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Economia

Os casos Bayer, Bosch e ThyssenKrupp

Por que estas multinacionais foram escolhidas para o estudo? Sindicalistas destas empresas falam dos principais problemas de relacionamento.

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Pedro Henrique: Estudo já melhorou relações com ThyssenKrupp

Não foi à toa que Bayer, Bosch e ThyssenKrupp foram selecionadas para a pesquisa do Observatório Social. Além de projeção internacional, elas têm em comum a fraca organização de seus trabalhadores e os sindicatos estavam interessados em superar a deficiência.

Segundo Odilon Luís Faccio, coordenador do Observatório, deu-se prioridade para sindicatos que tivessem utilidade concreta para o estudo e casos em que os resultados pudessem ser visíveis num prazo de três anos. Por fim, por razões financeiras de viabilização da pesquisa, pesou também a quantidade de unidades da empresa pelo país e a distância entre elas.

E assim Volkswagen, DaimlerChrysler (Mercedes) e BASF ficaram de fora. Nas três empresas, a organização dos trabalhadores está avançada. Na DaimlerChrysler, por exemplo, os sindicatos participam ao lado da direção da empresa da escolha dos fornecedores. Não só aspectos econômicos, mas também sociais e trabalhistas são observados na seleção. Por outro lado, os líderes sindicais da diferentes bases da Bayer nem se conheciam.

EDSON LUIZ DE BARROS Gewerkschaft, Gewerkschafter, Bayer, Veranstaltung Wie verhalten sich deutsche Unternehmen in Brasilien, in Düsseldorf, am 29.09.2003

Édson Luiz: Acidentes de trabalho não são comunicados na Bayer

Bayer – A inexistência de comissões de fábrica é apontada pelo sindicalista Édson Luiz de Barros como a importante deficiência na subsidiária brasileira do conglomerado químico. Mas só esta. Segundo ele, os acidentes de trabalho não são comunicados ao sindicato, que igualmente não tem acesso a seus relatórios. As empresas nacionais têm melhor postura neste assunto, diz Édson Luiz.

Bosch – O relatório sobre a empresa ainda não está pronto, mas, após ter visitado várias unidades da multinacional na Alemanha, o sindicalista Wilson José Farias diz ter identificado grandes diferenças na prática empresarial nos dois países.

Segundo ele, no Brasil o sindicato é sempre o último a saber das decisões da empresa, como a recente transferência de uma unidade de São Paulo para Campinas, afetando a vida de mil funcionários, que têm de escolher entre desemprego e mudar-se junto. Na Alemanha, os representantes dos trabalhadores são bem informados, embora mesmo assim nem sempre consigam impedir medidas com que não concordam.

WILSON JOSÉ FARIAS Gewerkschaft, Gewerkschafter, Bosch, Veranstaltung Wie verhalten sich deutsche Unternehmen in Brasilien, in Düsseldorf, am 29.09.2003

Wilson Farias: "No Brasil, novas tecnologias significam sempre demissões"

Wilson Farias conclui também que enquanto no Brasil a implementação de novas tecnologias significa sempre demissões, no país da matriz há negociação e retreinamento de pessoal. Fora isto, na Alemanha as condições de saúde e segurança no local de trabalho são "quase perfeitas".

ThyssenKrupp – Para o sindicalista Pedro Henrique Correa Filho, mesmo que o relatório do estudo não aponte haver discriminação racial e de sexo na companhia, "constata-se que as mulheres recebem menos e os negros fazem o trabalho braçal". O líder trabalhista pondera, entretanto, que "isto não é necessariamente culpa da Thyssen, mas reflexo da sociedade brasileira, embora a empresa possa dar sua contribuição para mudar".

Pedro Correa acrescenta que a realização da pesquisa do Observatório Social já mudou a relação do sindicato com a empresa.

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