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Cultura

Os músicos que chegam com os raios do sol

Quando as temperaturas começam a subir, com a chegada da primavera, despontam na Alemanha também os músicos do Leste da Europa, que alegram as ruas e calçadões com suas excelentes performances.

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Músicos ucranianos tocam numa cidade alemã

Desde a derrocada da União Soviética, verdadeiras multidões de músicos profissionais do Leste Europeu buscam as grandes cidades alemãs nos meses quentes do ano, para ganharem a vida como músicos ambulantes. Vindos de São Petersburgo, Kiev ou Volgogrado, acompanhados de seus acordeões, violinos, clarinetas ou saxofones, eles impõem pausas ao ritmo apressado dos passantes, nos calçadões dos centros comerciais. O público, num misto de admiração e compaixão, recompensa as excelentes performances com aplausos e moedas sonantes.

Falta de oportunidades para músicos

O mercado de trabalho no setor da música sofreu consideravelmente nos países da ex-União Soviética, com a queda da Cortina de Ferro. O número de orquestras, óperas e concertos diminui constantemente, um grande número de músicos profissionais ficou desempregado. Não é raro encontrar no calçadão de uma cidade alemã tocadores de acordeão capazes de executar de cor, por exemplo, difíceis peças de Vivaldi ou o movimentado Tico-tico no Fubá.

Vladimir Popolzin é um desses artistas. Ele lecionava no Conservatório de Barnaul, na Sibéria, e regia a orquestra da cidade de 650 mil habitantes. Até que o dinheiro encurtou e a orquestra foi perdendo qualidade. Ouvindo dizer que na Alemanha dava para ganhar um bom dinheirinho como músico ambulante, Vladimir solicitou pela primeira vez um visto de turista em 1994. Depois de viajar quase uma semana de trem e ônibus, chegou finalmente à região de Frankfurt, onde começou a tocar pelas ruas.

Graças ao virtuosismo com que executava seu repertório clássico, logo chamou a atenção de aficionados da música, que lhe arrumaram alojamento e possibilidades de se apresentar em festas e salões paroquiais, onde arrancava aplausos entusiásticos dos presentes.

Mas um visto de turista permite apenas a permanência por três meses. Por isso Vladimir costuma passar a maior parte do tempo em Barnaul, criando novas composições e ensaiando, juntamente com sua esposa, Irina, para as próximas viagens em direção ao oeste. Irina também toca acordeão e tem acompanhado o marido de uns anos para cá.

Esperança de um visto de artista

O maior problema para muitos dos músicos profissionais do Leste é justamente o visto de turista, que não permite o exercício de uma atividade profissional. Os artistas só podem aceitar doações. Para poder cobrar ingressos em suas apresentações, eles necessitam de um visto de artista, que não é fácil de obter.

A família Popolzin, da qual faz parte ainda a filha Natasha, de 17 anos, já conseguiu vencer esse obstáculo. Uma pequena agência obteve um visto desse tipo para os três e agendou alguns concertos. Para se tornarem mais conhecidos, eles pretendem participar com maior freqüência de concursos internacionais. O começo é animador: no concurso realizado em Castelfidaro, conhecido centro de fabricação de acordeões na Itália, os Popolzin se classificaram em primeiro lugar na categoria de jazz.