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Migração

Países da UE não entregam verbas para crise migratória

Iniciativa de melhorar condições nos países de origem dos imigrantes esbarra no atraso no repasse de recursos pelos países europeus. Dos bilhões de euros prometidos, apenas alguns milhões chegaram.

Sob forte pressão por causa do grande número de refugiados que se deslocam para a Europa, a União Europeia (UE) tenta encontrar maneiras de lidar com a crise. Uma das opções é ajudar a melhorar a situação nos países de origem dos refugiados. Porém, as verbas para esse fim estão sendo repassadas de forma muito lenta, noticiou nesta quarta-feira (14/10) o jornal alemão Die Welt, citando declarações de membros do alto escalão da UE.

O dinheiro prometido durante a reunião extraordinária dos líderes europeus, em setembro, ainda não chegou, afirmou o jornal. Até agora, do 1,8 bilhão de euros prometido ao fundo fiduciário de emergência para a África, que lida com as causas da migração, apenas 24,3 milhões foram repassados. Destes, 8,9 milhões de euros vieram de países de fora da UE, como a Noruega e a Suíça.

Alemanha, assim como França, Reino Unido e Áustria, ainda não destinaram os recursos prometidos ao fundo africano. Segundo o Die Welt, a situação é semelhante nos repasses prometidos ao Programa Alimentar Mundial e ao fundo fiduciário para a Síria.

Desde a reunião de setembro, a Comissão Europeia disponibilizou 2,8 bilhões de euros para a assistência aos refugiados, sendo 500 milhões para o Programa Alimentar Mundial, outros 500 milhões para o fundo fiduciário para Síria e 1,8 bilhão para o fundo africano. Os países-membros se comprometeram a disponibilizar valores iguais.

A instalação dos chamados centros de registro de refugiados na Grécia e na Itália – os chamados hotspots – também anda devagar. Segundo o jornal, falta pessoal para trabalhar nos locais, uma vez que os Estados-membros da UE não cumpriram adequadamente o compromisso de enviar especialistas para realizar o registro dos migrantes.

Alemanha e Áustria estão entre os poucos países que cumpriram com essa obrigação. Os centros de registro de refugiados são um dos pré-requisitos para a redistribuição de imigrantes entre os países europeus.

O papel da Turquia

Antes de uma nova reunião dos líderes da UE, marcada para esta quinta-feira em Bruxelas, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, declarou que a Turquia, país através do qual muitos refugiados chegam à Europa, apenas poderá receber ajuda do bloco se realizar esforços para conter o fluxo migratório.

"Concessões apenas serão justificadas se esse objetivo for atingido", declarou Tusk em carta aos chefes de Estado e de governo da UE. Ele alerta que, mesmo que o fluxo de refugiados diminua durante o inverno, o continente deve se preparar para "ondas ainda maiores" quando a estação terminar.

Os líderes políticos das regiões de origem com quem ele conversou alertaram para milhões de potenciais novos migrantes. "O acesso excepcionalmente facilitado à Europa é um dos maiores fatores", argumentou Tusk.

O governo turco pede, em troca da ajuda, concessões para facilitar o acesso de seus cidadãos à Europa, além de progressos no processo de adesão do país ao bloco europeu.

RC/dpa/rtr/afp

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