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Mundo

Otan busca linha comum em crise do Leste Europeu

Aliança Atlântica quer poder reagir com mais rapidez e eficácia a novas ameaças originárias da tensão com Moscou. Alguns membros esperam que crise na região seja passageira e insistem numa orientação mais global.

A anexação da península da Crimeia – até então território ucraniano – pela Rússia transformou a Europa. Este é um ponto de vista compartilhado também pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), como ficou claro durante o encontro dos ministros da Defesa dos países-membros nesta terça-feira (03/06) em Bruxelas.

A cooperação com Moscou foi congelada e a aliança está até mesmo se preparando para uma agressão aos seus países-membros – uma possibilidade que há anos parecia fora de cogitação.

"Durante um período, a atuação responsável e construtiva da Rússia desempenhou um papel importante no estabelecimento da segurança e estabilidade no espaço euroatlântico", declarou o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen.

NATO Verteidigungsminister 03.06.2014 Brüssel

Secretário-geral Anders Fogh Rasmussen, criticou procedimento de Moscou

Hoje, no entanto, os russos voltam a ameaçar a Europa, prosseguiu Rasmussen, pois o país mostrou estar "disposto a empregar violência, a redefinir fronteiras, traçar novas linhas divisórias na Europa e a desestabilizar nações soberanas para perseguir suas metas geopolíticas".

Segundo ele, como consequência, a Otan precisa se tornar "mais eficaz, mais veloz e flexível", a fim de, por exemplo, poder reagir a uma rápida mobilização de tropas russas às fronteiras da aliança. Não haverá alterações no sistema de defesa coletiva, afirmou, e "nenhum aliado está só".

Solidariedade sem provocação

Em especial os membros da Otan na Europa Oriental que já estiveram sob domínio soviético – como Polônia, Romênia ou os Estados bálticos Estônia, Letônia e Lituânia – temem ser igualmente alvos de investidas russas. A Aliança Atlântica já reforçou a vigilância do espaço aéreo no Leste; e Alemanha, Polônia e Dinamarca pretendem reforçar o contingente da Corporação Multinacional do Nordeste na cidade polonesa de Estetino.

Porém os Estados Unidos foram mais longe: enquanto os ministros da Defesa se reuniam em Bruxelas, o presidente Barack Obama anunciava, durante visita à capital polonesa, Varsóvia, nesta terça-feira, todo um pacote de medidas de segurança para os Estados da Otan no Leste, incluindo o envio de soldados e consultores, assim como verbas de 1 bilhão de dólares.

Alguns desses países exigem, porém, que a organização estacione em caráter permanente unidades militares em seus territórios. Essa é uma iniciativa que a Otan vinha evitando, até agora, em consideração a Moscou, e que Washington e Berlim, entre outros, rejeitam.

A ministra alemã da Defesa, Ursula von der Leyen, declarou em Bruxelas: "Para mim é importante deixar claro que as preocupações de nossos parceiros no Leste também são as nossas preocupações, e que eles podem estar seguros de nossa solidariedade inabalável."

Para a política conservadora, o importante é a proporção certa de autoconfiança e sobriedade: por maior que a disposição de agir seja demonstrada, a Alemanha e outros países não desejam provocar a Rússia desnecessariamente. "A Aliança está interessada em parceria, não em confrontação", acentuou Von der Leyen.

Otan entre ação local e global

Acima de tudo, não é ponto pacífico entre os membros da Otan que o atual contexto de segurança tenha se modificado de forma permanente: muitos acreditam que a atual crise passará.

Baltikum NATO Militärübung

Otan realiza exercícios militares na região do Mar Báltico

O ministro britânico da Defesa, David Hammond, insistiu que o conflito da Rússia não seja motivo para a organização renunciar à nova orientação adotada nos últimos anos – com mais intervenções em crises internacionais, para além da pura defesa territorial no âmbito da aliança.

"Uma coisa não exclui a outra", comentou Hammond. "Precisamos estar aptos a reagir a todas as ameaças, quer partam do Leste, quer de Estados instáveis em qualquer parte do mundo, quer do terrorismo internacional."

Entretanto, a grande questão é como realizar tudo isso – sobretudo do ponto de vista financeiro, considerando-se que há anos a maioria dos países-membros vem reduzindo seu orçamento de defesa.

Por isso, tanto os EUA quanto Rasmussen têm pressionado incessantemente os governos nacionais para, por um lado, investirem mais nas Forças Armadas e, por outro, combinarem melhor os recursos militares disponíveis, a fim de evitar desperdícios. A crise da Ucrânia deverá reforçar essa pressão.

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