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Brasil

Para CNBB, confiança em Lula está abalada

Em entrevista à DW-WORLD, o presidente da CNBB, cardeal Geraldo Majella Agnelo, cobra mais empenho do governo para realizar a reforma agrária, gerar empregos e combater a pobreza.

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Agnelo: decepcionado com os escândalos do governo do PT

"A economia brasileira cresce extraordinariamente, mas um terço da população vive na pobreza", denunciou o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, cardeal Geraldo Majella Agnelo, que participou neste domingo (27/11), em Limburg (Hessen), do lançamento de uma campanha de doações da Adveniat para o Brasil.

Em entrevista exclusiva à DW-WORLD, ele falou sobre a situação social no Brasil, os projetos de reforma agrária, o combate à pobreza e a decepção com os escândalos do governo comandado pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

DW-WORLD: O senhor declarou aqui na Alemanha que a economia brasileira cresce, mas não há espaço para a dignidade humana no país. O governo Lula falhou na área social?

Dom Geraldo Majella Agnelo: Ele tem explicado que era preciso fortalecer a economia, para depois fazer reformas sociais. Nós bispos achamos que a prioridade deve ser a realização das reformas sociais. Temos problemas que vêm de longa data, como reforma agrária, que gera tantas dificuldades no campo e nas cidades, que se tornam sempre mais cheias. É urgente a situação das pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza e que representam um terço da população do Brasil.

Repito: a economia vai bem, mas existe a falta de empregos, especialmente no Nordeste, e o salário mínimo ainda é muito pequeno. O governo também pretendeu fazer o Fome Zero, mas eu acho que é urgente que haja emprego, trabalho para todos. O governo Lula deu uma Bolsa Família em torno de 80 reais por mês, mas é preferível que dê emprego. Nós achamos que o emprego está acima de tudo e ele também estimula a própria população.

O que impede o governo Lula de fazer uma reforma agrária mais conseqüente do que seus antecessores ?

É a tradicional questão da concentração da propriedade nas mãos de poucas pessoas, que não querem dividir de jeito nenhum com os que não têm nada e ficar apenas com o que é justo para a sua sobrevivência. Temos casos, por exemplo, de terras indígenas em Roraima, que mesmo depois de delimitadas pelo governo e esgotadas as medidas judiciais, são reivindicadas à força pelo homem branco.

Lula teve de fazer concessões aos latifundiários no Congresso e por isso a reforma agrária não avança ?

Ele não implementou o plano apresentado pelo Plínio de Arruda Sampaio, um estrategista que já foi chamado por vários países para fazer projetos de reforma agrária. O projeto em execução não está tendo o avanço como nós gostaríamos de ver.

O senhor mencionou o Bolsa Família . Esse tipo de programa e também os projetos filantrópicos que a Igreja ajuda a realizar são uma solução para combater a fome ?

Eu penso que não.

E qual é a solução ?

É promoção, não assistência. Porque dar uma bolsa a um desempregado é um estímulo para que ele permaneça só recebendo e não fazendo esforço, não trabalhando.

Leia a seguir : Como a CNBB avalia a corrupção no governo Lula .

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