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Alemanha

Os eternos estudantes alemães

Nas universidades alemãs, circulam dois milhões de estudantes. Segundo o padrão internacional, eles concluem a graduação em “idade avançada”, com 29 anos em média. Estudar, no país, é sinônimo de um certo estilo de vida.

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Universitários alemães: vida confortável anos a fio

Enquanto em outros países a maioria dos estudantes deixa a universidade com 20 e poucos anos, iniciando aí a vida profissional, os alemães, em média, esquentam os bancos das instituições de ensino superior até os 29 anos. Até então, 20% deles trocam pelo menos uma vez de curso e cerca de 16% interrompem temporariamente os estudos.

Afinal, estudar, na Alemanha, significa mais do que se dedicar aos livros. Para boa parte dos freqüentadores das universidades, mais importante que leituras e provas é investir na própria formação. Isso pode significar viajar mundo afora para conhecer de perto outras culturas ou mesmo passar dias divagando com amigos em mesa de bar.

Sono, café e amigos

Coffee-Bar

Horas gastas nos cafés de estudantes

No país, desenvolveu-se, a partir dos anos 60 e 70, uma verdadeira “cultura estudantil”. Acorda-se tarde, cura-se a ressaca da festa do dia anterior com um bom café e encontra-se com os amigos para um descontraído bate-papo. O que importa, em primeiro plano, é delinear um estilo de vida diferenciado daquele aprendido na casa dos pais.

Se nos anos 50 os universitários alemães ainda se mantinham disciplinadamente confinados às bibliotecas, foi a década de 60 que revolucionou o ambiente acadêmico, criando uma nova imagem do estudante no país. Este passou a ter como meta se libertar das estruturas conservadoras da sociedade e, principalmente, da casa paterna.

Auto-afirmação, liberdade e mobilidade

O sociólogo Waldemar Vogelsang, um dos fundadores do grupo de pesquisa Juventude, Cultura e Mídia, estuda há anos o comportamento dos jovens do país. Mesmo que de forma menos acentuada que nas décadas de 60 e 70, Vogelsang ainda vê na auto-afirmação um dos principais marcos da juventude atual.

“Nossas pesquisas empíricas mostram que há hoje um meio tipicamente estudantil, caracterizado pela liberdade e mobilidade. Não se pode, contudo, confundir essa liberdade com o que seria uma geração hedonista”, observa Vogelsang.

Corte do cordão umbilical

Studentenwohnheim

Quarto em alojamento estudantil

Da mesma forma como nas gerações anteriores, o jovem atual vê neste estilo de vida estudantil um corte do cordão umbilical que o ligava ao lar paterno. Ter a própria casa, organizada – ou desorganizada – à própria maneira está entre as prioridades do jovem, que tem nas “repúblicas de estudantes” a forma preferida de moradia.

“Nestas repúblicas, o jovem pode exercitar uma nova forma de socialização, diferente daquela que conhece na família. Ele tenta quebrar as estruturas clássicas do convívio, tanto no que diz respeito às diferenças entre os sexos, quanto em relação à hierarquia que separa as gerações. É a oportunidade de viver de forma completamente diferente. Uma maneira de socialização guiada pelas próprias escolhas e não obedecendo regras impostas pelos outros”, analisa Vogelsang.

Isso sem contar as vantagens práticas que a condição de estudante traz no país: altos descontos no uso das redes de transporte, seguros de saúde a preços baixos, tarifas especiais em passagens aéreas, entre outros.

Fim de festa

Lernende Frau

Crise econômica deve levar à concentração?

Diga-se de passagem, este adorável mundo estudantil alemão pode estar chegando ao fim. Com a crise econômica que assola o país e uma taxa de desemprego que atinge as 4,7 milhões de pessoas, também os recém-formados enfrentam sérias dificuldades em encontrar trabalho. Por essas e por outras, o estudante alemão, acostumado à tradição de uma década de “vida fácil”, pode ter que apertar os cintos.

“Porém, os jovens de hoje sabem que, sem um diploma universitário, fecham-se muitas possibilidades profissionais na sociedade contemporânea. Ao contrário do que acontecia com as gerações de estudantes de 20 ou até mesmo dez anos atrás, há hoje uma procura maior por cursos de especialização e um abandono da vida política, que só toma importância esporadicamente”, acredita Vogelsang.

Afinal, encontrar um emprego tende a se tornar uma tarefa cada vez mais difícil. Por isso, é provável que o estudante bonachão venha a ser obrigado a acordar mais cedo, tomar rapidamente seu café, se debruçar sobre os livros e ir se despedindo aos poucos das regalias de sua vie de bohème.

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