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Mundo

Oposição apela para estratégia de emergência

Democrata-cristãos retomam o tema da imigração na reta final da campanha eleitoral. A esperança do partido de recrutar dessa forma votos de última hora esbarra em críticas de vários setores da sociedade.

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Sala de espera para pedidos de asilo político em Hamburgo

Quanto mais as eleições se aproximam, mais nervosos se tornam os responsáveis pelo marketing da campanha de Edmund Stoiber, da União Democrata Cristã (CDU). Ansiosos por algo que vire as pesquisas de intenção de voto, os assessores do bávaro Stoiber buscam qualquer ancoradouro, antes que o navio afunde. Pelo que parece, acreditam que reavivar o tema da imigração perante a opinião pública pode ser a tábua de salvação.

No início deste ano, a câmara baixa do Parlamento alemão (Bundestag) conseguiu, através da maioria social-democrata e verde, aprovar uma nova lei que regulamenta a imigração. Isso contra a vontade das conservadoras CDU e CSU (União Social Cristã). Os dois partidos, no entanto, vêm anunciando aos quatro ventos que pretendem rever a legislação. Na última segunda-feira (16), apresentaram um projeto a respeito.

Mero acaso - Que o momento é oportuno para angariar votos de eleitores conservadores, os democrata-cristãos não assumem. "De forma alguma" trata-se de empurrar para o centro da campanha um tema de fundo tão emocional. Não, a escolha da data de divulgação do programa democrata-cristão a respeito foi "mero acaso", insistem as lideranças do partido.

Para social-democratas e verdes, a atitude da democracia-cristã significa "dar as costas às minorias de imigrantes, com o simples objetivo de fazer campanha eleitoral". A menos de uma semana das eleições, a estratégia da CDU e CSU é botar lenha na fogueira. Quanto mais polêmica, melhor.

No entanto, o governo reage com desdém à reação de última hora da oposição. A opinião pública, quando não ignora, critica. Democrata-cristãos esquecem que as leis da imigração não só foram aprovadas por social-democratas e verdes, mas por vários setores da sociedade, como federações empresariais, sindicatos, igreja, instituições de pesquisa e diversos municípios e comunidades.

Deportação rápida - "Queremos reduzir a migração de países fora da União Européia a um nível suportável e reduzir o abuso do direito de asilo político", dispara o atual secretário do Interior da Baviera, Günter Beckstein, provável ministro do Interior, caso Stoiber venha a governar o país. A CDU defende, entre outros, a deportação mais rápida de refugiados que tiverem seus pedidos de asilo político negados.

Para o Partido Verde, trata-se de uma "campanha suja" à revelia dos milhões de estrangeiros que vivem no país. Já o chanceler federal, Gerhard Schröder, dá de ombros e responde com a soberania de quem está à frente nas pesquisas de intenção de voto: "Acho que isso é um ato de desespero da oposição, que não vai levar a lugar algum. Nós criamos as leis que permitem o controle e o limite da imigração. O que os democrata-cristãos fazem agora é levar agressão ao debate político".

Redução de direitos – Observadas à distância, as novas leis da imigração podem até parecer altamente revolucionárias. No entanto, a discussão não gira em torno de abrir as portas da Alemanha para quem quiser, mas de regulamentar - e muito bem - a entrada de imigrantes no país. As leis, que começam a vigorar a partir de janeiro de 2003, reduzem ainda mais os direitos dos exilados políticos, por exemplo.

Rivalidades partidárias à parte, a versão final da lei de imigração, apresentada pelo ministro do Interior, Otto Schily, poderia, em termos de conteúdo, ter sido aprovada de olhos fechados por democrata-cristãos. Durante a votação no Bundesrat (câmara alta do Parlamento) em março último, ficou claro que a política alemã também vive de encenar seus próprios atos.

Artes cênicas - "O debate do dia 17 de março foi entretenimento da melhor qualidade, uma clássica situação de show down, um evento teatral", comentou o semanário Die Zeit. Como se não bastasse a dramaturgia parlamentar, que contesta medidas apenas para polarizar com o opositor, democrata-cristãos ainda foram além. Às beiras das urnas, retomaram o assunto e quiseram fazer dele uma isca. A diferença é que os eleitores, desta vez, parece que andam de olhos mais abertos.

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