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Mundo

Países europeus exigem esclarecimentos dos EUA sobre espionagem

Após revelações da revista alemã "Spiegel" sobre a dimensão da espionagem dos EUA na Alemanha e em instalações da União Europeia, a Comissão Europeia e os governos da Alemanha e França pedem explicações a Washington.

O Ministério Público da Alemanha vai ser acionado para investigar o escândalo de vigilância de dados realizado pelos serviços secretos dos EUA e do Reino Unido e desencadeado pelas denúncias do ex-colaborador da CIA Edward Snowden – que ainda se encontra foragido na área de trânsito do Aeroporto de Moscou Sheremetyevo.

Neste domingo (30/06), uma porta-voz do Ministério Público alemão disse que o órgão está coletando informações para avaliar se a Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA, na sigla em inglês) violou o direito vigente e se a responsabilidade do Ministério Público foi afetada por meio da vigilância de telefone e internet na Alemanha.

A porta-voz confirmou uma reportagem da revista Spiegel, segundo a qual o Ministério Público já estaria de posse de todas as informações disponíveis e relevantes sobre os programas de espionagem Prism, Tempora e Boundless Informant. Ainda não se sabe se o procurador-geral da Alemanha, Harald Range, irá abrir oficialmente uma investigação. Nesse contexto, espera-se que haja queixas judiciais, disse a porta-voz. Segundo a Spiegel, pelo menos uma queixa já teria sido feita.

O governo britânico, cujo serviço de inteligência CGHQ é responsável pelo programa Tempora, pretende agora dar novas informações a Berlim. Segundo a revista alemã, o Ministério alemão do Exterior recebeu um convite para uma videoconferência a ser realizada na Embaixada do Reino Unido, em Berlim, às 16h (hora local) desta segunda-feira.

Screenshot Spiegel Online Englisch Startseite vom 30. Juni 2013

Screenshot do site em inglês da 'Spiegel' com revelações sobre a espionagem dos EUA na União Europeia

Alemanha na mira

Enquanto isso, o "vício" por informações dos serviços de inteligência dos Estados Unidos ameaça afetar seriamente as relações entre Washington e a União Europeia. Como informou a Spiegel neste fim de semana, instalações da União Europeia foram alvos de espionagem da NSA.

Segundo reportagem da revista alemã, agentes norte-americanos teriam escondido microfones e invadido a rede de informática dos escritórios da UE em Nova York e Washington. Também teria sido interceptada a rede telefônica do Edifício Justus Lipsius, onde se realizam, por exemplo, as reuniões de cúpula da União Europeia, em Bruxelas.

Neste fim de semana, a Comissão Europeia exigiu esclarecimentos do governo dos Estados Unidos. Washington pretende agora investigar os relatos sobre a vigilância nos escritórios da União Europeia e, posteriormente, dar um sinal de retorno a Bruxelas. "Temos agora que receber uma garantia das mais altas autoridades de que isso vai parar", afirmou o ministro do Exterior de Luxemburgo, Jean Asselborn.

A atividade da NSA na Alemanha seria maior do que em qualquer outro país da União Europeia, escreveu a Spiegel fazendo referência a documentos secretos levados pelo ex-funcionário da CIA Edward Snowden.

Segundo as estatísticas analisadas pela revista alemã, num dia normal teriam sido interceptadas 20 milhões de ligações telefônicas e 10 milhões de registros de dados de internet na Alemanha. Em dias de pico, como 7 de janeiro de 2013, o serviço de inteligência teria espionado cerca de 60 milhões de ligações telefônicas. Em comparação: na França, os norte-americanos teriam interceptado, em média no mesmo período, cerca de 2 milhões de ligações.

Brüssel - Justus-Lipsius-Gebäude

EUA teriam escondido microfones no Edifício Justus Lipsius, sede do Conselho da União Europeia em Bruxelas

Medo do amigo

Políticos da oposição e do governo em Berlim reagiram chocados com as revelações da Spiegel. "O fato de os nossos amigos nos EUA verem os europeus como inimigos vai além de qualquer imaginação", declarou estupefata a ministra alemã da Justiça, Sabine Leutheusser-Schnarrenberger.

Agora, os europeus devem se perguntar até onde vai sua confiança no governo norte-americano. Quando o presidente dos EUA, Barack Obama, visitou Berlim em meados de junho, ele justificou o programa Prism através da luta contra o terrorismo e afirmou que ao menos 50 ameaças concretas teriam sido frustradas através do programa de vigilância de dados. "Caso as representações da UE em Bruxelas e Washington tenham sido realmente espionadas pelo serviço de inteligência norte-americano, vai ser difícil justificar isso com o argumento da luta contra o terrorismo", afirmou a ministra alemã.

"Se os relatos da mídia forem verdadeiros, isso lembra o procedimento entre os inimigos durante a Guerra Fria", disse ainda Leutheusser-Schnarrenberger.

O especialista em privacidade de dados do Partido Verde no Parlamento Europeu, Jan Philipp Albrecht, exigiu que a Comissão Europeia depositasse queixa contra os EUA na Corte Europeia de Justiça. E o presidente de Comitê de Assuntos Internacionais no Parlamento Europeu, Elmar Brok, questionou o planejado tratado de livre comércio entre a UE e os EUA:  "Como se pode negociar quando se tem medo de que a própria posição de negociação seja escutada?"

Neste domingo, o ministro do Exterior francês, Laurent Fabius, também exigiu de Washington explicações sobre as recentes reportagens sobre a espionagem de instalações da União Europeia pela NSA. "Caso confirmadas, tais ações seriam inaceitáveis", disse Fabius em Paris. "Esperamos que as autoridades norte-americanas deem respostas o mais rápido possível às perguntas legítimas que resultam dessas revelações da mídia."

Edward Snowden

EUA cancelaram passaporte de Edward Snowden, que ainda se encontra em Moscou

Destino de Snowden

Enquanto isso, o desencadeador de toda essa celeuma – o ex-técnico da CIA Edward Snowden – ainda se encontra foragido na área de trânsito do Aeroporto de Moscou Sheremetyevo.

Neste sábado, em entrevista à emissora de TV privada Oromar, o presidente equatoriano, Rafael Correa, disse que a responsabilidade sobre o destino do ex-funcionário do serviço de inteligência dos EUA pertence agora à Rússia. Para analisar o processo de asilo de Snowden, Correa afirmou que ele precisaria se encontrar em solo equatoriano. "No momento, no entanto, a solução, o seu próximo destino de viagem está nas mãos das autoridades russas", disse o presidente.

No sábado, Correa anunciou ainda ter falado com o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, por telefone no dia anterior. Biden teria lhe dito "de forma sucinta" que os EUA esperam que o Equador recuse o pedido de asilo de Snowden.

O presidente equatoriano explicou que seu governo irá analisar os argumentos das autoridades norte-americanas, mas que a decisão final sobre o pedido de asilo seria de responsabilidade do Equador. Correa disse ainda considerar as revelações de Snowden sobre os programas de vigilância de dados da comunicação por telefone e internet por parte dos EUA e do Reino Unido como "o maior caso de espionagem da história da humanidade".

CA/dpa/rtr/afp

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