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Alemanha

Papa encerra visita ao passado

Durante viagem de seis dias à Baviera, Bento 16 caminhou nos rastros de seu passado, emocionou fiéis seguidores do Vaticano e decepcionou críticos que esperavam novos impulsos ao ecumenismo no país de Martinho Lutero.

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Fim de uma viagem que frustrou ecumenistas

Visivelmente emocionado, o papa Bento 16 encerrou nesta quinta-feira (14/06) sua viagem de seis dias à Baviera. "Levo no coração, indelével, a emocionante impressão que o entusiasmo e a forte religiosidade das grandes massas de fiéis provocaram em mim", disse o líder da Igreja Católica, ao embarcar no aeroporto de Munique para retornar ao Vaticano.

Ele disse ter passado dias intensivos na Alemanha. "Pude reavivar na minha memória muitos acontecimentos do passado que marcaram minha vida", afirmou. O papa deixou em aberto se voltará a visitar sua terra natal, mas alimentou especulações na despedida: "A todos, um cordial até a próxima, se Deus quiser", disse.

Segundo o governador da Baviera, Edmund Stoiber, a visita do papa foi um acontecimento inesquecível, que "emocionou profundamente as pessoas". Bento 16 retornou a Roma num no airbus A 321 da Lufthansa, batizado com o nome Regensburg (cidade em que Joseph Ratzinger foi professor universitário). O avião sobrevoou ainda locais relacionados à vida do papa.

Antes do encerramento de sua visita à Alemanha, Bento 16 ainda se reuniu nesta quinta-feira com sacerdotes e diáconos na catedral de Freising (a cerca de 50 quilômetros de Munique), onde foi ordenado em 29 de junho de 1951.

Ao lado de mais 30 sacerdotes, que se ordenaram no mesmo dia, ele reconheceu a escassez de padres e pediu que mantenham a fé na sua missão, com "disciplina e constante renovação interior".

Críticos decepcionados

Hans Küng

Küng: papa cala sobre assuntos incômodos ao Vaticano

Ao chegar a Munique, no último sábado, Bento 16 ouviu do presidente alemão Horst Köhler (luterano) o desejo de que ocorresse um avanço na aproximação entre cristãos católicos e luteranos. Mas, fora uma procissão seguida por um culto ecumênico em Regensburg, não houve qualquer sinal concreto nesta direção.

O encarregado da Igreja Evangélica para os contatos com a Igreja Católica, bispo Johannes Friedrich, sequer obteve os três minutos combinados para conversar com o papa sobre a possibilidade de cônjuges católicos participarem da santa ceia com seus cônjuges de outra confissão.

Os bávaros festejaram "seu" papa, que se apresentou mais solto do que em sua visita à Jornada Mundial da Juventude em Colônia no ano passado. Mas, como naquela ocasião, Bento 16 evitou tocar em assuntos polêmicos relacionados a reivindicadas reformas da Igreja, como a questão do celibato, ordenação de mulheres, valorização dos leigos e moral sexual.

Da mesma forma, esquivou-se de temas políticos. Até mesmo no dia 11 de setembro – quinto aniversário dos ataques terroristas a Nova York – dedicou seus discursos à doutrina da Igreja. Sua mensagem central, repetida em várias ocasiões nesta viagem, foi: "O mundo precisa de Deus, nós precisamos de Deus".

João Paulo 2º havia defendido uma nova evangelização, Bento 16 prefere pregar o catecismo com um discurso soft . "Ele não quer se apresentar como homem das duras exigências e, sim, das formulações suaves. Taticamente esperto, ele cala sobre assuntos incômodos ao Vaticano", avaliou o teólogo suíço Hans Küng.

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