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Alemanha

Os aliados dos EUA no norte do Iraque

Apesar das rivalidades, os diversos clãs de curdos que vivem no norte do Iraque vêem na guerra uma chance para concretizarem o sonho de um país independente.

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Curdos, um povo sem pátria

Os curdos vivem numa vasta região situada na confluência das fronteiras do Iraque, Irã e Turquia, além de pequenas faixas na Síria e na Armênia. São ao todo aproximadamente 36 milhões, dos quais 15 milhões vivem na Turquia.

Na Turquia, o proibido Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), principal grupo separatista, abandonou a luta armada em fevereiro de 2000, atendendo a um apelo de seu líder, Abdullah Ocalan, que havia sido condenado à morte em 1999. Vítimas de diversas guerras entre os países da região e de perseguições dos governos de Ancara e de Bagdá, milhões de curdos encontram-se refugiados na Europa Ocidental, principalmente na Alemanha.

No norte e noroeste do Iraque, vivem cerca de três milhões deles, todos praticamente soldados natos, pois conhecem conflitos desde que nasceram. Seja contra a Turquia, contra o Iraque ou contra clãs rivais. Desde a última guerra no Golfo, em 1991, os que vivem do lado iraquiano gozam de ampla autonomia numa zona de segurança protegida por aviões norte-americanos.

Kurden

Milícias curdas no norte do Iraque

Mesmo assim, os dois principais clãs – que se intitulam partidos, chefiados por Jalal Talabani e Masud Barsani –, passaram vários anos digladiando-se entre si, seja por terras ou por dinheiro. Muitas dessas lutas foram travadas graças ao dinheiro de Saddam Hussein, já que as sanções impostas pelas Nações Unidas ao Iraque obrigavam Bagdá a conceder aos curdos de seu país 13% das receitas oriundas da exportação de petróleo. Além disso, cobravam um "pedágio" de 500 dólares dos caminhões que contrabandeavam diesel barato para a Turquia.

Aliados dos EUA contra Saddam

Há cinco anos, os Estados Unidos conseguiram impor um cessar-fogo entre a União Patriótica do Curdistão e o Partido Democrático do Curdistão. Hoje, vêem nos dois clãs aliados para derrubar o regime de Bagdá. Calcula-se que entre eles haja uns 50 mil rebeldes armados. Com a iminência da invasão do Iraque, os dois lados se uniram em torno do sonho comum de um Estado independente. Organizaram, inclusive, uma "sessão parlamentar" que elaborou um projeto de constituição para o pós-guerra.

Perto de Halabdja, numa ponta do território curdo que ultrapassa a fronteira do Irã, vive um terceiro grupo, espalhado provavelmente por dezenas de aldeias. Nesta região, onde há 15 anos Saddam Hussein matou milhares de pessoas usando gás tóxico, há cerca de mil guerrilheiros curdos islâmicos. Até pouco tempo, eles se denominavam "soldados do islã", mas abrandaram o nome para "ajudantes do islã". Este grupo dispõe de armas mais modernas - suspeita-se que financiadas pelo Irã – e em suas fileiras também há afegãos de origem árabe.

Kurde hört Kurzwelle

O curdo Khamoo Haji, 52, ouve rádio numa caverna no norte do Iraque

Embora sejam responsabilizados por diversos atentados contra líderes de grupos rivais, também têm força política. Nas eleições municipais, há três anos, conquistaram a maioria dos votos. Por seu lado, o secretário norte-americano de Estado, Colin Powell, vê neste grupo a ligação entre Saddam Hussein e os terroristas do Al Qaeda.

Acordo para tempos de paz

Outro grupo do norte do Iraque são os turcomenos. Por suas ligações étnicas com os turcos, são protegidos pelo governo de Ancara. Como minoria étnica – provavelmente em torno de um milhão de pessoas – sempre estiveram entre as frentes de batalha curdo-iraquianas. Os turcomenos são maioria em Kirkuk, o principal centro econômico do norte do Iraque.

Como na região entre Kirkuk e Mossul fica um dos maiores campos de petróleo do país, quem assumir o controle desta parte do país depois da guerra não terá preocupações financeiras. Mas também para os curdos esta região tem valor histórico, porque a consideram o "coração do Curdistão". Entrementes, Saddam Hussein conseguiu atrair mais árabes para a cidade, incentivando ao mesmo tempo o banimento das outras duas etnias.

Para evitar disputas pelo poder na região após o fim da guerra, norte-americanos, turcos e curdos chegaram a um acordo. O plano consiste na distribuição uniforme do petróleo e na criação de uma comissão independente para vigiar o retorno dos refugiados.

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