A política é que nós autorizaremos o deslocamento de assistência humanitária, de refugiados, pessoas desalojadas e feridas para fora de Misrata e outros portos. O embargo de armas está em vigor.
Há atualmente um impasse na Líbia, sem que nenhum dos dois lados conquiste espaço. Você acredita que essa situação de empate traga vantagem para qualquer um dos lados?
O nosso dever é impedir que Kadafi ataque a população civil, mas eu preciso assegurar que essa situação estacionária não se transforme em momentos em que o regime de Kadafi recarregue suas armas. Estou trabalhando para isso. É um confronto muito delicado e é difícil penetrar no meio dele. Mas algumas vezes é melhor ter certeza de que ninguém mais entre nessa briga. E ter certeza de que nós interrompemos os reforços.
O mandato da Otan na Líbia é proteger civis. Mesmo assim, países-membros da Otan, como Reino Unido, França e Estados Unidos disseram conjuntamente que a missão na Líbia será finalizada quando Kadafi cair. Isso mudou algo para você?
O meu mandato é muito específico e o que as diversas nações optam por fazer é decisão delas. Mas o mandato da Otan é muito direto e eu ainda não tive nenhuma alteração. Mas temos que compreender também que não há uma solução militar única para o problema.
A solução virá nas frentes militar, diplomática e política. Quanto mais o mundo se unir e dizer a Kadafi e ao seu regime "O seu comportamento não é aceitável, você perdeu a autoridade moral e legal para controlar o seu povo. E pare a violência contra o seu povo" – esse é o ponto em que minha missão vai terminar.
O mandato da Otan excluí a possibilidade de tropas terrestres na Líbia. Mas existe alguma chance de tropas terrestres agirem para proteger o esforço humanitário?
Não é uma questão que eu tenha que responder. Eu não sei. Minha missão é clara e os recursos que me foram dados são claros. Eu tenho bens marítimos, embarcações e vários tipos de aeronaves, mas não estou consciente ou informado sobre qualquer intenção [de introduzir tropas terrestres]. A decisão atual da Otan é de não ter forças terrestres.
Quão bem-sucedida é a missão na Líbia até agora?
Não há soldados atacando civis. Havia há três semanas. Nós interrompemos isso. Interrompemos o movimento de armas que se deslocavam pelo país. Estamos fazendo a diferença e estou convencido de que, se não estivéssemos lá, milhares de pessoas estariam mortas. E nós impedimos isso.
Entrevista: Megan Willian (np)
Revisão: Carlos Albuquerque

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