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Mundo

Paciência com políticos acabou na Bulgária, diz especialista

Manifestantes vão às ruas da Bulgária pedir a renúncia do primeiro-ministro Plamen Oresharki e o fim da corrupção. Para pesquisador que participa dos protestos, população deve deixar o país se a situação não mudar.

Dez semanas após as eleições parlamentares no país mais pobre da União Europeia, o caos político é cada vez maior. Apenas na noite desta quarta-feira (24/07), cerca de 4 mil pessoas foram às ruas protestar. Os manifestantes se queixam de corrupção no meio político, pedem a renúncia do primeiro-ministro búlgaro, Plamen Oresharki, e exigem que um novo pleito seja marcado.

Na terça-feira, manifestantes atiraram pedras no Parlamento da Bulgária e impossibilitaram, durante nove horas, a saída dos parlamentares do edifício. Nesta quinta-feira (25/07), Oresharki apelou para a busca de um consenso na busca de uma saída para a crise e se disse aberto ao diálogo.

O primeiro-ministro pediu ainda o fim da violência nos protestos. Sem partido, Oresharki assumiu o cargo em maio passado, apoiado por socialistas e pela minoria turca do Movimento pelos Direitos e Liberdades, de centro.

O pesquisador Alexander Kiossev participou de protestos contra o governo búlgaro. Em entrevista à Deutsche Welle, o professor de Ciências Culturais da Universidade de Sofia explica o motivo que une os manifestantes e quais as conseqüências da escalada dos protestos no país.

Alexander Kiossev

Kiossev participou dos protestos: 'Não consegui suportar a falta de vergonha dessa política'

Deutsche Welle: Os manifestantes na Bulgária ressaltaram durante toda a semana que os protestos são pacíficos. Agora, 18 pessoas ficaram feridas após enfrentamentos entre manifestantes e policiais. O que há por trás disso?

Alexander Kiossev: A paciência das pessoas se esgotou. Elas realmente chegaram ao limite e não aguentam mais a situação. Todos os protestos têm algo a ver, sobretudo, com uma "paciência moral". E essa paciência tanto com esse governo quanto com o anterior já foi estendida ao máximo.

Quais é o atual pano de fundo dos protestos?

Ainda em fevereiro houve uma primeira onda de protestos desencadeada pelo aumento dos preços da energia elétrica. Especialmente os mais pobres foram às ruas reclamar, não apenas na capital Sofia, mas também na província. Isso levou à queda do então governo conservador sob o comando de Boyko Borisov (do partido Gerb). Em maio vieram as eleições, cujo resultado foi considerado inválido, pois praticamente nenhum partido conseguiu a liderança. O novo governo se comprometeu logo em suas primeiras escolhas para cargos – principalmente com a nomeação do empresário da mídia Delyan Peevski, que praticamente monopolizou a imprensa na Bulgária, como novo diretor do Departamento de Segurança (Dans), e irritou profundamente a população.

As pessoas agora vão às ruas não apenas para pedir a saída de Peevski, mas também de todo o governo. Os protestos já duram mais de 40 dias, mas o governo se comporta como se nada tivesse acontecido e espera que os protestos acabem sozinhos. Isso irritou ainda mais a população e culminou com a ação no Parlamento, que impediu a saída dos deputados do prédio. Depois de um bloqueio que durou horas, a polícia entrou em cena – e isso acabou levando à violência.

Qual foi a sua motivação para participar dos protestos?

Eu não consegui mais suportar a falta de vergonha dessa política. O partido socialista atualmente no poder – legenda dos antigos comunistas – está fortemente ligado ao crime organizado na Bulgária e dependente de certas oligarquias. Por isso ele praticamente não consegue ter uma política autônoma e acaba se submetendo ao que qualquer sujeito desconhecido impõe por baixo dos panos. O partido perdeu totalmente a conexão com os eleitores.

Bulgarien Antiregierungsproteste in Sofia

Há mais de um mês população vai às ruas pedir a renúncia do primeiro-ministro e novas eleições parlamentares

Como o senhor ficou sabendo dos protestos?

Desde o início eu estava lá e cheguei a levar meu filho de oito anos de idade. Inicialmente era uma representação. Havia muita energia criativa, as pessoas pensaram em todas as formas possíveis de se expressar. Era como um festival e todos estavam contentes de estar juntos na rua e vivenciar essa solidariedade moral. Então os provocadores se misturaram com os manifestantes e diferentes grupos e partidos tentaram colocar os protestos sob seu controle, sem sucesso. Os manifestantes são búlgaros jovens e inteligentes. Caso os protestos não obtenham êxito, acredito que pelo menos 50% deles deverão emigrar, pois eles não vão conseguir tolerar essa situação por mais tempo.

O que une os manifestantes?

A vontade de viver na verdade. Como Václav Havel formulou, 'elas não conseguem mais suportar viver na mentira, na criminalidade, na sombra'. E isso obviamente traz outros problemas práticos, políticos e econômicos, pois todo mundo se pergunta: o que virá depois? O que acontecerá se o governo cair? Mas isso não é o mais importante no momento. O mais importante é que essa solidariedade moral foi formada.

O senhor vê semelhanças com os protestos na Turquia?

Sim, há muitas: integrantes de diferentes classes sociais se juntaram e reagiram como um verdadeiro sujeito político. E esse sujeito político diz: assim não dá mais.

Na sua opinião, como vai prosseguir esse conflito entre governo e manifestantes?

Ainda não é possível enxergar, mas a violência mudou o protesto e agora o conflito deve aumentar. Espero que o governo seja razoável e volte atrás. Mas seus integrantes têm muito a perder: eles sabem que sua constelação de poder depois de uma renúncia nunca mais será a mesma.

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