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Alemanha

Oposição alemã critica envio de aviões à Síria

Partidos contestam eficácia de auxílio alemão no combate ao "Estado Islâmico". A Esquerda afirma que grupo só pode ser derrotado por outros meios, e verdes pedem estratégia mais ampla na luta contra os jihadistas.

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Alemanha pretende enviar até seis aviões de reconhecimento do tipo Tornado Recce

A oposição alemã criticou o anúncio do

governo alemão de que apoiará com o envio de aviões de reconhecimento os ataques aéreos ao "Estado Islâmico" (EI) na Síria

.

As reações vão de dúvida sobre a eficácia desse tipo ação, como expressou o Partido Verde, até ameaças de veto à proposta, como declarou A Esquerda, que considera incogitável a participação alemã na operação militar contra o EI.

Para Dietmar Bartsch, líder da bancada parlamentar dos esquerdistas, a paz não será alcançada com bombas. "Se bombardearmos Raqqa e outras cidades ou ajudarmos nisso, cada civil morto servirá de base para dez novos terroristas", afirmou Bartsch em entrevista à DW.

Deutschland Dietmar Bartsch Bundestag Haushaltsdebatte

Bartsch afirma que paz não será alcançada com bombas

O deputado afirmou que há outras formas de combater o "Estado Islâmico" e citou como exemplos a interrupção do financiamento do grupo, o combate ao contrabando de petróleo e armas, além de uma solução definitiva para os conflitos no Iraque, na Síria e também para os que envolvem os curdos. Segundo ele, todos os outros caminhos apenas intensificam o terrorismo.

Bartsch, assim como outros integrantes de A Esquerda, acusa o governo de não ter aprendido com os erros da missão da Bundeswehr (Forças Armadas alemãs) no Afeganistão. "Lá a guerra contra o Talibã e o terrorismo já dura 13 anos, e agora o Talibã voltou", disse o líder da bancada. Para ele, o EI não será vencido por meios militares, e a participação alemã na coalizão internacional que combate os jihadistas só aumentará o ódio.

Verdes pedem estratégia ampla

Apesar de não rejeitar a proposta governamental, o Partido Verde criticou a estratégia adotada contra o EI. "Combate-se somente os sintomas, o que não elimina o centro do problema", afirmou Omid Nouripour, porta-voz de política externa da bancada parlamentar dos verdes, à emissora de rádio Deutschlandradio.

Nouripour disse também sentir falta de uma base legal para a missão militar. Ele disse concordar em linhas gerais com operações militares contra o "Estado Islâmico", mas que elas devem ser realizadas no âmbito de um sistema de segurança coletiva. "Ainda está em aberto como ela seria", acrescentou.

Governo confiante

Rainer Arnold verteidigungspolitischer Sprecher der SPD-Bundestagsfraktion.

Arnold defende operação militar na Síria

O deputado Rainer Arnold, responsável por assuntos de Defesa na bancada parlamentar do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), minimizou as críticas. Em entrevista à emissora de televisão ZDF, Arnold disse que uma resolução da ONU para a luta contra o EI, assim como o artigo de autodefesa da Carta das Nações Unidas, fundamentam a operação militar.

"Na Europa há um sistema de segurança coletiva, cujo artigo 42 parágrafo 7 foi evocado pelo [presidente francês] François Hollande", ressaltou Arnold. O parlamentar afirmou ainda que o risco de terrorismo na Alemanha não aumentará com o envio de armas e equipamentos para o combate ao EI.

Arnold defendeu também missões anteriores da Bundeswehr e afirmou que elas foram bem-sucedidas, tendo levado à queda de ditadores na Líbia, no Iraque e no Afeganistão. Segundo o parlamentar, os problemas começaram depois porque os órgãos de segurança locais foram abandonados, o que não pode acontecer na Síria.

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