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Mundo

Oposição síria quer discutir saída para violência no país

Diversos grupos da oposição da Síria planejam um encontro em Damasco, com apoio internacional, para encontrar uma solução para o impasse político-social no país. Muitos rejeitam uso religioso do conflito.

A guerra civil na Síria cresce em violência. Mais de 2 milhões de pessoas migram internamente, em busca de refúgio, e os que têm a oportunidade têm procurado asilo em países vizinhos. Diante desta situação de insegurança, diferentes grupos de oposição de dentro e fora do país – a começar pelo Comitê Nacional de Coordenação para a Mudança Democrática (NCC, sigla em inglês) – convocaram uma conferência em Damasco.

No entanto, o encontro só pode acontecer se o presidente sírio, Bashar al-Assad, der garantias de que todos os participantes sairão ilesos. Sem esse compromisso, não há conferência, explicou Haytham Manna, porta-voz do NCC, em entrevista à Deutsche Welle. Assim, o Conselho dirigiu-se às Nações Unidas para obter garantias complementares.

Interesses comuns

Como durante o planejado encontro os grupos provavelmente pediriam um cessar-fogo, o regime Assad também poderia ter interesse nessa conferência, pois os gastos com a guerra têm colocado o governo cada vez mais sobre pressão. O presidente sírio tem encontrado grandes dificuldades para financiar os confrontos, sobretudo para comprar combustível.

Além disso, durante a reunião também seria discutido um possível intercâmbio de presos dos dois lados. Em entrevista ao jornal libanês Al Safir, Raja al-Nasser, secretário-geral do NCC, disse que milhares de pessoas consideradas ligadas à oposição se encontram nas mãos do regime. Quanto ao número dos apoiadores do governo presos pelos rebeldes, ele estima entre algumas dezenas e várias centenas.

Damasco foi escolhida como palco do encontro pela possibilidade de melhor concentrar as forças opositoras de dentro e fora do país. Além de tratar de ajuda concreta para os refugiados, o objetivo da conferência seria fortalecer novamente o discurso político, que praticamente foi substituído nos últimos meses pela violência. "Esse discurso foi destruído por causa da crença de alguns de que uma vitória militar é possível. Mas não existe vitória militar."

Com esse discurso, aliás, o NCC também se volta contra as forças armadas da oposição, a qual também vem fazendo largo uso da violência. Al Nasser ressalta, porém, que isso não significa que durante o encontro será pedido aos rebeldes que baixem suas armas. "O objetivo é mudar as regras do conflito e encontrar caminhos menos dispendiosos que levem à mudança", disse ele ao jornal.

Violência deu lugar à discussão política na Síria

Violência deu lugar à discussão política na Síria

Contra o conflito de base religiosa

Para que o encontro se realize é necessário um mínimo de com regime Assad – ideia que está longe de contar com o apoio de todos os grupos rebeldes. Rafif Jouejati, porta-voz dos Comitês de Coordenação Local da Síria (LCCSyria), por exemplo, rejeita qualquer conversa com o governo. "No momento não se pode ter qualquer diálogo, já correu sangue demais para tal. Por isso, não acredito que faça sentido um encontro ou uma conversa com Assad."

Os diferentes grupos da oposição, porém, concordam em pelo menos um ponto: a rejeição do "confessionalismo" – o sectarismo religioso extremo. A violência na Síria tem recebido um caráter cada vez mais religioso, coisa que os grupos opositores seculares tentam evitar. Aqueles representados no encontro, explica Manna, declararam seu repúdio "a todos que acreditam poder colocar o país sob domínio islâmico. Essa é a meta de diversos combatentes, contando com o apoio de alguns países estrangeiros."

O regime Assad explorou o islamismo, prossegue o porta-voz do NCC. Mas também uma parte da oposição, como a Irmandade Muçulmana, fez uso da religião. "Eles disseram que havia três possibilidades para tratar com os alevitas: mandá-los de volta para o exílio, matá-los, ou convertê-los ao islamismo." São pontos de vista radicais que, no entanto a sociedade síria tem repudiado, por enquanto.

Joguete de forças estrangeiras

A crescente violência abala a oposição e também fortalece esse sectarismo religioso. Por isso, os comitês locais tinham como tarefa evitar sua expansão. "Declaramos todas as quarta-feiras 'Dia do Não Confessionalismo', e conclamamos nossos membros a portar bandeiras contra o confessionalismo", sublinha Jouejati, do LCCSyria.

Porém com essa conduta, os diversos grupos opositores internos da Síria fazem inimigos em todas as frentes, pois também há atores internacionais interessados na caracterização religiosa da violência, afirma Haytham Manna, citando três países: Arábia Saudita, Qatar e Turquia. "Eles usam a religião para jogos geoestratégicos de poder. Eles entendem que se pode vencer o Irã incitando ao ódio contra os alevitas e xiitas. Para nós, isso levaria à destruição da sociedade síria."

Com isso, a Síria se tornou, em parte, um brinquedo nas mãos de poderes estrangeiros, que não se deixam impressionar nem pelo regime de Assad, nem pela oposição. Pelo menos neste ponto, os dois inimigos estão unidos: em sua impotência. E ela poderia ser o elemento a tornar possível o encontro em Damasco.

Autor: Kersten Knipp (msb)
Revisão: Augusto Valente

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