1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Esporte

Os outros recordes de Sochi

Gastos que podem superar 50 bilhões de euros, mudança na paisagem, megaesquema de segurança e forte controle antidoping. Jogos de Inverno de 2014 surpreendem com números que vão muito além do esporte.

As competições dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi já começaram, mas antes mesmo de sua abertura oficial, na última sexta-feira (07/02), o evento já estava cercado de controvérsias: custos exorbitantes, abusos ambientais, violações dos direitos humanos e alertas de terrorismo.

Poucos veem os Jogos sob uma perspectiva positiva. E a esperança do governo russo é de que os êxitos esportivos, momentos emocionantes, anfitriões amigáveis e torcedores eufóricos possam de alguma forma melhorar essa imagem.

As notícias anteriores ao início dos Jogos se repetem, a cada quatro anos, assim como os Jogos Olímpicos de Inverno. Fala-se em recordes nos custos do evento, no número de participantes e nas performances esportivas. A extensão dos gastos com Sochi é gigantesca.

Mudança na paisagem

Nos Jogos de Inverno de Vancouver (2010), por exemplo, os organizadores tiveram um orçamento de 5,5 bilhões de euros. Em Sochi, nos oito anos de preparação, os números já superavam a marca de 37,5 bilhões. Estima-se que, ao fim do evento, os custos totais cheguem a mais de 50 bilhões de euros.

A quantia se justificaria pela necessidade de transformar um resort subtropical em instalações para esportes de inverno. Se esses gastos serão de fato úteis ou não, já é outra história. A cidade está localizada na mesma latitude do balneário de St. Tropez, na Riviera francesa. No inverno, as temperaturas raramente ficam abaixo dos três graus em Sochi.

O parque olímpico em Sochi. Os custos com os Jogos devem chegar a 50 bilhões de euros

O parque olímpico em Sochi. Os custos com os Jogos devem chegar a 50 bilhões de euros

As instalações de esqui estão localizadas no distrito de Krasnaka Poliana, a 40 quilômetros em linha reta do balneário de Sochi, 600 metros acima do nível do mar. Até pouco tempo atrás havia apenas um teleférico para esquiadores, sem que houvesse qualquer pista de esqui.

Todas as instalações tiveram de ser construídas, juntamente com uma ampla rodovia e uma ferrovia que cortam a floresta. A maioria dos novos projetos está localizada no Parque Nacional de Sochi, uma reserva natural com status de Patrimônio Mundial da Humanidade.

Uma parte valiosa da paisagem foi destruída também com a construção de depósitos de lixo nas montanhas, que afugentaram vários animais, como os ursos. A natureza teve que abrir caminho para os Jogos Olímpicos. Em razão das obras, um vilarejo próximo a Sochi teve o fornecimento de água potável interrompido e passou a receber entulho.

Medo de ataques terroristas

As forças de segurança estão em alerta desde os atentados da cidade de Volgogrado, em dezembro de 2013, que deixaram 34 mortos. A autoria dos ataques foi assumida, através de um vídeo, por membros de um grupo extremista do Daguestão. A Rússia quase triplicou o número de policiais e soldados, para 100 mil homens.

"Através das inspeções, baterias antimísseis nas montanhas e das tecnologias de informação disponíveis, as autoridades transformaram os Jogos em uma verdadeira fortaleza", observa em entrevista ao jornal russo Novaya Gaseta o especialista americano em segurança Michael McCaul.

O governo dos Estados Unidos havia, desde o início, oferecido ajuda a Moscou, e estacionou dois navios militares próximos à costa ucraniana, em águas territoriais russas no Mar Negro. A bordo das embarcações estarão cerca de 600 membros da Marinha americana.

Apesar dos vários alertas americanos sobre a possibilidade de atividades terroristas, o presidente Barack Obama declarou que considera os Jogos de Sochi seguros. "Em nenhuma circunstância vamos alertar nossos cidadãos para que não participem desse grandioso evento", declarou o presidente ao canal de notícias CNN.

