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Brasil

Para especialista alemão, Brasil ainda não é potência regional

Em entrevista à DW-WORLD, especialista alemão fala sobre a pauta da Cúpula das Américas na Argentina, o fracasso da Alca e diz que o Brasil ainda está longe de se consolidar como potência regional na América Latina.

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Mar del Plata terá protestos contra Bush na Cúpula das Américas

DW-WORLD O que o sr. espera da Cúpula das Américas, que acontece de 4 a 5 de novembro em Mar del Plata, na Argentina? O encontro trará resultados concretos?

Sangmeister – Encontros de cúpula sempre representam um breve impulso à economia local. Basta mencionar as enormes comitivas dos chefes de Estado e de governo, funcionários de bastidores, jornalistas e fotógrafos que chegam a esse tipo de evento. Mas não espero resultados substanciais da 4ª Cúpula das Américas. Os encontros pan-americanos anteriores, em Monterrey (2004) e Quebec (2001), também não deram nova dinâmica à integração política e econômica das Américas.

As economias latino-americanas crescem novamente, mas o tema central em Mar del Plata é a geração de empregos e o combate à pobreza. Por que o boom econômico não gera mais empregos e reduz a desigualdade social na América Latina?

Não é novidade para os economistas que o crescimento econômico não gera automaticamente empregos. Em muitos países, ainda se acredita no efeito trickle down da redistribuição da riqueza para os pobres, mas estudos empíricos demonstram que muitas vezes se espera em vão por esse "efeito cascata". O crescimento econômico em muitos países latino-americanos baseia-se no boom da demanda mundial de matérias-primas e produtos agrários, os quais também na América Latina são produzidos com muito capital e pouca mão-de-obra. O chocante desnível social persistente na América Latina não é resultado da globalização e, sim, da falta de disposição das elites regionais de atacar com determinação as causas dessa extrema desigualdade social.

O que os governos da América Latina precisam fazer para combater a pobreza? E como a América do Norte pode ajudar?

Creio que o presidente norte-americano George W. Bush, no momento, tem outra preocupação do que a persistência da pobreza na América Latina. A responsabilidade maior para que as crianças não continuem morrendo de fome na América Latina é das sociedades e dos governos locais. Os principais elementos de uma estratégia bem-sucedida de combate à pobreza são mais do que conhecidos: investimentos na saúde, educação, combate à corrupção, boa condução do governo etc.

O presidente argentino Nestor Kirchner, que definiu o tema da cúpula, espera que a geração de empregos estabilize a democracia. A democracia na América Latina está em perigo?

De fato, há alguns indícios preocupantes de que as democracias na América Latina de forma alguma estão consolidadas. Pesquisas de opinião recentes indicam que a aceitação da democracia está em queda. Isso se reflete também no sucesso de políticos neopopulistas na região.

Como o sr. avalia a situação no Brasil em termos de justiça social e estabilidade demorática (veja-se os escândalos de corrupção), após quase três anos de governo Lula?

Hartmut Sangmeister

Sangmeister: 'Lula não correspondeu às expectativas'

As grandes expectativas de que o governo Lula seria capaz de reduzir a enorme desigualdade social no Brasil não se concretizaram. Muitas das sonoras promessas eleitorais não puderam ser cumpridas porque o orçamento brasileiro, sem um remanejamento das despesas, dava pouquíssima margem para projetos de reformas sociais. Os casos de corrupção envolvendo pessoas próximas ao presidente prejudicaram profundamente o governo Lula, que é obrigado a operar com a alternância de maiorias parlamentares.

Por que Bush não é bem-vindo à Cúpula das Américas? Por que o antiamericanismo na América Latina é tão forte?

Permita-me que responda com uma pergunta: onde o presidente Bush atualmente é bem-vindo no exterior? O antiamericanismo tem uma longa tradição na América Latina e a política do governo norte-americano, nos últimos anos, não contribuiu para diminuí-lo.

>> Leia a seguir: o fracasso da Alca e o papel do Brasil na América Latina.

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