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Mundo

Os obstáculos para uma grande coalizão contra o "Estado Islâmico"

Depois dos ataques em Paris, Moscou e o Ocidente ensaiaram uma aproximação de paralelos históricos para combater o "Estado Islâmico". O abate de um jato russo pela Turquia põe em dúvida se uma coalizão é mesmo possível.

Esta semana, François Hollande tem uma importante missão com mediador. Após os atentados em Paris, que mataram 130 pessoas, o presidente francês procura novos aliados na luta contra os terroristas do "Estado Islâmico" (EI). Ele já se encontrou com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, com o presidente americano, Barack Obama, e com a chanceler federal alemã, Angela Merkel.

Nesta quinta-feira (26/11), ele se reúne primeiro com o chefe de governo italiano, Matteo Renzi, antes de voar para Moscou. Para muitos analistas, o verdadeiro foco está voltado para o Reino Unido, Estados Unidos, França e Rússia – seria concebível uma aliança militar dos quatro países, como ocorreu há 70 anos, mas desta vez para combater o "Estado Islâmico" (EI)?

Rússia procura paralelo histórico

Nos últimos tempos, a liderança russa demonstrou seu desejo de uma ação comum ao lado dos parceiros ocidentais no combate aos terroristas e também de um tribunal militar internacional, no modelo de Nurembergue. Assim se expressou, por exemplo, a presidente do Conselho da Federação Russa, a câmara alta do Parlamento em Moscou, Valentina Matviyenko, ao falar dos 70 anos do Processo de Nurembergue.

Konferenz von Jalta 1945

Conferência de Yalta, em 1945

Na última sexta-feira, Viktor Oserov, presidente do Comitê de Defesa no Conselho da Federação, declarou que não se deve hesitar tanto sobre uma coalizão anti-EI, como foi o caso da abertura da frente ocidental na Segunda Guerra Mundial. A frente ocidental, no jargão russo "segunda frente", foi chamada de Operação Overlord e marcou o desembarque dos Aliados na Normandia, em 1944.

Paralelos históricos em relação à época em que, ao lado das potências ocidentais EUA, França e Reino Unido, a União Soviética tomou nas mãos o destino da Europa são muito bem-vindos em Moscou. "A Rússia tenta voltar ao cenário político internacional. Os atentados em Paris foram uma motivação adicional e, do ponto de vista russo, uma oportunidade para dar esse passo", diz o historiador e especialista em Europa Oriental Gerhard Simon.

Agora o presidente Hollande chega a Moscou. Uma aliança incluindo a Rússia – que também foi vítima de um atentado do EI contra um avião de passageiros no dia 31 de outubro, em que morreram 224 pessoas – faz todo o sentido do ponto de vista de Paris. E até há pouco os sinais para isso não eram ruins.

O que muda agora com o abate do caça SU-24?

Depois dos atentados de 13 de novembro os russos escreveram em suas bombas: "Por Paris", e Putin ordenou pessoalmente que os militares russos vissem a França como um parceiro e coordenassem todas as ações referentes à Síria com os franceses.

No entanto, o abate do jato militar do tipo Sukhoi Su-24 na fronteira sírio-turca torna uma aliança entre a Rússia e o Ocidente muito mais complicada e menos provável, calculam especialistas. "Certamente, o abate da aeronave não vai melhorar as chances de uma verdadeira coalizão de guerra", explica Simon.

Türkei Syrien Kampfjet Russland Abschuss Grenzgebiet

Abate de caça russo dificulta grande coalizão contra o EI

O ministro do Exterior da Rússia, Serguei Lavrov, cancelou um encontro previsto para esta quarta-feira com seu homólogo turco. Na televisão russa, porém, continua-se falando da França como um "país excepcional", que, como a Rússia, empreende uma "verdadeira" guerra contra o EI. "Acho que devemos atacar alvos comuns determinados por nosso Ministério da Defesa, devemos coordenar ações e análises conjuntas, como nos velhos tempos. Esse seria o cerne da coalizão", declarou, por exemplo, o especialista militar russo Igor Koroshenko. Da mesma forma se expressou Maxim Yusin, colunista do jornal Kommersant: apesar da "sabotagem" do lado turco, deve-se "continuar o diálogo com François Hollande e outros parceiros ocidentais."

Velhas divergências

Mas ainda existem outros obstáculos no caminho da aliança entre a Rússia e o Ocidente. Em relação à Síria, as posições já são claras há muito tempo: enquanto Putin vê o regime Assad como um aliado, Hollande o classifica como um "carrasco do próprio povo".

"Os interesses dos candidatos a parceiros de coalizão são explicitamente opostos", explicou à DW Gerhard Simon: "Militarmente, a Rússia trabalha em prol de Assad; os países ocidentais, principalmente a França e os Estados Unidos, querem justamente o contrário. E será nessa oposição que prevejo o fracasso de tal coalizão". A perspectiva de uma coalizão anti-EI com a inclusão da Rússia é vista por Simon como "altamente questionável".

O diretor do Centro Carnegie em Moscou, Dimitri Trenin, também permanece cético. Pelo Twitter, Trenin explicou que uma coalizão entre Moscou e França não é vista com bons olhos em Washington: "EUA/Otan não vão permitir que a França vá muito longe na direção de uma verdadeira aliança com a Rússia", tuitou Trenin.

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