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Mundo

Países da Otan dominam comércio mundial de armas

Ranking do Sipri apresenta poucas mudanças, mas indica maior participação de empresas de países emergentes, entre eles o Brasil. Indústria da Rússia vende mais em 2013, e EUA registram retração.

Durante anos praticamente não houve mudanças nos países de origem dos cem maiores fabricantes de armas do mundo. Quase todos vêm dos Estados Unidos, da Europa Ocidental e da Rússia. No entanto, segundo levantamento do Instituto Internacional de Pesquisas sobre a Paz de Estocolmo (Sipri), na Suécia, cada vez mais fábricas de outros países têm se destacado.

O levantamento foi divulgado nesta segunda-feira (15/12) e refere-se ao ano de 2013. Empresas da Turquia, da Índia, do Brasil, de Cingapura ou da Coreia do Sul estão entre as cem maiores fabricantes mundiais – ainda que a maioria, exceto duas da Índia e de Cingapura, apareça somente depois do 50º lugar.

"Isso tem a ver, sobretudo, com a vontade política de estabelecer uma capacidade de produção própria", afirma Aude Fleurant, responsável pelo estudo. "Brasil, Turquia e Coreia do Sul seguiram uma política claramente voltada a elevar a capacidade de produção de armas em seus próprios países."

Retração da indústria americana

Em linhas gerais, no entanto, o ranking elaborado pelo instituto não mudou. Segundo o levantamento, dois terços dos fabricantes estão sediados nos EUA ou em países-membros da Otan. E eles respondem por 84,2% das vendas em todo o mundo, que, no total, alcançaram 402 bilhões de dólares, queda de 2% em relação a 2012.

O relatório registra uma retração de 4,5% no volume de negócios das 38 empresas dos EUA que estão entre as 100 maiores. "Em sua maioria, trata-se de fabricantes de armas ou sistemas bélicos de grande porte, como navios de guerra, veículos militares, sistemas de mísseis e aeronaves. Além de fabricantes de peças para esses sistemas", explica Fleurant.

A elas unem-se empresas que oferecem serviços como logística, manutenção, treinamento ou ajuda técnica. Os principais motivos para a redução do faturamento são, sobretudo, a retirada das tropas americanas do Iraque e do Afeganistão e os cortes no orçamento do governo americano, segundo o Sipri.

Os efeitos da crise também são perceptíveis entre os parceiros da Otan. Fora poucas exceções, sobretudo a França, o volume de negócios na Europa Ocidental também caiu – ou, no melhor dos casos, manteve-se igual ao ano passado.

S-400 Triumf

Governo russo mantém investimento em modernização e armamento militar

Indústria russa de vento em popa

Por sua vez, a indústria bélica da Rússia celebra um aumento no número de pedidos. A empresa russa Tactical Missiles Corporation viu seu faturamento mais que duplicar em apenas um ano – um aumento de 118%, segundo relatório do instituto sueco. Somados, os faturamentos das empresas russas que aparecem na lista das cem maiores do mundo subiram 20%. "Isso ocorreu principalmente por conta do aumento dos gastos do governo", diz Fleurant.

Há anos o governo russo investe em modernização e armamento das forças de segurança, comprando principalmente da indústria local. "Se eles conseguirão financiar isso vai depender, principalmente, do preço do petróleo", afirma Michael Brzoska, diretor do Instituto de Pesquisas de Paz e Políticas de Segurança de Hamburgo, na Alemanha, comentando a difícil situação econômica da Rússia.

Para Brzoska, no entanto, as recentes sanções ocidentais impostas à Rússia não devem frear a política de armamento russa. "A crise na Ucrânia causa problemas maiores para a indústria armamentista russa", avalia. O especialista vê possíveis gargalos no abastecimento a empresas que dependem de entregas feitas pelo país vizinho.

"Com Donetsk as relações de abastecimento continuam, mas, com relação às fábricas que se encontram nas proximidades de Carcóvia [segunda maior cidade da Ucrânia, no leste do país], ainda não está claro como as coisas vão continuar."

China Militärparade

Empresas chinesas de armamento não aparecem entre as cem maiores por falta de informações confiáveis

Chineses fora da lista

Importante global player e segunda maior economia do globo, a China aparece fora do ranking das cem maiores fabricantes de armas do mundo. Mas isso não acontece por o país não ter empresas que poderiam figurar entre as maiores, mas simplesmente porque não há informações confiáveis disponíveis sobre a produção chinesa de armamentos.

A maioria das empresas chinesas aparece posicionada como fabricantes tanto para o mercado civil quanto para o militar, explica Fleurant, do Sipri. Com isso, fica impossível saber qual proporção vai para a produção civil e qual vai para a militar.

Brzoska estima que o governo chinês gasta entre 50 bilhões e 60 bilhões de euros com armamentos – dinheiro que vai para as fabricantes nacionais. "Se for considerado o volume, a China é provavelmente o segundo maior produtor de armamentos."

Também é crescente a presença das exportações chinesas no mercado internacional de armamentos. Bzroska calcula que elas cheguem a 3 bilhões de euros, com a participação chinesa voltada principalmente para nichos de mercado, com produtos simples. "Além disso, munição, armas pequenas e minas, ou seja, coisas que não são vendidas por outros países, porque são em parte banidas internacionalmente", afirma o especialista.

Para onde e para quem armas são vendidas são decisões políticas, tanto na China como em outros países, reforça Bzroska. "Esta não é uma indústria 'normal'. É uma indústria política, que depende em grande parte de decisões políticas."

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