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Estudar na Alemanha

Os alemães também têm seu orkut

Não é apenas no Brasil que os jovens encontram novas formas de se relacionar pela internet. O studiVZ começou a ganhar popularidade entre os estudantes em 2006 e se tornou o maior site de relacionamentos na Alemanha.

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Logotipo da comunidade online studiVZ

"Um dia, uma amiga me mostrou um site na internet e disse: 'você tem que entrar também!' Fiquei curiosa para saber o que era, pois todos os meus colegas da faculdade só falavam disso."

Foi através da propaganda boca a boca no campus que Nadine Glage, estudante de Agronomia da Universidade de Bonn, conheceu o StudiVerzeichnis (studiVZ), hoje o mais popular site de relacionamentos para universitários em língua alemã. Em seu diretório estão catalogadas 3 mil instituições de ensino superior na Alemanha, Suíça e Áustria.

StudiVZ-Benutzerin

A estudante Nadine Glage, da Universidade de Bonn

Há quase um ano usuária do site, Nadine acessa o studiVZ de três a quatro vezes por semana para mandar mensagens a seus contatos, disponibilizar novas fotos e obter informações sobre provas.

Segundo os criadores do site, "o objetivo da plataforma é instituir a cultura de redes sociais nas instituições de ensino superior européias e superar barreiras interuniversitárias. Queremos diminuir a anonimidade nas universidades".

Rede de amizades

O que começou em outubro de 2005 como um projeto de Ehssan Dariani, um estudante de Economia da Universidade de St. Gallen, na Suíça, hoje conta com um escritório em Berlim com 120 funcionários e 3 milhões de usuários ativos. No studiVZ existem cerca de 800 mil grupos de discussão sobre temas variados, desde "vou de bicicleta para a universidade" até "pró-aquecimento global".

Além da busca tradicional pelo nome e sobrenome do estudante, é possível procurar usuários por cadeiras na universidade. Por exemplo, quem freqüenta o curso "Introdução às novas teorias sociológicas" tem acesso ao perfil de outros estudantes com quem divide a sala de aula.

"Encontrei muitos amigos da época da escola através do site. Trocamos e-mail e telefone, mas não chegamos a nos encontrar na vida real. Eles moram em outras cidades e já faz muito tempo que não nos vemos", conta Nadine.

Para Dominik Hegenberg, também estudante da Universidade de Bonn, o número de amigos na lista dos usuários é "inflacionário". "Pessoas com quem nunca troquei uma palavra na escola me encontram depois de anos no studiVZ e querem me adicionar às suas listas de amizade. Normalmente não aceito, pois 'amigo' para mim tem outro significado", diz o estudante. A partir de casos como o de Dominik surgiram no site grupos como "tenho mais amigos no studiVZ do que na vida real".

Por outro lado, o estudante vê no site uma forma de travar contatos com quem ele não tem a chance de conhecer melhor pessoalmente. "Pelo perfil do usuário no studiVZ você descobre muitas coisas sobre pessoas que até já conhece de alguma festa na vida real", diz o estudante.

Criado nos moldes do site americano Facebook, o studiVZ é um serviço gratuito. Ao contrário das organizações estudantis na Alemanha nos anos 60, o site não tem cunho político e não trata apenas de assuntos acadêmicos. "Criei grupos de estudo através do studiVZ, mas, quando marcamos um encontro, acabamos só bebendo cerveja", conta Nadine.

O mundo se torna pequeno

StudiVZ - Screenshot

O studiVZ lançou também versões para a França, Polônia, Itália e América Latina

Se é duvidável a teoria de Stanley Milgran de que através de seis laços de amizade é possível ligar duas pessoas quaisquer no planeta, os sites de relacionamento muitas vezes conseguem comprová-la. Não são poucos os estudantes que recorrem ao studiVZ para conferir se existe algum amigo em comum entre eles e aquela pessoa atraente que apareceu algum dia na biblioteca.

Torsten Kleinz, jornalista especializado em internet e autor do blog Real Life, vê o crescimento do fenômeno como uma necessidade. "As universidades na Alemanha cresceram tanto que se tornaram instituições de massa onde os estudantes pouco se conhecem. Quando querem trocar idéias é necessário que haja outros meios além do campus, e as redes sociais servem para encontrar estes contatos, relacioná-los e organizá-los", diz o especialista.

Segundo Kleinz, o fenômeno está apenas em seu estágio inicial de desenvolvimento e as pessoas estão começando a aprender a usar as redes sociais na internet. "Antigamente, as pessoas tinham cartões de visita. Hoje, as redes sociais criadas a partir de sites de relacionamento são parte essencial da vida de cada um", explica.

StudiVZ ou StasiVZ ?

Quase ninguém passa despercebido no studiVZ. A possibilidade de relacionar uma foto com um usuário faz com que qualquer um saiba o que ele fez, com quem estava, que lugares freqüentou. Por isso, muitos estudantes fazem o trocadilho com a Stasi (Staatssicherheit), o serviço secreto da antiga Alemanha Oriental.

Para Torsten Kleinz, muitos estudantes não se preocupam com os dados que disponibilizam na internet. "As pessoas precisam se adaptar a esse novo tipo de mídia e aprender que suas declarações na rede podem ter muito mais conseqüências do que uma conversa inofensiva na vida real", diz Kleinz.

Segundo o jornalista, o studiVZ e outros sites de relacionamento, como studylounge.de, go2uni.de, campusfriends.de, stayfriends.de, são uma forma mais fácil de travar contatos e de manter amizades, mas podem trazer conseqüências negativas mesmo na esfera profissional.

Apesar da exposição, Nadine vê o studiVZ de forma positiva. "Acho o site muito engraçado e útil. Dá para ver fotos e trocar informações. Não sou obrigada a aceitar a amizade ou responder as mensagens de quem não conheço", diz Nadine. "E no meu perfil só escrevo informações sobre mim que eu quero."

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