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América Latina

Oposição e imprensa questionam Kirchner por mudar discurso no caso Nisman

Presidente é alvo de enxurrada de críticas por se contradizer em apenas três dias sobre a hipótese de suicídio do promotor e por, em meio a uma crise política e jurídica no país, se manifestar apenas por redes sociais.

A reviravolta nas declarações da presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, que agora afirma estar convencida de que o promotor público Alberto Nisman não se suicidou, foi duramente criticada pela oposição e é o principal destaque na imprensa do país.

A deputada Elisa Carrió, uma tradicional opositora de Kirchner, afirmou que a "falta de seriedade" da presidente "só traz medo" à sociedade. "Mal se soube da morte do promotor Nisman, ela falou em suicídio; derrubada a tese de suicídio, ela fala de assassinato; a única coisa que mantém sempre é que a culpa é da vítima", disse Carrió em comunicado.

A deputada Laura Alonso, do partido oposicionista PRO, que governa a cidade de Buenos Aires, advertiu que a Argentina "está sem governo e tem um Estado muito débil". Além disso, ela afirmou que a sociedade espera que a "presidente não siga se escondendo", já que, desde a morte de Nisman, a governante não falou em público e se manifestou duas vezes, sempre usando a internet.

O senador Ernesto Sanz, pré-candidato presidencial da oposicionista União Cívica Radical (UCR), afirmou que a declaração de Kirchner "é gravíssima" e considerou "incompreensível" que a chefe de Estado se comunique pelas redes. "Se a presidente crê que mataram Nisman, tem que descabeçar a cúpula da segurança", afirmou.

Cristina Fernandez Präsidentin Argentinien

Cristina Kirchner: "Não tenho provas, mas tampouco tenho dúvidas"

Na segunda-feira, dia seguinte à morte de Nisman, Kirchner se referiu ao caso como suicídio, por meio de uma carta publicada na internet. "A morte de uma pessoa sempre causa dor e perda entre seus entes queridos, e consternação nos demais. O suicídio provoca, além disso, em todos os casos, primeiro: estupor; e depois: interrogações." Mais adiante, colocou a palavra suicídio acompanhada de sinais de interrogação, indicando dúvida.

Nesta quinta-feira, a presidente voltou a se manifestar na internet sobre o caso, desta vez afirmando estar convencida de que a morte de Nisman não foi suicídio. "Usaram-no vivo e depois o necessitavam morto. É triste e terrível", escreveu. "Não tenho provas, mas tampouco tenho dúvidas" sobre o suicídio, afirmou Kirchner.

Segundo o jornal Clarín, a nova declaração de Kirchner pegou de surpresa e deixou desconcertados alguns membros do governo. Um ministro próximo à presidente expressou ao jornal "um total desconcerto", mas não discordou da nova posição. Segundo ele, a prioridade é fortalecer a imagem presidencial e unificar o discurso.

Já o jornal La Nación afirma que Kirchner está sendo criticada não só por se contradizer em apenas três dias sobre um assunto tão sério, mas também por voltar a se manifestar pelas redes sociais.

Um funcionário da chefia do gabinete disse ao jornal que Kirchner é vítima de um complô, de uma "ofensiva brutal" em que pretendem atribuir a ela a responsabilidade pela morte de Nisman. Diante disso, ela se viu obrigada a reagir de maneira forte, afirmou.

Na carta desta quinta-feira, Kirchner sustenta a tese de que a morte de Nisman é parte de um plano para atacar seu governo. "A denúncia do promotor Nisman nunca foi em si mesma a verdadeira operação contra o governo, ela [a denúncia] cai logo. Nisman não o sabia e provavelmente jamais o soube. A verdadeira operação contra o governo era a morte do promotor depois de acusar a presidente."

AS/dpa/ots

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