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Mundo

Os aviões da discórdia

Apoio militar à Turquia gera briga entre governo e oposição na Alemanha. Liberais recorrem à justiça para forçar decisão parlamentar sobre as tripulações dos aviões de reconhecimento AWACS.

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A bordo de um avião AWACS - participação de soldados alemães é questionada

A participação alemã no apoio militar à Turquia durante a guerra no Iraque provocou uma briga política interna na Alemanha. Enquanto o governo ameaça chamar de volta os soldados que tripulam aviões de reconhecimento AWACS da OTAN, em caso de uma invasão turca no território iraquiano, os partidos de oposição dizem que isso enfraqueceria a Organização do Tratado do Atlântico Norte.

"É impossível retirar os soldados alemães que participam das atividades da aliança militar sem prejudicar a OTAN", disse o especialista em política externa do Partido Democrático Cristão (CDU), Friedbert Pflüger, ao jornal "Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung". "Seria um sinal devastador para a OTAN", afirmou o deputado Werner Hoyer, do Partido Liberal (FDP). "A Alemanha não pode tomar uma decisão unilateral. Se a Turquia entrar na guerra, a decisão sobre o destino dos AWACS cabe à OTAN", advertiu o presidente da União Democrática Cristã (CSU), Edmund Stoiber.

O FDP entrou com uma petição no Tribunal Federal Constitucional e propôs a realização de uma sessão extraordinária do Parlamento, para dar uma base jurídica ao apoio militar alemão à Turquia. Na sexta-feira (21), a bancada do governo (SPD e Verdes) rejeitou uma proposta dos liberais para dar uma autorização parlamentar à atuação dos AWACS. Segundo o governo, as atividades dos tripulantes alemães desses avisões, que vigiam o espaço aéreo turco, tem o respaldo legal dos compromissos assumidos pela Alemanha com a OTAN.

"Caso a Turquia entre na guerra do Iraque, haverá uma nova situação que, de acordo com a política que defendemos há meses, conduzirá à retirada dos soldados alemães dos aviões AWACS da OTAN", declarou o ministro alemão das Relações Exteriores, Joschka Fischer, no sábado, depois de uma reunião do gabinete de segurança em Berlim.

Informações sobre a suposta entrada de mil soldados turcos no território curdo do norte iraquiano, veiculada pela CNN Turca, geraram confusão na Europa, no sábado (22). Enquanto as Forças Armadas em Ancara desmentiram a notícia, o ministro inglês da Defesa, Geoff Hoon, disse ter conhecimento da presença de um "pequeno número" de soldados turcos na região. Representantes dos curdos não confirmaram a suposta invasão.

Hoon disse que o número de soldados correspondia a uma unidade da polícia de fronteira. A Turquia teria garantido a Londres que se tratava apenas de uma ação de vigilância para impedir uma instabilidade na região fronteiriça. "Enquanto se restringir a ações limitadas, vemos a presença militar turca no norte do Iraque com tranqüilidade", declarou o ministro inglês.

A CNN Turca havia noticiado, na sexta-feira (21), que soldados e tanques de proteção do tipo M-113, teriam partido da cidade fronteiriça de Cukurca e cruzado a fronteira norte do país vizinho. Segundo informações da emissora, eles deveriam preparar a chegada de outras unidades do Exército, destinadas a combater o proibido Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

Quadro inalterado - Uma invasão turca no Iraque teria conseqüências também para a Alemanha. Por isso, Berlim reagiu com uma reunião extraodinária do gabinete de segurança, de que participaram o chanceler federal Gerhard Schröder, e os ministros da Defesa, Peter Struck, do Interior, Otto Schily, e das Relações Exteriores, Joschka Fischer. "O governo federal tratou intensamente da questão de uma possível entrada da Turquia na guerra. Pelas informações do Serviço Federal de Informações (BND), até o momento, não há mudanças substanciais quanto à presença de tropas turcas no norte do Iraque", diz um comunicado oficial divulgado no sábado (22).

Fontes do serviço secreto alemão informaram que não há indícios de uma ampliação da área de influência militar turca no norte do Iraque. Unidades do Exército turco estão estacionadas desde 1991 na região fronteiriça do Iraque. No começo de 2003, este contigente foi aumentado para quatro mil soldados, com a missão de defenderem a fronteira e cuidar dos refugiados.

Negociata - Pressionada pelos Estados Unidos, a Turquia liberou, na noite de sexta-feira (21), dois corredores aéreos para aviões militares norte-americanos que atacam o Iraque. Em contrapartida, o Parlamento e o governo em Ancara queriam o apoio dos EUA a um avanço das tropas turcas no norte iraquiano. No final das negociações, o ministro turco das Relações Exteriores, Abdullah Gül, disse que "todos os problemas com os EUA" estavam resolvidos: "Soldados turcos irão ao norte do Iraque", completou.

Gül declarou que seu país está decidido a entrar em território iraquiano, para conter uma eventual onda de refugiados e, principalmente, para impedir qualquer tentativa dos curdos iraquianos de se separarem do Iraque. Até agora, no entanto, não teria ocorrido nenhuma turca no Iraque, garantiu Gül, no sãbado à noite, ao secretário-geral da OTAN, George Robertson.

A criação de um país curdo no norte iraquiano poderia ressuscitar o movimento separatista curdo no sudeste da Turquia. Washington rejeita os planos de Ancara, por temer uma guerra paralela entre turcos e curdos.

Ameaça - "Se a Turquia se tornar parte envolvida na guerra, a situação muda para nós", declarou o ministro alemão das Relações Exteriores, Joschka Fischer. Ele disse que, nesse caso, os soldados alemães que tripulam aviões de reconhecimento AWACS da OTAN, encarregados de vigiar o espaço aéreo turco durante o conflito no Golfo, seriam retirados da Turquia. "Nós não participaremos da guerra", reafirmou Fischer.

A oposição em Berlim aproveita as notícias contraditórias vindas da Turquia para exigir uma autorização parlamentar, permitindo a atuação da tripulação alemã dos AWACS na Turquia.

O secretário-geral da CDU, Laurenz Meyer, acusou o governo de ser "ambíguo" em sua política para o Iraque. "Condena o procedimento das tropas dos EUA , mas, no plano militar, faz exatamente o que os norte-americanos exigem".

Já os tripulantes alemães dos AWACS prevêem um envolvimento em combates para breve, segundo informa o jornal Welt am Sonntag, mencionando uma carta enviada pelo capitão Klaus Rennings a parlamentares em Berlim. "Os soldados, em breve, participam de ações de guerra, sem uma decisão parlamentar e sem que haja uma base constitucional que lhes dê segurança jurídica", escreveu Rinnings.

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