Os 75 anos de Bob Dylan, um dos maiores ícones do rock | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 24.05.2016
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Cultura

Os 75 anos de Bob Dylan, um dos maiores ícones do rock

O "maior cantor sem voz do mundo" passou por várias fases, desde o início como astro do folk até o renascimento criativo, no fim dos anos 90. Incontestáveis são sua criatividade e um lugar entre os grandes da música pop.

Já se disse sobre ele que é "o maior cantor sem voz", em mais uma tentativa inútil de explicar o fenômeno Bob Dylan. Outra, também frustrada, é o aposto "cantor de rock e folk". São definições que ficam muito aquém do que ele faz e não descrevem um artista que consegue se desvencilhar dos clichês e rótulos antes de eles colarem nele. Dylan se reinventa antes que os críticos consigam categorizá-lo.

Quanto mais ele muda, mais define sua identidade. A metamorfose é o fator mais constante. A primeira reviravolta radical surpreendeu os fãs já em 1965, no Newport Folk Festival. Dylan estava prestes a entrar para a história da música como um ícone do folk e das canções de protesto quando ligou seu violão a um amplificador elétrico e colocou uma banda de rock completa no palco.

Os fãs, absolutamente irritados, encararam o show como uma traição ao folk e o vaiaram. Mas a transformação de ícone do folk em artista de rock rendeu os melhores álbuns da carreira de Dylan. São dessa fase Bringing it all Back Home, Highway 61 Revisited, com o clássico Like a Rolling Stone, e Blonde on Blonde.

Até o festival de Newport, a carreira de Dylan havia transcorrido sem grandes percalços. Ainda com o nome de batismo Robert ("Bobby") Allen Zimmerman, o jovem de família judaica de Duluth, Minnesota, começou a tocar, ao piano ou violão, o rock dos anos 50 em bandas da escola.

A paixão pelo nascente movimento folk veio em 1959, durante os estudos em Minneapolis. Compositores itinerantes, como Woody Guthrie, ou cantores ativistas de esquerda, como Pete Seeger, tornaram-se mais importantes para ele que pioneiros do rock, como Little Richard e Gene Vincent.

O grande nome do folk

Bob Dylan e Joan Baez na Marcha pelos Direitos civis nos EUA em 1963

Ao lado de Joan Baez, Dylan se firmou como referência entre os movimentos por direitos civis nos Estados Unidos

No início dos anos 60, o jovem Bob Dylan foi parar no Greenwich Village, na efervescente Nova York, onde chamou a atenção de Joan Baez. Já famosa, ela o levou consigo, em turnê. Dylan não apenas agarrou a chance de tocar para públicos maiores como se firmou como um dos nomes do crescente movimento de protesto graças a canções como Masters of War, Blowing in the Wind e A Hard Rain's a-Gonna Fall.

Em Washington, ele esteve ao lado de Baez na marcha pelos direitos civis de 1963. Aos poucos, Dylan deixou a sombra de sua mentora e aumentou sua influência na cena pop, lançando clássicos como The Freewheelin' Bob Dylan e The Times They Are a-Changin'. Para a revista Newsweek, ele era tão importante para a música pop quanto Albert Einstein para a física.

Anos difíceis e inconstantes

Após um acidente de moto no verão de 1966, Dylan se retirou da vida pública, abandonou a contracultura e foi morar com a esposa, Sara Lowndes, e os filhos perto de Woodstock, no estado de Nova York. Quando a vizinhança recebeu o festival mais importante do século, em 1969, o pioneiro do rock e do pop, assim como os Beatles e Rolling Stones, não estava no palco.

A pausa significou também a libertação de uma agenda cansativa e de uma vida doentia como músico de rock. Dylan ficou sete anos afastado dos palcos, mas não deixou de gravar e lançar discos. Ele voltou a fazer uma turnê em janeiro de 1974 e, ao final dela, sua relação com Sara estava estremecida. A inevitável separação do casal rendeu um dos melhores discos da carreira de Dylan, Blood on the Tracks, lançado no final daquele ano.

A década de 1970 veria ainda um outro grande álbum de Dylan, Desire, lançado em 1976. De um modo geral, porém, foi uma década difícil e instável para ele, que culminou numa certa estagnação criativa a partir do fim da década e na conversão ao cristianismo. A mudança de religião, mais uma vez, despertou a ira e provocou uma debandada de fãs.

Em retrospectiva, também a década de 80 começou com saldo negativo: discos fracos, problemas com alcoolismo, apresentações caóticas. Mas a década também trouxe momentos positivos, como o segundo casamento, o sucesso comercial com o grupo Traveling Wilburys e o início da longa turnê Never Ending Tour, com cem shows por ano desde 1988 e até hoje.

Para muitos fãs e críticos, o marasmo artístico só acabou mesmo com Time Out of Mind, lançado em 1997. Considerado um dos melhores discos de Dylan, ele iniciou um retorno à velha forma e foi sucedido por outros álbuns também marcantes, como Love and Theft, de 2001, Modern Times, de 2006, e Together Through Life, de 2009.

Prêmios e homenagens

Barack Obama homenageia Bob Dylan em Washington

Barack Obama condecora Bob Dylan em Washington

As distinções recebidas por Dylan são impressionantes: 11 Grammys, um Oscar de Melhor Canção Original, um prêmio Pulitzer por "suas composições líricas e de extraordinário poder poético, que causaram profundo impacto na música popular e na cultura americana", entre outros prêmios. Em 2012, ele angariou ainda a Medalha Presidencial da Liberdade, concedida pelo presidente Barack Obama, a honraria civil mais alta dos Estados Unidos.

No seu 75º aniversário, nesta terça-feira (24/05), Dylan está de folga, pois a Never Ending Tour faz uma pausa. Esse senhor de bigode fino e cabelos grisalhos poderia aproveitar o tempo para refletir sobre o seu papel na história da música, mas ele dificilmente o fará. E nem é necessário, pois outros fazem isso por ele, como o professor de história Sean Wilentz: "O que Bob Dylan fez, sobretudo nos anos 60, foi transformar em palavras ideias e sentimentos que outros não conseguiam transformar em palavras."

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