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Ciência e Saúde

Os desafios de higiene pessoal para astronautas

Fraldões, toaletes com cintos, "banho de gato", urina reciclada: mesmo numa estação espacial de ponta como a ISS, o dia a dia está longe do glamour e aventura dos filmes de ficção científica.

Em 1969, a caminho da Lua, Russell Schweickart, um dos astronautas da Apollo 9, ainda tinha que urinar num saco plástico preso ao corpo. Uma válvula semelhante a um preservativo permitia que ele esvaziasse a bexiga em plena gravidade zero. A retirada da "camisinha", porém, ocasionalmente resultava numa grande sujeira.

O motivo principal era, acima de tudo, a vaidade masculina: como o dispositivo existia em três tamanhos, movidos por certa megalomania, da primeira vez os astronautas escolhiam, em geral, o tamanho maior. "É um erro que só se comete uma vez", comentou Schweickart após sua aterrissagem na Lua.

Fazer as necessidades fisiológicas no espaço sideral é bem mais fácil hoje em dia. Um moderno sanitário concede até mesmo breves momentos de privacidade. Ainda assim, a higiene pessoal permanece um dos grandes desafios quotidianos a bordo de uma estação espacial.

Durante sua permanência na estação Mir, o astronauta alemão Reinhold Ewald esbarrou frequentemente nos próprios limites em termos de higiene. "Não é nada aconselhável para os ultrassensíveis", adverte.

Banho de gato no espaço

Para sequer conseguirem permanecer sentados no toalete espacial, os cosmonautas têm que usar um cinto de segurança. A forte pressão negativa no vaso permite que se aliviem despreocupadamente, contornando a falta de gravidade. Durante as missões externas, por outro lado, o jeito é apelar para o fraldão.

Space Toilet ISS

Apertem os cintos: sanitário da ISS

As reservas de água a bordo são reduzidas, e os custos de transporte, elevados. Por isso a urina é processada e novamente oferecida aos tripulantes como água potável. Também o suor que evapora e a água de banho são reutilizados, revela Rupert Gerzer, especialista em saúde do Centro Aeroespacial Alemão (DLR, na sigla original).

As fezes, por sua vez, são empacotadas a vácuo e descartadas como resíduo. A lata de lixo da Estação Espacial Internacional (ISS) é uma cápsula Soyus: quando está cheia, é lançada em órbita, para incandescer na atmosfera terrestre.

O maior desafio higiênico, porém, é a umidade constante. "Numa estação espacial, microorganismos e fungos crescem muito mais rápido do que na Terra", conta Gerzer. Por isso, são regularmente tiradas amostras de superfície e do ar, a fim de detectar a tempo uma eventual proliferação de bactérias.

Também para evitar umidade, os astronautas não têm o privilégio de uma ducha completa. Com algumas gotas d'água, eles esfregam o corpo e lavam o cabelo. "É mais como um banho de gato", compara o astronauta Ewald. E mesmo isso é uma exceção: na maioria das vezes, eles têm que se contentar em passar pelo corpo uma toalha úmida, previamente preparada.

Prazer nas pequenas coisas

A escassez de recursos também afeta o vestuário dos tripulantes siderais. Como lavar roupa implicaria um assalto às reservas d'água, toda a roupa usada vai parar no lixo. "Assim, no cosmo é comum a gente usar a roupa de baixo um dia a mais do que faria na Terra", brinca Reinhold Ewald.

Reinhold Ewald

Astronauta alemão Reinhold Ewald não esquece primeiro banho quente depois de voltar à Terra

Além desse cuidado meticuloso com a higiene corporal apesar da limitação de recursos, os astronautas precisam atentar para a inevitável debilitação física decorrente da falta de movimento. O alemão recorda que a regeneração celular demorava mais do que o normal a bordo da ISS: "Certa vez tive uma espinha na testa, e ela simplesmente não queria ir embora."

Em contrapartida, mesmo em condições higiênicas menos do que satisfatórias, é relativamente rara a irrupção de doenças realmente graves. "O risco é, na verdade, menor do que na Terra", comenta Gerzer, do DLR. "Mas também quando um germe se manifesta, é muito mais difícil reagir."

Depois de tantas restrições diárias, um verdadeiro banho após a missão no cosmo constitui prazer inigualável para todo astronauta. Ewald não se esquece do primeiro banho quente de banheira, depois de retornar da Mir. "A pressão sanguínea ainda estava meio abalada, mas a sensação foi mesmo fantástica."

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