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Alemanha

Ordenados na Alemanha primeiros rabinos desde a era nazista

Desde que os nazistas fecharam o seminário rabínico em 1942, nenhum líder religioso judaico formou-se na Alemanha. Um tcheco, um sul-africano e um alemão formados em Berlim retomam a tradição.

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A partir da esquerda: Daniel Alter, Malcolm Mattitiani e Tomas Kucera

Nesta semana (13-14/09) foram ordenados na sinagoga de Dresden os primeiros rabinos formados na Alemanha desde 1942. Os três novos líderes religiosos completaram o curso de treinamento de cinco anos no Colégio Abraham Geiger, de Berlim.

As atuais 120 comunidades judaicas da Alemanha contam com cerca de 200 mil membros, dez vezes mais do que antes da queda do Muro de Berlim. Sobretudo os imigrados do Leste europeu marcam a face da nova vida judaica em solo alemão. Entretanto, eles dispõem de apenas 23 rabinos para assisti-los.

Seminário controverso

Os sacerdotes da Alemanha precisam, portanto, de reforço urgente. Até há pouco, as alternativas de formação eram os Estados Unidos, Israel ou Inglaterra. A criação do Colégio Abraham Geiger na terra dos autores do Holocausto, em 1999, provocou compreensíveis reações de crítica. Seu reitor, Walter Homolka, exemplifica:

"Um colega holandês disse que não me perdoaria por estar ensinando novamente a Torá aqui, sobre as cinzas dos seis milhões [de judeus mortos na Segunda Guerra]. Porém, do ponto de vista pragmático, era o único caminho possível. Acredito que estamos formando multiplicadores, que contribuiremos para divulgar uma imagem da Alemanha moderna na comunidade judaica mundial."

O colégio faz parte da Universidade de Potsdam. O perfil da instituição é liberal, não ortodoxo, seguindo uma corrente fortemente influenciada pelos judeus centro-europeus do século 19, lembra Homolka. A instituição leva o nome do rabino Abraham Geiger, ativo em Berlim entre 1870 e 1875. Na época, ele já tentara ancorar a teologia judaica a uma universidade alemã.

Três vocações

Dresdner Synagoge Dresden In dem Gebäude findet am Donnerstag (14.09.2006) unter verschärften Sicherheitsbedingungen die erste Rabbinerordination in Deutschland seit dem Zweiten Weltkrieg statt

Sinagoga de Dresden

Um dos novos rabinos é o tcheco Tom Kucera, de 35 anos. Formado em Biologia Molecular, ele justifica com um argumento científico a opção pela carreira religiosa: "Creio na evolução. Não apenas na natureza e no cosmo, como também na vida pessoal".

Durante uma viagem de pesquisa aos EUA, uma amiga lhe deu o estímulo para tentar algo diferente: tornar-se rabino. De início, Kucera rejeitou a idéia, porém, dois anos mais tarde, freqüentava um seminário rabínico em Jerusalém. Após a ordenação, trabalhará em Munique.

O bávaro Daniel Alter, de 47 anos, exercerá o cargo em Oldenburg e Delmenhorst, na Baixa Saxônia. Sua motivação foi o "amor pelos homens" e pela religião. Ele classifica como "lamentável" o fato de ser um dos primeiros rabinos formados na Alemanha desde o nacional-socialismo. "Preferiria que houvesse centenas de rabinos antes de mim e que tivéssemos sido poupados da ruptura pela Shoá."

Em contrapartida, o sul-africano Malcolm Matitiani, de 38 anos, considera a cerimônia de consagração um acontecimento histórico. "É uma vitória da liberdade e da dignidade humana sobre a tirania e a xenofobia." Ele, que já trabalhou como cozinheiro e professor de Lingüística, retornará à Cidade do Cabo na função de rabino.

Entre a teologia e o quotidiano

A ordenação da próxima turma do Colégio Abraham Geiger está prevista para 2008. Atualmente dez alunos – da Alemanha, Rússia e Ucrânia – o freqüentam. Um deles, Adrian Schell, explica que o curso é estruturado como um duplo curso superior. "Fazemos um mestrado em Estudos Judaicos pela Universidade de Potsdam, e adicionalmente a formação rabínica."

Esta envolve tanto aspectos teológicos – como interpretar as fontes; onde encontrá-las? – quanto questões práticas do quotidiano, "do nascimento à morte – portanto, do ciclo da vida: como assistir as pessoas nesses momentos?", exemplifica Schell.

Os candidatos a rabinos lêem os textos básicos da fé judaica, a Torá e o Talmude, naturalmente nas versões originais, em hebraico e aramaico. O idioma das aulas é o alemão. Uma clara vantagem para os formandos de Berlim e Potsdam: eles não precisam pagar as salgadas anuidades exigidas nos Estados Unidos e na Inglaterra.

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  • Data 14.09.2006
  • Autoria (av)
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