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Ciência e Saúde

Organizações procuram solução para caça ilegal de rinocerontes

Conferência internacional pressiona países, dentro e fora da África, a combaterem comércio irregular. ONGs apostam em campanhas de conscientização, e biólogos defendem legalização para controlar caça furtiva.

Os rinocerontes selvagens mais protegidos do mundo estão no Quênia. Os quatro animais são do tipo rinoceronte-branco-do-norte – e são provavelmente um dos últimos exemplares do mundo. Por isso, cada um conta com quatro guarda-costas, que cuidam de sua segurança dia e noite.

A situação dessa subespécie é extremamente delicada, mas o panorama para os demais rinocerontes da África também preocupa. No continente, estima-se que haja cerca de 25 mil exemplares, o que faz dele um animal ameaçado. O comércio é, por isso, proibido. A exceção é na África do Sul e na Suazilândia, onde está a maioria dos exemplares e onde a exportação é legalizada. Por cerca de 20 mil euros, um turista pode caçar e levar o troféu de caça para casa.

Ao mesmo tempo, a caça e o comércio ilegais florescem. Segundo a ONG WWF, o número de rinocerontes selvagens caçados na África aumentou dez vezes nos últimos cinco anos. Ainda há muito a fazer para combater a prática, mas a organização vê avanços.

Pressão sobre Moçambique e Vietnã

Na última Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Extinção (Cites), encerrada na quinta-feira (14/03), houve críticas abertas ao Vietnã, principal receptor do tráfico, e a Moçambique, principal porta de saída. "Foi a primeira vez que nomes foram ditos", diz Sylvia Ratzlaff, da WWF.

Segundo ela, os dois países têm agora alguns meses para enfrentar o problema de forma construtiva. Moçambique pode ser pobre, afirma, mas ali também se aplicam as determinações da Cites. O país poderia pedir assessoria a organizações de proteção à natureza e ao meio ambiente, afirma.

Nashörner Wilderei Afrika.

Chifres de rinoceronte recuperados pela polícia do Quênia

"No caso do Vietnã, houve até aqui também falta de vontade política", continua Ratzlaff, afirmando que até pessoas ligadas a representações diplomáticas talvez estivessem envolvidas no tráfico de rinocerontes.

O país já está sob pressão. Se, até janeiro de 2014, não der passos significativos para combater a prática, correrá risco – assim como Moçambique – de sofrer sanções ao comércio legal de animais selvagens, que é controlado pela Cites.

Organizações como a WWF e a Pro Wildlife apostam na informação para lutar contra a caça ilegal. No Vietnã, há a crença de que o pó de chifre de rinoceronte tem propriedade medicinal, o que, segundo Ratzlaff, já foi cientificamente refutado. Mesmo assim, os vietnamitas chegam a pagar 40 mil euros pelo quilo, ou seja, mais do que pagam por ouro.

Legalização como forma de controle

Para o biólogo sul-africano Duan Biggs, campanhas de esclarecimento e o controle sobre a proibição do comércio não são suficientes. Ele e outros especialistas defendem a legalização, o mais breve possível, da venda de chifre de rinoceronte.

"Nós temos agora, com a atual população de rinocerontes saudáveis, uma margem que permite a caça", explica Biggs, que diz que, se a estratégia não funcionar, pode ser interrompida. "Mas, se continuarmos a fazer como agora, então ficaremos em algum momento sem alternativas senão a atual, que claramente falhou."

Nashörner in Südafrika

Grupo de rinocerontes em reserva sul-africana

A ideia é que os rinocerontes passem a ser animais de criação. Os chifres, explica Biggs, crescem como unhas, e os animais não sofrem quando eles são cortados. Segundo ele, um quarto dos rinocerontes vive em fazenda privadas, onde também não é permitido o corte do chifre. A legalização, diz Biggs, reduziria o preço do produto e tornaria a caça ilegal menos atraente. A WWF e outras organizações pensam diferente. Ratzlaff teme um boom na demanda.

"Passaria-se de um comércio de elite a um comércio de massa. Estaríamos acendendo uma chama que não poderá mais ser apagada", argumenta.

Duan Biggs e seus colegas, no entanto, usam como exemplo os crocodilos, para os quais foi implementado um modelo de caça legalizada que funcionou. "Se a demanda cresce, as áreas dos rinocerontes serão mantidas ou até expandidas", afirma o biólogo, que cresceu no Parque Nacional Krüger, na África do Sul.

Autora: Maja Braun (rpr)
Revisão: Carlos Albuquerque

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