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9 de novembro de 1989

Orações pela paz abriram caminho para a queda do Muro de Berlim

Há 20 anos, o sistema comunista alemão-oriental estava prestes a ruir. A queda do Muro de Berlim foi precedida de protestos pacíficos em massa iniciados após orações pela paz na igreja de São Nicolau, de Leipzig.

As manifestações pacíficas das segundas-feiras em Leipzig foram um fator importante para as mudanças na República Democrática Alemã (RDA) em 1989. As regulares manifestações em massa, que haviam começado em 4 de setembro, se espalharam para outras cidades, como Dresden, Halle, Magdeburgo, Rostock e Schwerin, em parte também em outros dias da semana.

Aos gritos de "Nós somos o povo", semana após semana, centenas de milhares de alemães-orientais protestavam em todo o país contra a situação política. Seu objetivo era uma reordenação pacífica e democrática do sistema, e especialmente o fim da supremacia do Partido Socialista Unitário (SED), o partido comunista da extinta Alemanha Oriental.

Legendária para o início do fim da RDA foi a manifestação de 9 de outubro de 1989 em Leipzig, quando 70 mil pessoas foram às ruas com velas nas mãos, após rezarem pela paz na igreja de São Nicolau (Nikolaikirche).

Prisão por reivindicar a liberdade

Neste dia, a alemã Katrin Hattenhauer estava na prisão. "Por um país aberto com pessoas livres" estava escrito no cartaz levado por ela num protesto no início de setembro daquele ano, e por isso ela cumpriu um mês de pena.

"Naquele dia 9 de outubro, os guardas estavam muito tensos, e nós ouvimos muitos murmúrios. Dava para sentir que a prisão tremia. Cheguei a pensar que lá fora havia caminhões. Não imaginei que pudessem ser os pés de 70 mil pessoas", conta ela.

O grande número de participantes surpreendeu o governo, que decidiu não usar a força militar. Quem ganhou foram os manifestantes e seus brados de "nenhuma violência". Foi uma vitória das velas acesas contra as armas.

O movimento havia iniciado na igreja evangélica de São Nicolau, a maior igreja de Leipzig. Como em muitos outros locais na Alemanha Oriental, desde os anos 1980 eram realizadas ali preces pela paz, que haviam sido iniciadas por grupos de base da igreja.

"Éramos cristãos, éramos a Igreja, e as orações pela paz foram uma forma de manifestar nossa fé. Foram uma consequência lógica da nossa concepção de vida cristã na RDA, dentro das relações que nós conhecíamos e das quais não conseguíamos sair, uma forma de mudar essas condições inumanas", conta Rainer Müller, um dos organizadores dos encontros.

Quando em janeiro de 1988 em Berlim às margens de uma manifestação ocorreram detenções, rezou-se em Leipzig também pelos detidos.

A partir daí, as orações pela paz tornaram-se claramente mais políticas e passaram a atrair cada vez mais pessoas à igreja de São Nicolau, que ofereceu espaço para dissidentes, para a oposição, e a pessoas que pretendiam deixar a Alemanha Oriental.

Isso gerou vários conflitos. Não só os responsáveis pela igreja, também os membros da paróquia temiam que os detentores do poder se sentissem provocados.

Friedrich Magirius, pastor e diretor do sínodo onde fica a igreja de São Nicolau, temia a repressão. "Gente como eu, que viveu o stalinismo, em que pessoas desapareceram para sempre, precisavam estar atentas para que os jovens, que não tinham a história tão presente, fossem cautelosos", explica.

Igreja não cedeu à pressão

Internamente colocava-se a seguinte questão na igreja evangélica da Alemanha Oriental: as orações pela paz não haviam se politizado demais, o seu conteúdo ainda era congruente com a Bíblia?

Esse conflito aumentou no final do verão europeu de 1989, quando Christoph Wonneberger, pastor responsável pelas orações, e as organizações de base foram afastados da organização das preces. Para Müller, foi uma vitória do Estado, que havia apostado na tática de acirrar o conflito dentro da Igreja.

Mas a exclusão dos grupos de base teve efeito contrário: defensores dos direitos civis e opositores passaram a protestar diante da igreja de São Nicolau, levando a revolução às ruas.

Quando a situação começou a se acirrar, em setembro de 1989, o poder estatal exigiu o fim das orações pela paz. Mas a direção da igreja não cedeu, como explicou Magirius: "A ameaça era evidente. E a cada semana a direção, ou seja, o conselho do sínodo nos advertia da necessidade de intervirmos, para não perdermos o controle sobre a situação".

No dia 9 de novembro de 1989, as quatro igrejas de Leipzig que abriram suas portas para as orações pela paz foram invadidas pelos manifestantes que mais tarde participariam da marcha pacífica nas ruas. Katrin Hattenhauer, que estava na prisão neste dia, seria libertada quatro dias depois.

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