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Mundo

Os ecos da guerra

O conflito no Iraque foi um dos assuntos predominantes na mídia mundial neste fim de semana (22-23). Entre a crítica e a defesa da guerra, a imprensa não deixou de comentar o fracasso da diplomacia.

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Imagens noturnas dos ataques a Bagdá

De Morgen (Bélgica): "Este ataque e esta guerra não são voltados apenas contra o Iraque, mas também contra todo o ideal de uma comunidade mundial, dentro da qual os conflitos entre os países-membros só são resolvidos pela violência em casos de emergência. E, mesmo assim, somente com o aval do Conselho de Segurança. Com sua posição unilateral, os EUA trituraram esse ideal, provocaram um imenso racha diplomático no mundo ocidental e acabaram por acentuar ainda mais o antiamericanismo no mundo islâmico."

Al-Ahram (Egito): "As discussões e brigas diplomáticas chegaram ao final, e a guerra de bombas e mísseis começou. Durante a última reunião do Conselho de Segurança, boicotada pelos ministros do Exterior dos EUA e do Reino Unido, a ONU foi enterrada como promotora da paz. Pois algumas horas mais tarde, o presidente norte-americano Bush daria as primeiras ordens de ataque ao Iraque, sem levar em consideração a legitimação do direito internacional. Com isso, a chave para a solução de conflitos na nova ordem mundial passa a se chamar poder militar."

El País (Espanha): "Estamos diante de um tipo de guerra que só os EUA são capazes de conduzir, com ataques em massa e munições de enorme precisão, fruto da tecnologia de ponta. Provavelmente não saberemos, até que a guerra acabe, ou mesmo então, o saldo de vítimas desta guerra totalmente assimétrica."

Adevarul (Romênia): "Parece que o desaparecimento do perigo imediato do comunismo destruiu também todos os propósitos do Ocidente de negociar com parâmetros multilaterais."

Politika (Sérvia): "Como há quatro anos, quando começou a nossa tragédia, passa-se ao largo do Conselho de Segurança. E, se isso acontece uma vez, pode acontecer mais tarde, acarretando o preço de um extermínio completo da autoridade das Nações Unidas. A grande diferença entre a posição sérvia de então e a iraquiana de hoje é que antigamente nós éramos os únicos a perceber o grau da arrogância norte-americana. Hoje, até mesmo os aliados mais próximos e parceiros dos EUA são capazes de senti-la."

The Independent (Reino Unido): "As intermináveis transmissões da guerra do Iraque pela TV provocam uma impressão equívoca de claridade, como se realmente pudéssemos ver com nossos próprios olhos - ou através dos olhos dos especialistas - o que está acontecendo ali. Porém, na realidade, grande parte dos programas são preenchidos com especulações ou imagens nebulosas da guerra. Tudo o que sabemos realmente é que alguns soldados e civis iraquianos foram mortos e que áreas de Bagdá estão em chamas. A fumaça ainda não se dissipou o suficiente para que possamos perceber o efeito total dos terríveis ataques aéreos norte-americanos."

Kommersant (Rússia): "Assim fica então a coalizão anti-Iraque: logo atrás dos EUA e do Reino Unido, correm o Afeganistão e a Albânia, Etiópia e Eritréia, El Salvador e Macedônia, Estônia, Letônia e Lituânia. Esse grupo é indiferente à paz, vendo apenas a hegemonia mundial dos ricos e poderosos. Sua lógica é: por que somente uma superpotência deveria ganhar com a guerra no Iraque? Deve sobrar um pouco também para a galeria de seguidores. Assim nasceu uma 'coalizão das almas mortas' e dos aliados baratos, que se vendem à propaganda da postura americana no Iraque."

La Repubblica (Itália): "Durante o avanço até Bagdá, começa-se a descobrir a verdade: este não é um conflito militar, mas o maior laboratório experimental do mundo, no qual se ensaia a doutrina da guerra preventiva como instrumento da hegemonia norte-americana em nível mundial. A invasão sem resistência (...) é um experimento histórico, no qual se experimentae pela primeira vez todos os elementos da futura hegemonia."

Gazeta Wyborcza (Polônia): "Saddam Hussein escolheu a guerra. Ele decidiu defender seu domínio déspota sobre o último cidadão do Iraque. Toda guerra é uma infelicidade, significando vítimas, sofrimentos, morte. Deve-se lembrar, no entanto, do que se trata nesta guerra. Esta é uma guerra contra um regime déspota, que coloca não só o povo iraquiano, mas também todo o mundo em perigo. Um regime que tortura e mata seu próprio povo, além de financiar atos terroristas em todo o mundo."

Ar-Riad (Arábia Saudita): "Mesmo considerando que os iraquianos odeiam Saddam Hussein, eles não irão amar aqueles que estão jogando estas bombas devastadoras sobre suas cabeças. Os iraquianos - não importa a qual grupo religioso ou étnico pertencem - vão voltar sua raiva contra os invasores, resistindo. Quem pensa que os iraquianos não vão lutar, não entende nada da psique deste povo."

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