Paparazzi são tema de exposição em Berlim | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 16.06.2008
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Cultura

Paparazzi são tema de exposição em Berlim

Desde "A Doce Vida" de Federico Fellini à morte da Princesa Diana, fotógrafos paparazzi acompanharam a glória e a dor de ricos e famosos. Os reis da indiscrição ganham agora sua primeira grande exposição na Alemanha.

default

Brigitte Bardot em Cannes, paraíso dos paparazzi, em 1956

Segundo a Fundação Helmut Newton de Berlim, a história dos paparazzi pode ter começado nos anos de 1930 com o alemão de origem judaica Erich Salomon. O fotógrafo, vítima do Holocausto em 1944, deixou como legado o termo que também cunhou – o fotojornalismo.

No entanto, ao ser descoberto fotografando atrás de uma cortina do Ministério do Exterior francês, Salomon ganhou o título de "rei da indiscrição" do então ministro francês das Relações Exteriores, Auguste Briand.

Ao inaugurar, nesta quinta-feira (19/06), a primeira grande exposição sobre paparazzi na Alemanha – Pigozzi e os Paparazzi – a Fundação Helmut Newton homenageia Salomon e vários outros fotógrafos indiscretos com mais de 350 fotos coloridas e em preto e branco.

Anos "clássicos" dos paparazzi

Paparazzilegende Ron Galella

Galella levou soco de Marlon Brando

Tendo como referência as décadas de 1960 e 1970, consideradas como os anos "clássicos" dos paparazzi, a exposição se concentra, em primeira linha, em retratos de celebridades da época tomadas na praia ou na rua: Marlon Brando, Príncipe Charles, Sophia Loren, Grace Kelly, Brigitte Bardot, Alain Delon e tantos outros. Tais fotografias procuravam desmistificar estrelas ao revelar suas atividades diárias.

Nem sempre, porém a cumplicidade entre voyeurs e exibicionistas funcionou. Ron Galella, paparazzo americano que inspirou vários outros seguidores, gozava status de cult na Nova Iorque e na Los Angeles dos anos de 1960. Isto não o impediu, no entanto, de perder vários dentes ao tentar fotografar Marlon Brando em ocasião inoportuna. A partir daí, o fotógrafo passou a usar um capacete de futebol americano quando sabia que iria encontrar o ator.

Além de Erich Salomon e Ron Galella, a exposição também homenageia nomes como Weegee, Edward Quinn, Daniel Angeli, Tazio Secchiaroli, Helmut Newton e Jean Pigozzi, misto de colecionador, homem de negócios e fotógrafo milionário, que também dá nome à exposição.

Reflexão midiática do fenômeno

Marcello Mastroianni: Der Herzensbrecher des Kinos ist tot

Termo paparazzi foi cunhado em 'La Dolce Vita', de Federico Fellini

A mostra da Fundação Helmut Newton também se propõe a uma reflexão midiática sobre um fenômeno que ajuda, há décadas, a ampliar a circulação da imprensa marrom. As fotos de Jean Pigozzi são exemplo da interface entre portrait (retrato), fotografia de celebridades e paparazzi. O filho do fundador da marca de automóveis Simca vem fotografando, desde a década de 1970, freqüentadores do jet set internacional, a quem tem livre acesso devido à sua posição social.

Principalmente através da série de fotografias Pigozzi & Co, na qual Pigozzi faz fotos de si mesmo junto a seus famosos amigos com uma câmara de bolso, o fotógrafo leva ao absurdo, de forma bastante sutil, a sede por fotos de celebridades: em retratos casuais, ele se encena, ao mesmo tempo, como amigo, fã e fotógrafo.

De forma proposital, foi deixada de lado na exposição berlinense a obra dos paparazzi da atualidade, cuja qualidade fotográfica se torna cada vez mais invisível e cujos métodos se tornam cada vez mais brutais, afirmam os curadores da mostra.

Na vida e na morte

Otto von Bismarck

Paparazzi invadiram e fotografaram leito de morte de Bismarck

O que começou com o filme A Doce Vida (1960), do diretor italiano Federico Fellini, acabou em morte. Inspirado no fotógrafo italiano Tazio Secchiaroli, que se tornou mais tarde fotógrafo de set do diretor, o personagem do paparazzo em A Doce Vida chamava-se Paparazzo, nascendo aí sua denominação. Sobretudo após a morte da Princesa Diana em acidente após perseguição por paparazzi, em agosto de 1997, a atmosfera de glamour dos "clássicos" paparazzi parece ter chegado ao fim.

Segundo a mostra em Berlim, não é mais em Roma ou em Cannes onde circula a maioria dos paparazzi do século 21. Com sua máquina de ilusões, principalmente Hollywood tornou-se o lugar onde fotógrafos inescrupulosos transformam sua "máquina fotográfica em arma".

A conclusão dos curadores da exposição lembra a declaração de uma das primeiras vítimas de paparazzi da história, o herói da unificação e primeiro chanceler do Império Alemão Otto von Bismarck, que foi fotografado clandestinamente em seu leito de morte por dois paparazzi da época. A um empregado, Bismarck declarara que nunca sabe se alguém vai ser fotografado ou morto por tais indivíduos.

Leia mais