1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

OSCE debate impasse na Ucrânia

Ministros dos 55 países da OSCE se reúnem em Sófia, na Bulgária, para encontro de dois dias. Temas centrais são o impasse político na Ucrânia e a reforma da organização. Rússia faz duras críticas à postura do Ocidente.

default

O presidente da Bulgária, Georgi Parvanov, abriu o encontro

O impasse político na Ucrânia dominou a pauta do primeiro dia do 12º Encontro Ministerial dos países da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que vai até terça (07/12) em Sófia, na Bulgária. O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, e o ministro alemão das Relações Exteriores, Joschka Fischer, devem comparecer ao evento.

Antes mesmo do encontro, o ministro búlgaro das Relações Exteriores, Solomon Passy, saudara a repetição do segundo turno das eleições na Ucrânia. A decisão do Supremo Tribunal ucraniano, segundo ele, incentivará a democracia no país. "A OSCE está disposta a ajudar e enviará observadores para as eleições na Ucrânia", garantiu. A oferta foi confirmada pelo ministro holandês das Relações Exteriores e atual presidente do Conselho Europeu, Bernard Bot.

OSZE Außenministerkonferenz in Sofia Bulgarien

A oposição ucraniana pede, no entanto, que a organização dobre para dois mil o número de observadores a serem enviados ao país durante as eleições, marcadas para 26 de dezembro. Entretanto, Richard Murphy, porta-voz da OSCE, questiona que isso seja possível em virtude do curto prazo e da proximidade dos feriados de Natal.

Boris Tarasuk, porta-voz da oposição ucraniana, excluiu qualquer possibilidade de que o relatório final do encontro contenha uma declaração sobre a situação no país. "Algumas nações se opuseram", disse, referindo-se à Rússia. Todos os documentos da OSCE devem ser aprovados, sem exceção, pelos 55 membros.

Outro tema central será a função que a OSCE desempenhará no futuro. Os membros discutirão se a organização assumirá futuramente um papel maior na segurança internacional, ou se sua função será reduzida apenas à manutenção dos direitos humanos, como almeja a Rússia.

Rússia critica Ocidente

Não é a primeira vez que a organização envia observadores eleitorais. Desta vez, no entanto, a postura da OSCE e o trabalho dos observadores foram duramente criticados pela Rússia, que alega influência negativa nas eleições presidenciais. Segundo Alexei Borodavkin, embaixador russo para a OSCE, a organização deveria reestruturar completamente tais missões. "O objetivo deveria ser ajudar e apoiar, em vez de criticar dura e muitas vezes injustamente."

Segundo ele, os observadores da OSCE empregam diferentes critérios para missões no Oeste e no Leste. Além disso, observadores russos seriam freqüentemente rejeitados por não falarem inglês, e russos que trabalharam para o governo seriam raramente bem-vindos.

A Rússia encara a Moldávia, a Geórgia e a região do Cáucaso como sua área de influência. A maioria dos Estados da OSCE, no entanto, quer que a região caminhe rumo à democracia, ao que Borodavkin reage com severas críticas. A seu ver, a OSCE deveria ser reformada urgentemente e concentrar suas forças em regiões que a Rússia considera importante. Moscou ameaça até reduzir futuramente as verbas destinadas à OSCE. Estados Unidos e União Européia, no entanto, não querem se deixar levar.

OSZE Außenministerkonferenz in Sofia Bulgarien

Ministro búlgaro das Relações Exteriores, Solomon Passy (centro), seus colegas holandês, Ben Bot (d), e esloveno, Dimitri Rupel

O chefe de Estado russo, Vladimir Putin, também criticou a interferência européia. Segundo ele, o Oeste trata os países da ex-União Soviética como colônias. Putin salientou não querer que a Ucrânia se divida em ocidental e oriental, tal como a Alemanha, "em seres de primeira e segunda classe". Ele criticou o papel do Ocidente, que chamou de "um tio bom, porém severo", que "diz aos homens de segunda classe, aqueles com a pele política escura, como eles devem viver razoavelmente".

Europa se empenha por solução política

A OSCE se empenha para que a cisão na Ucrânia seja reparada no âmbito político. Mas as frontes permanecem duras. O atual chefe de Estado, Leonid Kutchma, exige que quaisquer mudanças do Direito Eleitoral sejam acompanhadas de alterações da Constituição. A oposição, no entanto, não aceita as reformas, que diminuiriam consideravelmente o poder do presidente.

Espera-se que uma decisão seja tomada ainda nesta segunda-feira em uma mesa-redonda com mediadores internacionais. Kutchma garante que o governo não renunciará sem a reforma da Constituição e aconselha seu candidato, o vencedor contestado Viktor Yanukovych, a não disputar outra vez a presidência.

Quanto à redistribuição dos 15 cargos da Comissão Eleitoral exigida pela oposição, apenas poucas mudanças serão feitas. Assim, as três reformas exigidas pela oposição – alteração do Direito Eleitoral, substituição da Comissão Eleitoral e renúncia do governo – permanecem indeferidas.

Segurança máxima

Para assegurar o bem-estar dos participantes no encontro da OSCE, milhares de policiais foram enviados de todo o país à capital búlgara. Na estrada que leva ao aeroporto, foram instalados postos policiais a cada 20 metros e, do telhado do edifício onde ocorre o encontro, o antigo Palácio da Cultura, policiais de elite supervisionam os arredores.

O tráfego aéreo para aviões de pequeno porte foi proibido e os habitantes da capital foram dispensados do trabalho na segunda e na terça-feira. A imprensa búlgara chamou Sófia de "capital proibida".

Leia mais