Os vazamentos da Lava jato | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 22.03.2017
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Brasil

Os vazamentos da Lava jato

Em três anos, operação foi marcada pela divulgação de provas e acusações que estavam sob sigilo. Muitas tiveram grande impacto político.

O episódio da condução coercitiva do blogueiro de esquerda Eduardo Guimarães e a divulgação de nomes da segunda lista de Janot são novos capítulos da novela de vazamentos que contornam o sigilo de vários procedimentos da operação Lava Jato. Confira abaixo alguns dos vazamentos que marcaram a operação, que completou três anos neste mês:

Setembro de 2014 - Depoimento de Paulo Roberto Costa

A revista Veja publicou reportagem informando que Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, revelou em depoimentos ao Ministério Público Federal (MPF) que três governadores, seis senadores, um ministro e, pelo menos, 25 deputados federais foram beneficiados com pagamentos de propinas. O caso irritou o então governo Dilma Rousseff, que classificou o episódio como uma tentativa de influenciar as eleições.

Outubro de 2015 - As contas de Eduardo Cunha

A imprensa publicou indícios de que o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), recebeu propina por meio de contas na Suíça. A acusação contradisse um depoimento dado por Cunha à CPI da Petrobras em que ele negou ter contas no exterior. O peemedebista já vinha acusando o Ministério Público de orquestrar vazamentos seletivos contra ele. Não seria a última vez que Cunha faria a reclamação.

Novembro de 2015 - Delação de Cerveró

Uma gravação feita pelo filho de Nestor Cerveró apontou que trechos da delação premiada do ex-diretor da Petrobras estavam em poder do banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, que temia que o envolvimento do seu banco com desvios na Petrobras fosse revelado. Na gravação, o filho de Cerveró, o ex-senador Delcídio do Amaral e um advogado discutem quem pode ter vazado o documento.

Fevereiro de 2016 - Mandados contra Lula

O blogueiro pró-PT Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, publicou que o ex-presidente Lula teve o sigilo bancário quebrado pela Operação Lava Jato. O blog também afirmou que o petista ia ser alvo de um mandado de busca e apreensão, algo que efetivamente ocorreu uma semana depois. Procuradores reclamaram da publicação e falaram que o vazamento foi prejudicial. Também ameaçaram processar os responsáveis pelo vazamento. Em marco de 2017, Guimarães foi conduzido coercitiva mente para a PF para confirmar o nome de sua fonte.

Março de 2016 - A delação de Delcídio do Amaral

A revista Istoé publicou uma edição com a delação do ex-senador Delcídio Amaral (ex-PT). No documento, o ex-líder do governo Dilma Rousseff implicava o ex-presidente Lula em uma tramoia para comprar o silêncio de um ex-diretor da Petrobras que ameaçava colaborar com a Justiça. Delcídio também acusou Dilma de agir para proteger pessoas envolvidas nos desvios da Petrobras. A publicação da reportagem irritou o então relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki. O episódio acabou resultando em pressão para que o ministro homologasse logo a delação e ajudou a desmoralizar ainda mais o governo Dilma.

Março de 2016 - A superlista da Odebrecht

A imprensa publicou uma lista de 200 políticos de 18 partidos que teriam sido beneficiados com recursos da Odebrecht As planilhas foram apreendidas durante a 23.ª fase da investigação que teve como alvo o casal de marqueteiros João e Mônica Santana. Após a publicação, o juiz Sérgio Moro determinou que a lista fosse colocada em sigilo em função de nela constarem pessoas com foro privilegiado.

Agosto de 2016 - Citação de Dias Toffoli

A revista Veja publicou reportagem em que aponta que o nome do ministro Dias Toffoli, do STF, foi citado por delatores da empreiteira OAS. O vazamento levou a suspensão das negociações do acordo de delação. O caso levou outro ministro do STF, Gilmar Mendes, a defender uma investigação sobre os próprios investigadores da Lava Jato.

Setembro de 2016 - Ministro da Justiça fala demais.

O então ministro da Justiça Alexandre Moraes fez uma "insinuação" de que a Operação Lava Jato teria novos desdobramentos para uma plateia de ativistas antipetistas em Ribeirão Preto (SP). "Esta semana vai ter mais", disse. Um dia depois, o ex-ministro Antonio Palocci, um político petista de Ribeirão, foi preso pela operação. O caso levou a questionamentos sobre o monitoramento da operação por figuras do governo de Michel Temer.

Dezembro de 2016 - A primeira delação da Odebrecht

No início de dezembro, jornais publicaram a delação do ex-executivo da Odebrecht, Cláudio Melo Filho. No documento, Melo fez acusações contra o ministro Eliseu Padilha, um dos homens de confiança de Michel Temer, afirmando que ele era um arrecadador de recursos do PMDB. Melo também afirmou que o próprio Temer pediu recursos para a Odebrecht. O procurador-geral, Rdorigo Janot, afirmou que iria investigar o vazamento.


Março de 2017 - A segunda lista de Janot

Vários nomes da "segunda lista de Janot" foram publicados pelos principais veículos de imprensa brasileiros. A lista consiste em pedidos de inquérito feitos pela PGR com base nas delações da Odebrecht. Entre eles estão seis ministros do governo Temer, os ex-presidentes Lula e Dilma, e vários senadores do PSDB. Segundo a ombudsman do jornal Folha de S.Paulo, os nomes foram vazados por procuradores em uma espécie de "coletiva de imprensa em off" para jornalistas. Janot negou a acusação.

 

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