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Brasil

Os dois lados da "democracia dos apelidos"

Enquanto praticamente todos os jogadores na Copa do Mundo têm seus sobrenomes estampados nos uniformes, o mundo se vê obrigado a treinar a pronúncia nasal para dar conta de tantos "inhos" na equipe brasileira.

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Ronaldinho: diminutivo na boca do mundo

Ao contrário de outros times, os brasileiros no campo são conhecidos por seus apelidos ou, na melhor das hipóteses, por seus prenomes. Se estivessem fora do Brasil, Ronaldinho, Cicinho e Juninho teriam provavelmente em suas camisetas os pomposos sobrenomes Moreira, Cezare e Reis.

Na história do futebol brasileiro, são poucos os jogadores que se tornaram famosos usando seus sobrenomes. Por acaso alguém conhece o senhor Bledorn Verri? Provavelmente não, mas Dunga certamente sim. O mesmo a dizer de Manoel dos Santos, o velho Garrincha, e de Artur Antunes Coimbra, o Zico.

Dos sobrenomes duplos aos apelidos

WM 2006 Brasilien Robinho

Robinho, um entre os vários 'inhos'

"Em sua fase incial, após chegar a São Paulo, em 1894, o futebol foi extremamente elitista e racista", conta Mauricio Murad, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e pesquisador do Núcleo de Sociologia do Futebol.

Segundo ele, "uma característica deste período foi justamente o uso de sobrenomes duplos, que identificavam não somente riqueza, mas tradição. Quando começou a ser democratizado e se popularizar, após os anos de 1920 e 1930, uma série de barreiras impostas pelos preconceitos sociais de então começaram lentamente a cair. Primeiro, como consequência de um processo de mudanças históricas. Segundo, para facilitar a participação dos jogadores pobres e sem escolaridade que chegavam aos clubes".

Para Murad, "o uso só do prenome ou do apelido era um elemento facilitador para aqueles atletas analfabetos ou semi-alfabetizados". A insistência no uso dos prenomes e apelidos pode ser vista, de acordo com o sociólogo, como "um dado de resistência às tensões da época, entre exclusão e inclusão, que, aliás, marcam toda a nossa história, em todos os níveis".

Estranhamento além das fronteiras

Gustavo Kürten aus Brasilien

Gustavo Kürten: Guga, não só para os íntimos

Fato é que o volume de "inhos" na seleção brasileira provoca até hoje, fora do país, um estranhamento constante. Especialmente para um alemão, é inconcebível a idéia de que personalidades públicas sejam tratadas simplesmente por seus prenomes ou apelidos. Principalmente quando se leva em consideração que os brasileiros têm, em relação a vários outros países, nomes muitíssimo longos, com dois prenomes e dois sobrenomes.

No Brasil, há de se notar, o jogo com o nome alheio ultrapassa as fronteiras do campo de futebol. Lembre-se que o tenista Guga é Gustavo Kürten, Maguila é Adilson Rodrigues e até o treinador da seleção de vôlei, o nada baixinho Bernardo da Rocha Rezende, acabou se tornando Bernardinho.

Não só no mundo do esporte

Lula unter Druck

Luiz Inácio da Silva: Lula veio mais tarde

A admiração do estrangeiro geralmente aumenta ainda mais quando se explica que no Brasil a avalanche de apelidos vai além do mundo do esporte e chega até às esferas da política, por exemplo, como no caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Revirando a memória, percebe-se que tratar presidentes por apelidos não é uma história que começou ontem. João Goulart, deposto pelo golpe militar de 1964, era simplesmente conhecido como Jango.

Outra peculiaridade brasileira é transformar presidentes simplesmente em uma combinação de letras. Falar em Cardoso no Brasil significaria arriscar a receber de volta um ponto de interrogação na cara do interlocutor. Já de FHC o país ainda se lembra. O mesmo valendo para o velho JK.

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