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Alemanha

"Os coturnos se tornaram desnecessários"

Em entrevista à DW-WORLD, o ex-neonazista Matthias Adrian comenta a adoção de visual "light" pelos extremistas de direita e denuncia que a mídia vem esquecendo o problema ainda presente entre os jovens do país.

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Extremistas de direita: mudança de visual e disseminação discreta

Segundo os dados do Departamento Nacional de Proteção à Constituição na Alemanha, grupos neonazistas continuam atraindo um bom número de jovens no país. Entre 1997 e 2000, Matthias Adrian pertenceu à organização jovem da facção de extrema direita NPD, tendo organizado, no Estado de Hessen, eventos públicos e manifestações neonazistas.

Ao abandonar a organização em 2000, distanciou-se da ideologia de extrema direita. Atualmente, participa da Associação Exit em Berlim, que auxilia jovens a deixar o extremismo de direita.

Matthias Adrian vom Neonazi-Aussteigerprojekt EXIT

Adrian: de neonazista a opositor ativo da extrema direita

Em entrevista à DW-WORLD, Matthias Adrian fala sobre o novo visual e as novas formas de comportamento adotadas pelos extremistas de direita na Alemanha, aponta que estes vêm abandonando a subcultura skinhead caracterizada por carecas e coturnos militares, em prol de um estilo enganoso "do skinhead bonzinho que ajuda idosos a atravessar a rua".

DW-WORLD: Como você vê a mudança de comportamento dos jovens de extrema direita? Aparentemente, para ganhar novos adeptos, eles parecem se distanciar, aos poucos, da velha imagem de carecas e coturnos.

Adrian: Esta mudança de imagem do movimento de direita é perceptível: um abandono da subcultura skinhead e a aproximação de padrões "normais". Nos anos 90, quando skinhead virou sinônimo de extrema direita, militantes de direita consideraram as "zonas nacionais liberadas" do Leste alemão como "novas áreas conquistadas". Estas tinham que ser controladas com uso da violência, enquanto outras subculturas jovens eram subjugadas e oprimidas. Para isso, era necessário haver aqueles jovens fortes com jaquetas de aviador de guerra.

Mas hoje, em muitas regiões do Leste alemão, como por exemplo em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, há locais onde estes "inimigos" não existem mais. Assim, as jaquetas de aviador se tornaram desnecessárias. Hoje, esses extremistas vão em busca de uma nova imagem, do tipo "nazista bonzinho que mora ao lado", que é extremista de direita, mas até ajuda idosos a atravessar a rua.

E desta forma vão sendo aliciados novos adeptos?

Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no Leste alemão, ter uma posição política extrema ou, pelo menos, achar normal a opinião de extrema direita já é comum. Neste sentido, uma mudança já aconteceu. O extremismo de direita nem é mais proscrito. Atualmente, considera-se, em parte, que seja uma postura política tão normal quanto qualquer outra.

O extremismo de direita ainda se concentra principalmente nos Estados da ex-Alemanha Oriental?

Infelizmente temos que encarar o fato de que estas estruturas podem ser também claramente encontradas na parte ocidental do país, porém não com a mesma intensidade que no Leste. Mesmo em Hessen, de onde venho, e em todo o Vale do Rio Reno, estes agrupamentos neonazistas estão se instalando.

Na maioria dos vilarejos de cinco a sete mil habitantes, há dois ou três jovens extremistas. Parece pouco. No entanto, quando eles vão a uma Festa do Vinho na região, cerca de 80 jovens, dos diversos vilarejos vizinhos, se encontram.

E, de repente, em plena festa, forma-se um grupo considerável de jovens ligados ao movimento de extrema direita, dispostos a cometer atos violentos. Isso pode intimidar outros jovens que não se vestem como os radicais de direita ou aqueles que têm origem estrangeira. Fica difícil se livrar do assédio.

Então a reunião de muitos jovens extremistas de direita poderia se tornar um problema.

Os grupos de "camaradas" estão por aí se espalhando cada vez mais. Mesmo no Vale do Rio Reno nos últimos anos surgiu uma situação esquisita. A rede de "camaradagens" no Oeste do país, mesmo quando estas não são explicitamente neonazistas, assemelha-se à do Leste. E se estas formações se alastrarem ainda mais, logo teremos uma situação de crise. Acho terrível que um problema destes não seja levado a sério pela opinião pública. Às vezes me sinto como um "guerreiro no deserto".

Saiba mais sobre a mudança de estratégia do movimento na página seguinte.

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