Organização israelense pelos direitos humanos pede apoio internacional | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 20.03.2010
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Mundo

Organização israelense pelos direitos humanos pede apoio internacional

Antigos soldados israelenses fundam Breaking the Silence para quebrar o silêncio e revelar os abusos cometidos por seu Exército nas zonas ocupadas. Eles realizam um giro pela Europa e Estados Unidos em busca de apoio.

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Yehuda Shaul: 'dever moral'

Pela primeira vez, a organização israelense pelos direitos humanos Breaking the Silence (Quebrando o Silêncio) veio à Alemanha falar da situação nos territórios palestinos – tema que é tabu em seu próprio país. Os fundadores e membros ativos são ex-soldados e reuniram fotos e vídeos de testemunhas oculares sobre os maus tratos, os saques e a destruição arbitrária perpetrados pelo Exército de Israel.

Desde 2004, a associação informa a opinião pública de seu país e internacional sobre a ocupação israelense, porém esta é sua primeira turnê sistemática pela Europa e os Estados Unidos. "Pois acreditamos que Gaza foi uma virada séria. Na qualidade de soldados que estiveram lá, nosso dever moral é contar ao mundo o que fizemos", explica o reservista Yehuda Shaul, referindo-se à guerra conflagrada na Faixa de Gaza há cerca de um ano.

Na Alemanha, seus interlocutores são políticos, funcionários do Ministério das Relações Exteriores e membros da comissão de direitos humanos. E seu principal argumento e arma são narrativas em primeira mão. Como a do soldado Amir, referindo-se à guerra em Gaza.

"Nas conversas com os oficiais, logo ficou claro que desta vez não se tratava de uma operação, mas sim de uma guerra sem luvas de pelica. As orientações que recebíamos antes, para poupar os civis, não valiam dessa vez. Pelo contrário, se houver problemas, atira-se e não se faz perguntas."

Lage in Gaza - Flash-Galerie

Destruição na Faixa de Guerra

A lógica dos que tudo podem

Shaul revela a cruel lógica do ocupador. "A pessoa se acostuma tão rápido. Por exemplo, se quer assistir um jogo de futebol, você observa onde há um telhado com antena parabólica, entra na casa, tranca a família em um quarto e assiste ao jogo. Todos nós, soldados, fizemos esse tipo de coisa."

Assim como outros atos, bem menos "inocentes". Judeu ortodoxo, nascido em Jerusalém, Yehuda Shaul cumpriu seus três anos de serviço militar em Hebron, onde uma minoria de 600 colonos judeus extremistas vive entre 220 mil palestinos. Lá, ele tanto presenciou quanto participou de diversas ações para tornar um inferno a vida dos palestinos: espancamentos e humilhações, automóveis confiscados, propriedades danificadas, profanação dos mortos.

Com 27 anos de idade, Yehuda Shaul revela haver cometido, em seu serviço militar em Hebron, suficientes atos criminosos para várias décadas de prisão. "O motivo por que não tive que responder a um processo é claro: nesse caso, também meus superiores teriam que ir a tribunal. Gostaria que isso acontecesse, seria o mais importante ato político que poderia realizar em minha vida: responder pelo que fiz. Pois assim todo o sistema de injustiça da Cisjordânia iria a julgamento."

Papel negativo da Alemanha

Também Yahav Zohar, do Comitê Israelense Contra a Destruição de Casas, participou da viagem pela Alemanha, onde visitou 24 cidades. Ele chamou atenção para o envolvimento alemão nas violações dos direitos humanos na Cisjordânia e em Gaza. "Por exemplo: a lei alemã proíbe exportar armas para locais onde elas possam ser empregadas contra os direitos humanos e na repressão de civis." Assim, já seria um grande avanço se o país se ativesse à sua legislação.

Ele registrou como é difícil para os alemães falar de forma imparcial do conflito entre Israel e palestinos. "Considero um perigo para a democracia alemã haver um tema que não pode ser tocado publicamente; que haja coisas aqui, que não se pode pronunciar, embora não se trate nem de agitação popular nem de incitamento à violência."

Zohar afirma que cresce o movimento internacional de ativistas dos direitos civis que exigem uma solução pacífica e justa para o Oriente Médio e que insistem no cumprimento dos direitos humanos. Somente na Alemanha esse movimento não encontra apoio. E isto impede que a União Europeia modifique sua política em relação a Israel e exija o respeito ao direito internacional, criticou o ativista israelense.

Autores: Bettina Marx / Augusto Valente
Revisão: Márcio Damasceno

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