Questões de direitos humanos

Outro tema bastante discutido em relação aos Jogos de Sochi se refere aos direitos humanos. Leis que restringem o direito dos homossexuais causaram inúmeras reações negativas em todo o mundo.

Outra polêmica, ainda que com menor repercussão, foi levantada por uma reportagem da rede de televisão alemã ARD, que denunciou que milhares de trabalhadores estrangeiros vindos da Ásia Central foram sistematicamente explorados, e privados de seus pagamentos.

O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, reagiu e disponibilizou 6,1 milhões de euros para o pagamento dos contratos temporários. No entanto, especialistas não acreditam que esse dinheiro chegará de fato aos trabalhadores, já que muitos deles sequer possuem conta bancária.

Miilhares de trabalhadores estrangeiros em Sochi poderão ficar sem receber pagamento

Miilhares de trabalhadores estrangeiros em Sochi poderão ficar sem receber pagamento

Quanto à polêmica em relação aos homossexuais, Bach lembrou aos jornalistas em Sochi que a orientação sexual é um dos princípios da carta antidiscriminação da entidade. "Somos contra qualquer forma de exclusão", declarou recentemente o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Putin afirmou que os homossexuais que estiverem em Sochi durante os Jogos Olímpicos poderão ficar tranquilos. No entanto, pediu que as crianças "sejam deixadas em paz".

Números impressionantes

Atitudes mais sensíveis de Putin tiveram destaque na mídia poucas semanas antes dos Jogos. Ele libertou prisioneiros, incluindo as integrantes da banda Pussy Riot e seu principal adversário político, o ex-magnata do petróleo Mikhail Khodorkovsky.

Além disso, foi designado um local para protestos durante os Jogos Olímpicos, a aproximadamente 12 quilômetros do centro das competições. Mas apenas os protestos acordados com antecedência poderão se realizados no local.

Muitos políticos já haviam anunciado que não iriam comparecer à cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno. Entre eles, os presidentes dos EUA, Barack Obama, da França, François Hollande, e o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron. Da Alemanha, o presidente Joachim Gauck e a chanceler federal, Angela Merkel, também não estarão presentes. Ainda assim, outros 60 chefes de Estado foram a Sochi.

Em termos esportivos, Sochi tem motivos de sobra para se orgulhar. Aqui parece valer o antigo lema olímpico Altius, citius, fortius – mais alto, mais rápido, mais longe.

O COI expandiu as modalidades, incluindo seis novas, como salto em esqui para mulheres, competições de esqui no half-pipe para homens e mulheres, uma etapa mista no biatlo e competições por equipe no trenó e na patinação artística.

O esquiador Eric Frenzel é uma das esperanças de medalha da Alemanha

O esquiador Eric Frenzel é uma das esperanças de medalha da Alemanha

Serão entregues 98 medalhas de ouro em Sochi, o que também é um novo recorde. Outro número inédito é o de países participantes, que somam 86. Os exames de doping também serão feitos em maior número em Sochi, chegando a 2.453.

Esse último caso pode ser um tanto inoportuno, após a denúncia de um caso de doping de uma atleta russa do biatlo e da descoberta de uma nova substância de dopagem por um cientista russo.

Um milhão de visitantes

Cerca de 13 mil jornalistas estão credenciados para a cobertura dos Jogos Olímpicos de Inverno. O número de leitos em hotéis, segundo dados oficiais, é de 40 mil. O ministro dos Esportes da Rússia, Vitali Mutko, calcula que Sochi deverá receber mais de um milhão de visitantes.

Outro número de grandes proporções é o que se refere ao trajeto da tocha olímpica até Sochi, carregada por 65 mil quilômetros em 83 regiões da Rússia. Foi uma viagem espetacular: a chama esteve nas profundezas do lago Baikal, no polo norte e até na estação espacial ISS.

Espera-se, no entanto, que o fato de a tocha olímpica ter sido apagada e reacendida diversas vezes em sua longa jornada por terra, água e espaço não seja um mau sinal para uns Jogos que, mesmo antes de começarem, já despertavam desconfiança.

Leia mais