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Mundo

Pais dos 43 desaparecidos criticam Peña Nieto após encontro

Familiares dos estudantes sequestrados há um ano em Iguala apresentam lista de reivindicações, mas dizem que resposta do presidente foi insuficiente. Peña Nieto garante que investigações não serão arquivadas.

Uma reunião entre o presidente do México, Enrique Peña Nieto, e pais dos 43 estudantes desaparecidos no município de Iguala deixou mais uma vez claro que o fosso separando as autoridades do país e os parentes das vítimas é muito grande.

Ao final do encontro na Cidade do México, Peña Nieto disse que ouviu os familiares, assegurou a eles que compartilha da sua dor e compreende sua indignação, e reafirmou o compromisso do governo em esclarecer o caso. "Estamos do mesmo lado. Vocês e eu buscamos o mesmo: saber o que aconteceu com cada um de seus filhos e punir os responsáveis. Estamos juntos à procura da verdade", afirmou.

Os pais, que se encontravam em meio de uma greve de fome de 43 horas, fizeram oito pedidos a Peña Nieto, num documento em que acusam as autoridades de terem fabricado "uma mentira histórica". Após o encontro, eles expressaram sua decepção com a resposta do governo, que não se comprometeu com nenhuma das oito demandas apresentadas, segundo o advogado das famílias, Vidulfo Rosales. "De maneira unilateral, esboçou seis possíveis compromissos" que "não são substanciais" e que muitos deles "já estavam acertados", acrescentou.

O porta-voz do governo, Eduardo Sánchez, declarou que o presidente recebeu o documento e analisará a viabilidade da propostas. Entre elas está o pedido para que especialistas da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) permaneçam um ano vinculados às investigações e que o governo cumpra com as recomendações deles.

O presidente comunicou seis decisões aos pais, entre elas a ampliação do mandato dos especialistas da CIDH, uma nova perícia no depósito de lixo onde os corpos do estudantes teriam sido incinerados e a criação de um promotoria especializada na busca por pessoas desaparecidos. Todas foram criticadas pelos pais como sendo antigas e inapropriadas.

Peña Nieto também ordenou sua equipe a "continuar os trabalhos para saber o que aconteceu com cada um dos desaparecidos" e reiterou que a investigação "não foi concluída" e "chegará até onde tiver que chegar", disse Sánchez.

Para Rosales, a prorrogação do mandato dos especialistas da CIDH por seis meses não é um compromisso novo" e que o mesmo vale para a continuidade das investigações, "pois é algo a que [o governo] está obrigado". Sobre a criação da promotoria, disse rechaçar totalmente essa decisão, afirmando que o caso dos estudantes merece uma investigação específica.

Para a Anistia Internacional (AI), a investigação especial ordenada pelo presidente não é suficiente. "A resposta do governo de Peña Nieto, após reunião com as famílias dos estudantes, mostra falta de vontade política para esclarecer os acontecimentos", disse a organização. "As famílias dos desaparecidos merecem mais do que palavras e demonstrações superficiais de boa vontade", ressaltou o diretor da AI no México, Perseo Quiroz.

De acordo com a Anistia, o governo deve investigar um possível envolvimento do Exército mexicano nos desaparecimentos e permitir que um grupo de especialistas da CIDH entreviste os militares.

O caso completa um ano neste sábado (26/09). Os estudantes de uma escola de formação de professores viajaram para Iguala para participar de um protesto contra as más condições da educação no país. Na volta, os ônibus em que estavam foram atacados pela polícia local. Seis pessoas foram mortas, 20 ficaram feridas e 43 foram sequestrados pelos policiais.

Segundo a versão oficial, a polícia entregou os jovens ao cartel Guerreros Unidos, que teria assassinado os estudantes e incinerado os corpos num depósito de lixo. A

CIDH questionou as investigações

conduzidas pelas autoridades mexicanas por falta de provas.

KG/lusa/efe/rtr/dpa

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