Pane em reator nuclear gera debate sobre energia atômica na Alemanha | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 05.07.2009
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Alemanha

Pane em reator nuclear gera debate sobre energia atômica na Alemanha

Problema na usina nuclear de Krümmel, no norte alemão, provoca suspensão do fornecimento de energia em Hamburgo e outras cidades da região. Incidente desencadeia debate a respeito do uso de energia atômica no país.

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Usina nuclear de Krümmel, administrada pela sueca Vattenfall

Um problema de funcionamento na usina nuclear de Krümmel, próxima a Hamburgo, gerou um novo debate em todo o país. O reator da usina foi desligado automaticamente no último sábado (04/07), em sistema de emergência, após um curto-circuito num transformador, estando desativado até agora.

Segundo a empresa sueca Vattenfall, que administra a usina, o incidente lembra um sério acidente ocorrido em Krümmel há dois anos, quando houve um incêndio na usina depois que o reator se desligara automaticamente. De acordo com Ernst Michael Züfle, diretor da Vattenfall, não há previsão de retomada das atividades.

Ein Mitarbeiter des Atomkraftwerks Krümmel säubert am Dienstag (14.08.2007) in Geesthacht (Kreis Herzogtum-Lauenburg) neben dem Brennelementlagerbecken den Boden.

Interior da usina de Krümmel: problemas em reator

Um fechamento definitivo da usina, porém, não está nos planos da empresa. "Pretendemos colocar a usina de novo em rede", disse Züfle, ao lembrar que as instalações foram construídas para funcionar por um período de oito a nove anos. A Vattenfall se viu em maus lençóis depois que se tornou público o fato de que as autoridades competentes foram avisadas pela polícia a respeito do incidente e não pela própria empresa.

Problemas em várias cidades

A pane no reator e seu desligamento automático causaram sérios problemas no fornecimento de energia em regiões de Hamburgo e do estado de Schleswig-Holstein. A maioria dos semáforos da cidade parou de funcionar.

A empresa de fornecimento de água da cidade registrou também sérios problemas, pois bombas de água que haviam se desligado por falta de energia começaram a funcionar desordenadamente quando a energia voltou. Centros comerciais e zonas industriais registraram também sérios problemas com a interrupção no fornecimento de energia.

"Reatores antigos"

O ministro alemão do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel (SPD), exigiu, após o ocorrido, medidas para melhorar o controle das usinas nucleares no país. Segundo ele, é preciso "desativar os reatores mais velhos e mais problemáticos, transferindo o contingente de energia produzido por eles para instalações mais novas".

Em entrevista ao jornal Frankfurter Rundschau , o ministro salientou que o incidente em Krümmel mostra "que a energia nuclear é uma tecnologia que envolve riscos extremos". Gabriel afirmou ainda que a posição da premiê Angela Merkel, de adiar o desligamento de reatores nucleares, é "uma irresponsabilidade".

Controle mais acirrado

Pressekonferenz zur Gründung der Internationalen Agentur für erneuerbare Energien IRENA in Berlin

Sigmar Gabriel, ministro alemão do Meio Ambiente

O ministro determinou ainda que seja feito um controle mais acirrado de todas as usinas atômicas no país. "Tomo esse incidente como oportunidade para fiscalizar todos os sistemas eletrônicos dos reatores nucleares no país", disse Gabriel. As autoridades de Schleswig-Holstein, responsáveis pelo controle, já estão devidamente informadas, de acordo com o ministro.

A secretária de Saúde de Schleswig-Holstein, Gitta Trauernicht, afirmou que será averiguado se houve negligência no incidente com a usina nuclear. "A empresa arca com a responsabilidade sobre um funcionamento seguro da usina", disse a política social-democrata, demonstrando desconfiança em relação à empresa sueca.

Adversários políticos apontam um certo exagero na reação de Gabriel e Trauernicht – ambos do partido social-democrata – apontando que o SPD poderá aproveitar o incidente para iniciar uma grande campanha contra a energia atômica. Tudo isso para angariar votos e melhorar as perspectivas nada boas apontadas pelas enquetes. As eleições parlamentares no país acontecem daqui a dois meses.

SV/dpa/ap
Revisão: Alexandre Schossler

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