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Economia

Orgânicos: um segmento em franca expansão

Maior feira mundial de orgânicos conta com mais de dois mil expositores de 70 países, tendo o Brasil como destaque. Mercado mundial do setor é avaliado em 30 bilhões de dólares.

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Ministro Furlan examina garrafa de cachaça orgânica na Biofach

"O setor de orgânicos vive um verdadeiro boom em todo o mundo", afirma Renate Künast, ministra alemã da Agricultura, Alimentação e Proteção ao Consumidor. E isso também se espelha nos números da Biofach, em Nurembergue, que vai até 27 de fevereiro. Este ano a feira conta com um número recorde de 2035 expositores de 70 países – 7% a mais que em 2004 (1897). É a maior vitrine mundial do setor, com área de 33,5 mil metros quadrados. Dois terços (67%) das firmas vêm do exterior e devem receber 30 mil visitantes, a maioria donos e/ou funcionários de lojas de produtos naturais (cerca de quatro mil agricultores orgânicos).

O país tema da Biofach 2005 é o Brasil, que triplicou sua participação na feira para mais de 100 expositores e supera a Alemanha em área cultivada com orgânicos. O país é representado em Nurembergue por 87 empresas, a Agência de Promoção das Exportações (Apex ) e instituições de apoio aos produtores, como o Sebrae e o Banco do Brasil.

Além de tradicionais produtos alimentícios, como frutas tropicais, verduras, café, mel, cereais e açúcar mascavo, há também representantes brasileiros entre os 200 expositores de cosméticos naturais, que ocupam uma área de 3 mil metros quadrados. Nesse setor, a Alemanha apresenta 1900 produtos certificados de 36 fabricantes. Estima-se que o mercado alemão de cosméticos naturais já movimenta entre 340 e 650 milhões de euros por ano, o que equivale a uma fatia de 3% a 6% do mercado total de cosméticos.

Biofach 2005

Capa do catálogo da Biofach 2005

Pela primeira vez, a Biofach reserva um pavilhão só para os 250 produtores de vinho orgânico. É como se fosse uma feira dentro da feira e, ainda por cima, a maior do gênero. Ali pode-se degustar 461 vinhos produzidos ecologicamente, entre eles os detentores das 26 medalhas de ouro, 35 de prata e selos de recomendação distribuídos num concurso internacional realizado na Alemanha em novembro de 2004.

Mercado em expansão

Segundo dados da empresa de consultoria Organic Monitor, em 2004 o mercado mundial de orgânicos cresceu 6%, movimentando cerca de 30 bilhões de dólares. As maiores taxas de crescimento são registradas na América do Norte, enquanto essa taxa na Europa Ocidental é inferior a 5%. Há um grande crescimento também na região do Pacífico, América Latina e Leste Europeu, embora partindo de uma base bem menor, diz o analista Amarjit Sahota, da Organic Monitor. O mercado europeu, com negócios da ordem de 10 bilhões de dólares, é o maior, seguido pelo dos EUA.

Devido à resistência ao grão transgênico e à preocupação com resíduos químicos nos alimentos, o mercado europeu é considerado o mais promissor para o Brasil, sobretudo para grãos orgânicos, desde que certificados e produzidos dentro das estritas normas de produção agroecológica, qualidade e certificação impostas pela UE.

Livre comércio na pauta

Brasil e Alemanha vão propor à União Européia e ao Mercosul o comércio de produtos orgânicos livre de taxas de importação em ambos os lados do Atlântico. A sugestão foi feita pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, nesta quinta-feira (24/02), na abertura da Biofach. A ministra Renate Künast apóia a idéia, que deverá entrar na pauta das próximas rodadas de negociação dos dois blocos econômicos.

"Se chegarmos a um acordo, ele poderia servir de piloto para negociações semelhantes no âmbito da Organização Mundial do Comércio", disse Künast. Ela elogiou também o fato de o Fundo da ONU para a Agricultura (FAO) estar reconhecendo o significado da agricultura orgânica para o combate à fome no mundo.

Biofach 2005

Cartaz de café orgânico do Brasil

Segundo Furlan, hoje apenas 1% da produção agrícola brasileira é orgânica. "Só 350 mil hectares estão certificados, mas temos um potencial de seis milhões de hectares para a agricultura ecológica, incluindo áreas aproveitáveis da Floresta Amazônica", disse o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que também participou da abertura da Biofach. "Estamos abrindo as portas para os orgânicos", acrescentou.

Furlan ressaltou que, além de defender o fim de barreiras alfandegárias, o governo brasileiro quer acabar com obstáculos nacionais de legislação e logística que ainda retardam um avanço da agricultura orgânica. Uma das próximas medidas será a criação de quatro centros de exibição, armazenagem e distribuição de produtos brasileiros (não só orgânicos) na Europa, o maior dele em Frankfurt.

Alemão é pão-duro

Mais de 24 milhões de hectares em mais de 100 países já são cultivados pelos princípios da agricultura ecológica. Segundo a Fundação alemã de Agricultura Ecológica (SÖL), a Alemanha, com 734 mil hectares, ocupa o sétimo lugar, atrás da Austrália, Argentina, Itália, EUA, Brasil (842 mil hectares) e Uruguai. Há 16.500 propriedades alemãs com lavoura orgânica, o que equivale a 4,3 % da área cultivável do país. Somando os processsadores, comerciantes e importadores, o número de firmas atuantes no setor chega a 20.367, gerando 150 mil empregos (cerca 30 mil na agricultura, 80 mil na indústria de processamento de alimentos orgânicos e produtos naturais, e cerca de 40 mil no comércio desses produtos).

Um total de 25 mil produtos de 1240 empresas já obtiveram o selo de produto orgânico na Alemanha. De 2000 a 2002, o mercado alemão expandiu-se em torno de 50%. Em 2004, cresceu apenas 10%, movimentando cerca de 3,4 bilhões de euros, enquanto o faturamento do setor alimentício em geral só aumentou 1% para 102 bilhões de euros.

Apesar disso, para 62% dos alemães o preço é mais decisivo do que a qualidade na hora da compra. Com isso, segundo pesquisa junto ao consumidor realizada pelo Grupo GfG, os alemães lideram a lista do pães-duros na União Européia, seguidos pelos franceses (60%), enquanto para dois terços dos italianos a qualidade é decisiva.

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