1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Cultura

Os últimos falantes do aweti

A maior parte das cerca de 180 línguas indígenas do Brasil está ameaçada de extinção. Pesquisadores contam com recursos alemães para tentar salvar esse rico patrimônio cultural.

default

Cacique Yakumin Aweti esteve na Alemanha

Uma língua falada por cerca de 130 pessoas no Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso e no Pará, é o objeto de estudo do lingüísta alemão Sebastian Drude, da Universidade Livre de Berlim. O principal objetivo das pesquisas de Drude é salvar da extinção a língua e a cultura dos aweti. “Quando se perde uma cultura, perde-se uma maneira própria de perceber e organizar o mundo. Nós precisamos de cada resposta possível, e muitas delas só podem ser ditas em línguas que estão morrendo”, afirma o pesquisador.

O projeto é financiado com recursos da Fundação Volkswagen, que destinou cerca de 7,4 milhões de euros para 12 estudos de documentação em diversos pontos do planeta, sempre tendo como objeto línguas ameaçadas de extinção. No Brasil, além do estudo de Drude, foram contemplados projetos sobre a língua dos índios kuikuro, coordenado por Bruna Franchetto; trumai, comandado por Raquel Guirardello; e mawé, katxuyana e bakairi, estes últimos do pesquisador Sérgio Meira.

Uma língua isolada

As primeiras pesquisas do lingüísta alemão tinham por objetivo estudar o vocabulário e a gramática da língua aweti. A partir de 2000, com o início do projeto da Fundação Volkswagen, o foco passou a ser a documentação da língua. Segundo Drude, já foram gravadas mais de 35 horas de imagens e entre 80 e 100 horas de áudio. Além de registros do cotidiano da aldeia, boa parte das gravações traz os índios explicando aspectos da sua cultura ou relatando histórias da sua mitologia. Esse material é traduzido para o português e para o inglês.

A língua aweti faz parte da família Tupi-Guarani, um dos três troncos lingüísticos dos índios brasileiros. Mas, segundo Drude, o aweti é uma língua isolada, sem “parentes próximos”. “Entre as línguas indo-européias, o grego também é uma língua isolada”, compara. Entre as características do aweti estão a ausência de artigos e adjetivos. Há também uma grande diferença entre a fala do homem e da mulher. Como exemplo, ele cita a palavra eu. “Os homens dizem atit e as mulheres, ito.”

Lenta recuperação

Entre 200 mil e 250 mil pessoas falam as cerca de 180 línguas indígenas do Brasil, o que corresponde a uma média entre 1100 e 1400 falantes para cada língua. Segundo Drude, há pesquisadores que afirmam que uma língua só sobrevive a longo prazo se tiver mais de cem mil falantes. "No Brasil, muitas são faladas por 150, 100, dez, às vezes uma pessoa. Nenhuma língua indígena brasileira tem sua sobrevivência garantida para daqui a 100 anos", alerta.

Drude estuda os aweti desde 1998, quando foi contatado pelo cacique da tribo. “Eles estão preocupados porque a população é pequena e os conhecimentos antigos da tribo estão se perdendo”, explica. Se os atuais cerca de 130 índios são poucos, em 1954 eles eram muito menos: apenas 24 pessoas, ou quatro famílias. Os freqüentes contatos com brancos provocaram diversas doenças na tribo e custaram muitas vidas. Mas os aweti se recuperaram e sua língua sobreviveu, sendo falada por toda a tribo, incluindo as crianças.

Como parte prevista do projeto, Drude trouxe à Alemanha em meados de novembro o cacique, Yakumin Aweti. O objetivo da visita era mostrar ao representante da tribo alguns resultados do seu trabalho. “Se alguém for até a sua casa e fizer gravações lá, você vai querer saber o que acontecerá com esse material”, argumenta Drude. “Nós trouxemos o Yakumin aqui para que ele possa saber como esse material está sendo trabalhado, onde ele está guardado e quem terá acesso a ele.”

Veja na página seguinte algumas expressões da língua aweti.

Leia mais