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Economia

Os últimos suspiros da Estratégia de Lisboa

UE abdica de se tornar a zona econômica mais forte do planeta até 2010. Abismos entre retórica e realidade, concorrência internacional e divergências sobre o Pacto de Estabilidade são alguns dos problemas enfrentados.

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Wim Kok: visões anteriores não eram realistas

As preparações para a reunião do Conselho Europeu, que começa nesta sexta-feira (4/11), foram uma espécie de busca pela mala de primeiros socorros. Treze especialistas na economia européia, liderados pelo ex-premiê holandês Wim Kok, procuraram formas de explicar aos chefes de governo do bloco os motivos pelos quais a UE não estará apta a se tornar, até o ano de 2010, a região econômica mais forte do planeta. "Os países-membros não cumpriram suas promessas e não respeitaram o que disseram. Há um abismo entre a retórica e a realidade. Isso foi o que presenciamos nos últimos anos", afirmou Kok.

"O mundo não nos espera"

Na Conferência Internacional de Lisboa, em 2000, os então 15 membros da UE haviam previsto um crescimento econômico em todos os países, o que proporcionaria empregos a cerca de 30 milhões de pessoas. Hoje, passada praticamente metade do período, a UE encontra-se ainda longe de atingir tais metas.

O PIB per capita no bloco oscila entre 65 e 70% do norte-americano. "Provavelmente não nos tornaremos a zona econômica mais forte do planeta. O mundo não ficou à nossa espera. Precisamos, nos próximos anos, fazer de tudo em prol de um maior crescimento econômico e de menos desemprego", sentencia Kok.

Medidas urgentes

Para isso, o ex-premiê holandês sugere um programa de cinco pontos: trazer um número maior de pesquisadores e especialistas em tecnologia da comunicação para a UE, facilitar a criação de empresas no mercado interno, reduzir a burocracia, ampliar a competência no setor de meio ambiente e divulgar tais medidas aos cidadãos do bloco.

Kok acredita que para tanto seja necessário unir esforços dentro da UE, o que se daria através de um trabalho conjunto entre governos nacionais, Comissão Européia e Parlamento Europeu, além de sindicatos, federações de empresas e organizações locais. "Precisamos de mais esforços. De todos os lados, dos políticos nacionais e europeus. E principalmente da Comissão da UE. Os líderes europeus precisam estar convencidos de que amanhã será melhor que hoje", prega Kok.

Erro fatal ou alívio?

EU-Gipfel in Brüssel - Gruppenbild

Gerhard Schröder e Jean-Claude Juncker, em encontro da UE em Bruxelas

Para o premiê alemão, Gerhard Schröder, abdicar das metas propostas em Lisboa é um erro "fatal". Mesmo assim, a atmosfera na União Européia não é necessariamente de luto em relação à decisão de abandonar os propósitos da "Estratégia". Ao contrário, despedir-se do documento parece ter trazido a Bruxelas uma espécie de alívio. Pois, como ressalta Kok, a concorrência no mercado internacional é tanta, que se ater aos propósitos estabelecidos em Lisboa seria inútil: "A Europa perdeu terreno em relação aos EUA e também à Ásia", completa o holandês.

A despedida das metas de Lisboa pode ter também um aspecto positivo: permitir que os países-membros voltem seus olhos para a reforma do Pato de Estabilidade e para a divisão dos recursos de Bruxelas entre 2007 e 2013. A Alemanha, como maior país contribuinte do bloco, sabe de sua força.

Em fins de outubro último, por exemplo, Schröder havia sugerido que as verbas que fluem de Berlim a Bruxelas – apenas no ano passado, 7,65 bilhões de euros – deveriam ser descontadas do déficit do orçamento nacional. O que, segundo o premiê, seria um alívio para os caixas alemães, possibilitando ao país respeitar o limite máximo do déficit público, cujo teto estabelecido pela UE não deve ultrapassar os 3%. Em 2004, a Alemanha irá desrespeitar pela terceira vez consecutiva o Pacto de Estabilidade. O mesmo espera-se para 2005.

Muita pólvora

Schröder pretende usar o encontro do Conselho Europeu em Bruxelas, que começou nesta sexta-feira (5/11), para convencer outros representantes do bloco de que "há uma ligação estreita entre o debate sobre as perspectivas financeiras e a reforma do Pacto de Estabilidade".

A idéia de abater as contribuições para os caixas da União do déficit público nacional deve, porém, desagradar profundamente os países-membros da UE, que mesmo em tempos de vacas magras se ativeram bravamente às diretrizes de Bruxelas, impondo a seus cidadãos medidas rígidas de contenção de gastos. "As propostas alemãs estão carregadas de muita pólvora", alertou um funcionário da UE em Bruxelas.

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