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Mundo

Papa se reúne com "G8 de cardeais" para debater reforma da Cúria

Passados sete meses de sua eleição, Francisco inicia diálogo para reforma da Cúria, o corpo administrativo do Vaticano. Há muito a fazer e grandes são as expectativas.

O papa Francisco dá início a uma tarefa hercúlea: reformar a Cúria Romana, o corpo administrativo que é, na prática, o governo da Igreja Católica. E, para isso, ele se reúne a partir desta terça-feira (1°/10) com uma comissão de oito cardeais de todo o mundo, oficialmente chamada de Conselho de Cardeais e apelidada pela imprensa de G8 de cardeais.

De acordo com o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, esta primeira rodada de reuniões será realizada em dois turnos – manhã e tarde – até esta quinta-feira.

O papa não perde de vista o tema da reforma da Cúria. Em sua primeira entrevista longa, recém-publicada, Francisco aborda os problemas na administração do Vaticano, algo que muitos acusam de ser um aparato de poder.

O papa adverte que os órgãos do governo da Igreja Católica devem estar a serviço do papa e dos bispos, "devem ajudar tanto as igrejas particulares [locais] quanto as conferências episcopais. São mecanismos de ajuda". Caso contrário, "correm o risco de se tornarem organismos de censura".

Os discursos, aparições públicas e primeiras viagens de Francisco desviaram a atenção dos problemas na Cúria Romana. Em 2012, o escândalo Vatileaks trouxe à tona, em diferentes etapas, abusos e problemas internos do centro de poder eclesiástico. Intrigas, panelinhas, abusos de poder eram um segredo aberto. A Secretaria de Estado da Santa Sé mostrava fraquezas. Além disso, o Banco do Vaticano, com sua obscura forma de agir, trouxe manchetes negativas para o papa Bento 16, antecessor de Francisco. Desde então, pouco mudou estruturalmente.

Reforma gigantesca

Poucos dias após a eleição de Mario José Bergoglio, em meados de março, as palavras ditas por ele no chamado pré-conclave, no qual os cardeais se conhecem e trocam ideias sobre problemas e desafios, tornaram-se públicas.

Nelas, o cardeal de Buenos Aires reclama de "uma Igreja que gira em torno de si mesma", do egocentrismo, de um "espírito de narcisismo teológico" – e muitos ligaram isso à Cúria Romana. Esse discurso contribuiu para que os cardeais no conclave se decidissem pelo religioso proveniente do "fim do mundo", como ele mesmo se definiu.

Mas a reforma da Cúria é um projeto gigantesco. A última reforma, que João Paulo 2° promulgou com a Constituição Apostólica Pastor Bonus (Bom Pastor), precisou de seis a sete anos de preparação. Também aí se tratou de reorganização e reestruturação. Agora aumenta o número de vozes que pretendem adequar a administração central do Vaticano, que ainda continua influenciada pelos italianos, aos desafios e problemas globais. Pois a Cúria Romana é responsável pela maioria das questões envolvendo toda a Igreja Católica, com seu 1,2 bilhão de fiéis espalhados pelo mundo.

Ouvir toda a Igreja

É esse vasto rebanho que o Conselho de Cardeais representa, disse à Deutsche Welle o editor-chefe da redação alemã da Rádio Vaticano, Bernd Hagenkord. Segundo ele, Francisco pretende ouvir toda a Igreja e, por isso, reuniu cardeais de vários continentes no Conselho.

Em sua recente entrevista, o próprio papa falou que essa consulta ao grupo dos oito não era uma decisão sua, mas "fruto da vontade dos cardeais" expressa antes de sua eleição.

Assim, já em abril, o papa nomeou três cardeais do continente americano, o chileno Francisco Javier Errázuriz Ossa, o hondurenho Oscar Rodríguez Maradiaga e o americano Sean Patrick O'Malley, para o G8 de cardeais.

Da Europa vêm o cardeal alemão Reinhard Marx e o presidente do Governo do Estado do Vaticano, o italiano Giuseppe Bertello. Outros participantes são o arcebispo de Mumbai, o indiano Oswald Graças, o congolês Laurent Monsengwo Pasinya e o australiano George Pell.

Segundo Hagenkord, o "papa não entende muito de questões estruturais e encontrou aí um ponto fraco. Então convocou as pessoas competentes", com as quais pretende trabalhar numa grande reforma da Cúria.

Poucos comentários

É concebível, por exemplo, que Francisco queira reforçar o papel das Igrejas locais frente a Roma e queira estabelecer mais transparência nas ações da Cúria. Por outro lado, não se trata de transferir instituições, como os conselhos papais, comissões ou até mesmo congregações, de Roma para outros continentes. O que acontece em Roma acontece sempre "em nome do papa", explica Hagenkord. Por isso, apesar de todas as possibilidades técnicas, as distâncias curtas são de grande importância.

O que chama a atenção é o fato de os cardeais, que nesse ínterim já se encontraram todos com o papa e também trocaram ideias entre si, mostrem-se reticentes quanto a declarações espetaculares. Com exceção de Rodríguez Maradiaga, que numa entrevista em maio defendeu de forma concreta que o Banco do Vaticano deveria divulgar futuramente os seus balanços, os outros, como o arcebispo de Munique, Reinhard Marx, pouparam declarações.

Até agora não se sabe se, após três dias de reuniões, a comissão de cardeais irá realizar alguma declaração pública. Em todo caso, já está certo que os oito cardeais acompanharão Francisco em sua visita de um dia a Assisi no dia 4 de outubro. Isso mostra o quanto a reforma do aparato da Igreja é também uma jornada espiritual para Francisco.

E que ela necessita de tempo. "Muitos acham", disse Francisco em entrevista à revista dos jesuítas, "que mudanças e reformas podem ocorrer num curto espaço de tempo. Eu acredito que sempre se precisa de tempo para lançar as bases de uma mudança real e eficaz. E esse é o tempo de discernimento". O papa disse esperar que as reuniões com os cardeais sejam "verdadeiras, e não formais".

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