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Ciência e Saúde

Painel da ONU eleva alerta por aquecimento global e culpa ação humana

Relatório do IPCC revela que os oceanos estão subindo mais rápido, que temperatura pode se elevar até 5 graus neste século e que homem tem 95% de responsabilidade sobre as mudanças climáticas.

O Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC) divulgou nesta sexta-feira (27/09) um relatório ainda mais pessimista que seu último, de 2007. Nele, o grupo de especialistas apontados pela ONU não só reforçou as conclusões de que o aquecimento global é uma realidade causada primariamente – senão exclusivamente – pelo ser humano, como deixou claro que a situação pode piorar significativamente se não forem feitos esforços para controlar as emissões.

De acordo com o IPCC, o homem tem 95% de responsabilidade sobre as mudanças climáticas – o relatório de 2007 falava em 90%. A razão dos números é a produção de CO2 em larga escala, que provocam o efeito estufa. As emissões têm crescido continuadamente e chegaram a um novo pico, como apontou em março deste ano a agência do governo americano para o assunto (NOAA).

O nível dos oceanos, segundo o estudo, vai continuar a subir e mais rápido do que se imaginava. Serão provavelmente 26 centímetros e, na pior das hipóteses, 82 centímetros. Em 2007, o discurso era de um crescimento de entre 18 e 59 centímetros.

"As causas do aumento do nível do mar são mais bem compreendidas agora do que eram há seis anos", esclarece o pesquisador Stephan Ramstorf, do Instituto de Pesquisas Climáticas de Potsdam. "Medições mostram que as duas grandes massas continentais congeladas, Groelândia e Antártida, estão perdendo gelo."

Temperatura na superfície da terra parece estável, mas oceanos tem absorvido o calor

Temperatura na superfície da terra parece estável, mas oceanos tem absorvido o calor

Tom mais forte

O relatório diz ainda que o aquecimento global vai piorar e que as temperaturas podem aumentar entre 1,5 e 5 graus até 2100. Ao mesmo tempo, o IPCC alerta que a meta de uma elevação da temperatura de no máximo dois graus não será atingida se a tendência se mantiver.

A comunidade internacional havia chegado a um acordo sobre este número a fim de evitar as piores consequências do aquecimento global. Agora a meta deve ser posta novamente à prova até a próxima conferência climática, em 2015, em Paris, como afirmou a secretária executiva da ONU para o clima, Christiana Figueres.

Cientistas concordam, no entanto, que embora a temperatura global não tenha aumentado nos últimos 15 anos, contrariando todas as expectativas, essa não é uma indicação de que as mudanças climáticas possam ser menos dramáticas. A pausa na elevação dos termômetros está provavelmente ligada ao acúmulo de calor pelos oceanos, como explica o pesquisador Mojib Latif.

"Os mares profundos estão absorvendo a maior parte do calor e, por isso, as medições não registraram aumento nas temperaturas na superfície da terra nos últimos 15 anos, mesmo que o sistema climático continue aquecendo como um todo", opina.

Fenômenos climáticos extremos como ondas de calor, enchentes ou furacões podem ser ainda mais frequentes no futuro. Cientistas do IPCC esperam que as regiões mais úmidas do planeta recebam ainda mais precipitações e que as áreas secas fiquem ainda mais secas do que antes.

Emissões de CO2 colocam o homem como grande culpado pelas mudanças no clima

Emissões de CO2 colocam o homem como grande culpado pelas mudanças no clima

Todos os cenários e modelos de cálculos, porém, devem ser entendidos como possibilidades ou probabilidades, porque o clima é complexo. A compreensão dos cientistas quanto à interrelação de oceanos, correntes marítimas e atmosfera hoje é maior. No entanto, sempre existem fatores que influenciam o sistema climático que não são considerados nas simulações computadorizadas. Um exemplo é a capacidade dos oceanos de armazenar calor.

Credibilidade minada

Até hoje, esse feito não era levado em consideração numa escala suficiente nos estudos sobre o clima. Só agora passou-se a esclarecer que a escalada da temperatura global foi interrompida não por culpa do homem, por exemplo, mas devido à capacidade de armazenamento de calor dos mares.

Mas na ciência, modelos são frequentemente adaptados ou descartados. Pesquisadores questionam seus próprios métodos e fazem ajustes para chegar ao resultado correto. Entretanto, diz o pesquisador do clima Hans Storch, quando esses resultados são públicos e anunciam previsões pessimistas com absoluta certeza, as correções soam desastrosas. "Assim, em última análise, desperdiçamos nossa credibilidade", afirma.

Existem incertezas que podem colocar temporariamente em dúvida as previsões do IPCC. A entidade recebeu o prêmio Nobel da Paz em 2007 e, na época, foi considerada incorruptível, merecedora de credibilidade e dedicada ao bem comum. Desde então, diversos escândalos envolveram a organização, tida como a maior autoridade sobre assuntos do clima. Entre outras coisas, um estudo apresentou prognósticos absurdos quanto ao derretimento glacial. Fora isso, tornou-se público que lobistas de organizações ambientais trabalharam juntos no relatório.

Regiões desérticas do planeta tendem ainda mais secas, conforme os prognósticos

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O resultado disso é que cada vez mais pessoas parecem ter perdido o medo das alterações do clima e de suas consequências. "Apenas 39% dos alemães temem as mudanças climáticas. Alguns anos atrás eram em torno de 60%", diz o meteorologista Sven Plöger, do Congresso de Climas Extremos de Hamburgo. Ele considera a tendência preocupante, pois está provado cientificamente que as mudanças climáticas vão acontecer.

A comissária europeia para o clima, Connie Hedegaard, vê o novo relatório do IPCC como um sério alerta. "Não se trata de acreditar ou não nas mudanças climáticas. É sobre ficar ou não com a ciência. No momento em que todos os cientistas alertarem para essas mudanças com 100% de certeza pode ser tarde demais", disse.

O relatório do IPCC não faz qualquer recomendação política. É apenas uma coletânea de todos os estudos científicos mais importantes que foram publicados nos últimos anos. As consequências, como por exemplo as questões energéticas, precisam ser observadas sozinhas pelos políticos. O documento servirá de base para as discussões da conferência do clima, marcada para meados de novembro na Polônia.