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Mundo

Organizações alertam para catástrofe humanitária na Síria

Centenas de milhares de pessoas estão refugiadas, sem um teto, alimento suficiente ou assistência médica. Entidades de ajuda humanitária alertam para situação crítica que atinge população civil na Síria.

A família perambulou um dia inteiro pela fronteira sírio-libanesa para, durante a noite, ousar passar para o outro lado. Mas chegou ao território do país vizinho sem dois de seus filhos, que desapareceram no terreno acidentado das montanhas libanesas.

Os pais os procuraram por horas sem sucesso, até que decidiram continuar a fuga sem as crianças desaparecidas. Nas baixas temperaturas que prevalecem em março nas montanhas, eles calcularam que ambos só sobreviveriam por algumas horas. A guerra não só levou todos os seus pertences como também destruiu sua família.

Vítimas infantis

São histórias deprimentes como esta que Marc André Hensel, coordenador da ajuda para a Síria da seção alemã da entidade filantrópica evangélica World Vision International, ouve frequentemente nos campos de refugiados sírios localizados no lado libanês. Desde março, quando esteve no campo pela primeira vez, Hensel toma conhecimento das consequências da guerra através de inúmeras histórias individuais. Pais cujos filhos foram feridos e não receberam cuidados médicos necessários; que morreram ou foram maltratados.

This citizen journalism image provided by Shaam News Network SNN, taken on Thursday May 31, 2012 purports to show a Syrian child crying after eleven workers were killed by gunmen when they were on their way to work Thursday at a state-owned fertilizer factory in the central province of Homs, Syria.(Foto:Shaam News Network, SNN/AP/dapd)THE ASSOCIATED PRESS IS UNABLE TO INDEPENDENTLY VERIFY THE AUTHENTICITY, CONTENT, LOCATION OR DATE OF THIS HANDOUT PHOTO

Crianças são as maiores vítimas da guerra na Síria

As crianças são as que mais sofrem com a guerra, que têm a maior dificuldade em lidar com a experiência. "Muitos têm pesadelos", diz Hensel, em entrevista à DW. Outros se sentem perseguidos, inseguros, ficam com medo quando cai a noite. "Eles só querem fugir. São fechados, calados, vivem em estado de choque. Alguns não contam nada sobre as suas experiências. Outros dizem tudo, você percebe que eles querem sua compaixão."

Várias histórias circulam no campo. Alguns contam que as tropas do governo mantém crianças como reféns, para manterem os pais sob controle – método que seria usado frequentemente contra opositores. "Outros me contaram que as crianças são amarradas aos tanques como uma espécie de escudo, para que ninguém jogue coquetéis molotov ou dispare contra os tanques", relata Hensel.

Semanas de fuga

"Os horrores da guerra são grandes", afirma Donatella Rovera, que esteve no começo do ano durante várias semanas em Aleppo, pela Anistia Internacional. Ela conta que naquele período encontrou famílias que se mudaram quatro ou cinco vezes de casa num curto espaço de tempo. "Toda vez que eles chegavam a uma zona tranquila, em algum momento ela era também atacada. Então, eles iam para uma outra região. E de lá para outra e assim por diante." Esses refugiados errantes dentro do país são a maioria daqueles que deixaram suas casas por causa da guerra. A ONU estima em até um milhão o número de deslocados internos na Síria.

A Syrian injured woman Hassna, 37, who lost her two legs from the Syrian forces mortar shell which also killed her two children and her husband when they were fleeing their house on a motorcycle at village near Qussair town in Homs province on March, is being treated by a Lebanese nurse at a hospital, in the northern port city of Tripoli, Lebanon, Wednesday, May 30, 2012. Since the uprising against President Bashar Assad's regime began in March 2011, thousands of Syrian refugees who fled the violence in their country now live in Lebanon, and many wounded Syrians are smuggled across the border for treatment in Lebanese hospitals, mostly in the northern city of Tripoli which is largely sympathetic to the Syrian uprising. But Lebanon is sharply divided by the Syrian conflict, and even in hospitals, Syrian opposition activists are fearful of retaliation. (Foto:Hussein Malla/AP/dapd)

Esta síria de 37 anos perdeu as duas pernas, marido e filhos

Entre eles, estão muitos feridos, que esperam ser tratados em algum lugar. Mas visitar um médico não é algo fácil. Para isso é necessária uma sólida rede de relacionamentos, baseada em gente de confiança.

"Muitas pessoas têm muito medo de ir a um hospital", afirma Rovera. "As tropas do governo costumam checar a identidade dos pacientes, prendendo aqueles que suspeitam ser integrantes da oposição. E as pessoas sabem que, se forem presas, podem facilmente ser mortas."

Por isso, muito preferem buscar médicos que trabalharam clandestinamente. Mas isso é arriscado, porque o tratamento médico de oposicionistas é punido severamente. "Em casos de extrema urgência", afirma Rovera, "os feridos têm que ser enviados clandestinamente para o exterior."

Faltam medicamentos

A situação fica cada dia mais difícil mesmo para quem não faz parte da oposição. "Muitos centros de saúde e hospitais foram destruídos", informa Tarik Jarasevic, porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS). Outros tiveram que fechar, porque a eletricidade foi cortada. Por causa dos combates, muitos médicos e enfermeiros também não conseguem chegar a seus locais de trabalho.

Dr. Abu Jawad mit Patienten / Dr Abu Jawad consults with patients in a hospital in Tripoli, Lebanon. Fotograf: Don Duncan. Wann und wo: Juli 2012, Tripolis, Libanon. Man lying in hospital bed: Amar Idriss in Hospital in Tripoli. Syrian refugees in lebanon. Name of the photographer/or scource: Don Duncan. When was the pic taken? (July 2012). Where was the pic taken (Tripoli Lebanon). Zugeliefert am 1.8.2012 durch Sarah Steffen. Copyright: Don Duncan

Sírio em hospital libanês: ajuda no exterior é última esperança

E mesmo quando os médicos chegam aos hospitais, muitas vezes não conseguem tratar seus pacientes, porque não dispõem dos medicamentos necessários. "Cerca de 90% dos medicamentos usados na Síria são produzidos localmente", informa Jarasevic. "Se esses produtos faltam, os sírios precisam comprá-los no mercado internacional, e não têm atualmente como pagar por eles." Assim, não só as vítimas dos combates, mas também os que sofrem de enfermidades crônicas, como doenças cardíacas, diabetes e câncer, não conseguem acesso a tratamento e medicação.

A situação humanitária é catastrófica em muitos aspectos. Uma porta-voz do Programa Alimentar Mundial da ONU afirma que, só em Aleppo, cerca de 46 mil pessoas dependem de doação de alimentos. No total, os funcionários do programa atenderam em julho a mais de meio milhão de pessoas. Na verdade, deveriam ser muitas mais, porém, a situação da segurança não possibilita a ajuda. A guerra também deixa as agências humanitárias impotentes.

Autora: Kersten Knipp (md)
Revisão: Francis França

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