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Mundo

Países dos Bálcãs pedem ajuda à UE contra crise migratória

Em cúpula em Viena, Sérvia e Macedônia, rota de passagem para migrantes, defendem que problema é também responsabilidade da União Europeia. Alemanha defende cota para distribuição de refugiados no bloco

A Sérvia e a Macedônia fizeram um apelo nesta quinta-feira (27/08), em Viena, para que a União Europeia (UE) ofereça ajuda concreta com relação ao crescente fluxo de migrantes que chega a seus territórios e, segundo ambos, sobrecarrega a infraestrutura e as autoridades locais.

"Nós enfrentamos a maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. É uma migração verdadeira, e a Sérvia é um país de trânsito. Esse é um problema da União Europeia, e esperam de nós [como países de trânsito] que tenhamos um plano de ação", afirmou o ministro sérvio do Exterior, Ivica Dacic, durante a cúpula dos Bálcãs, que reuniu em Viena líderes da região e da Europa Ocidental para tratar da crise migratória.

De acordo com autoridades sérvias, desde o início do ano, cerca de 94 mil refugiados, a maioria da Síria e do Afeganistão, entraram com o pedido de asilo na Sérvia, após terem passado por países da UE, como Grécia, Bulgária e Romênia.

"Eu preciso ser direto. Por favor, entendam, estamos carregando o grosso do problema", afirmou Dacic.

Combater traficantes

Após a morte de pelo menos 20 migrantes em um caminhão frigorífico na Áustria, autoridades de Berlim e Viena pedem uma ação europeia em conjunto para combater tráfico de pessoas.

"Nós estamos chocados com a terrível notícia. Eram pessoas que estavam a caminho, a procura de mais segurança e proteção, e sofreram uma morte tão trágica", afirmou a chanceler federal alemã, Angela Merkel.

Perante a

tragédia

, o chanceler federal austríaco, Werner Faymann, afirmou que é necessário combater a criminalidade e os traficantes de pessoas, "para salvar" os refugiados.

Durante a cúpula, Merkel pediu ainda a aprovação rápida de um sistema de cotas justo para a distribuição de refugiados nos países europeus, além da ampliação da lista de países considerados seguros, com a inclusão de todos os integrantes dos Bálcãs.

A proposta de cotas para refugiados também foi defendida pelo ministro alemão do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, no início do encontro. Ele anunciou ainda que a Alemanha vai contribuir com 1 milhão de euros para ajudar os países dos Balcãs Ocidentais, perante o intenso fluxo migratório. A quantia servirá para comprar alimentos e outros suprimentos para os refugiados.

A Macedônia, porém, disse que o valor é inadequado. O país recebe pelo menos 3 mil refugiados diariamente, que chegam pela fronteira com a Grécia. "Nós não estamos conseguindo fazer o trabalho com os 90 mil euros que recebemos até agora e, provavelmente, não atingiremos o objetivo com o 1 milhão anunciado", afirmou o ministro do Exterior da Macedônia, Nikola Poposki.

Steinmeier aproveitou a cúpula para reiterar o pedido para os governos dos Bálcãs ajudar a esclarecer junto aos seus cidadãos que eles não têm praticamente nenhuma chance de conseguir asilo na Alemanha.

Após a cúpula em Viena, a chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, afirmou que o bloco trabalha em novas propostas para uma política de refugiados comum. Entre as medidas está uma lista unificada de países considerados seguros.

"Não existe uma solução mágica", afirmou Mogherini, que ressaltou que a proteção do número cada vez maior de refugiados é um "dever moral e legal" da Europa.

CN/afp/rtr/dpa/epd/kna

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