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Economia

Oposição acusa governo de ingerência na Telekom

A mudança na cúpula da operadora alemã Deutsche Telekom, na terça-feira (16), provocou grande polêmica. Governo e oposição acusam-se reciprocamente de explorar o tema na campanha eleitoral.

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Ron Sommer, ao anunciar sua renúncia à presidência da Deutsche Telekom

Como se não bastassem os graves problemas da operadora alemã Deutsche Telekom - mudança na cúpula e dívidas de 65 bilhões de euros, entre outros - a gigante alemã das telecomunicações continua na berlinda, um dia após a renúncia do seu presidente, Ron Sommer, na terça-feira (16/07). As pressões sobre Sommer e sua substituição por Helmut Sihler, que conduzirá a empresa interinamente nos próximos seis meses, provocaram um grande debate político sobre a ingerência do governo na iniciativa privada e o fato de a Telekom não ter escapado à campanha eleitoral para as eleições parlamentares em setembro.

Stoiber acusa Schröder de diletantismo

O governo e a oposição trocaram acusações recíprocas nesta quarta-feira (17), de explorar o tema para fins eleitorais. O chefe de governo Gerhard Schröder "procedeu de forma diletante" na substituição de Sommer, segundo seu concorrente nas eleições, Edmund Stoiber, o candidato dos partidos cristãos conservadores CDU e CSU.

Antes de armar-se a confusão da troca de liderança nos bastidores, Stoiber acusara Schröder de inércia no tocante à derrocada da Deutsche Telekom, cujas ações tiveram uma desvalorização gigantesca no último ano. Para o líder da bancada da União Democrata-Cristã (CDU) no Parlamento, Friedrich Merz, Schröder armou "um grande caos e provocou um desastre" na Telekom, só para demonstrar capacidade de ação, poucas semanas antes das eleições.

O chanceler federal alemão, por sua vez, defendeu-se das acusações de haver se intrometido na procura de um sucessor para Sommer e saudou a mudança na cúpula da maior operadora de telefonia da Europa. A União ainda detém 43% das ações da Telekom. Formalmente conta apenas com dois assentos no conselho administrativo da empresa, de um total de 20, mas é tido como certo que as pressões do governo foram decisivas para a demissão de Ron Sommer, executivo que conta com uma boa reputação junto à iniciativa privada e os mercados financeiros.

Líder empresarial exige privatização completa

O presidente da Confederação das Indústrias Alemãs, Michael Rogowski, atacou igualmente Schröder e Stoiber, condenando severamente a "intromissão" nos assuntos da Telekom. "O processo em si foi horrível, a forma como trataram Sommer também e no final, a maior prejudicada foi a empresa", disse o empresário, terminando por exigir a completa privatização da ex-estatal.

O ministro das Finanças, Hans Eichel, saiu em defesa do governo, dizendo que a sugestão de substituir Ron Sommer partiu do conselho administrativo e a União apenas aderiu à proposta.

Poucas semanas antes do pleito, nem o social-democrata Schröder nem o social-cristão Stoiber querem assumir a culpa pelas especulações da última semana e a confusão que representou mais um capítulo na novela da Telekom. Afinal, não se despreza 2,8 milhões de acionistas furiosos com a desvalorização das ações e a queima brutal de seu capital. Mas se Stoiber não admite ter botado lenha na fogueira, Schröder não comenta suas incongruências. Ainda em maio, o próprio chefe de governo procurou acalmar os acionistas, dizendo que a culpa da situação não era de Ron Sommer, que fizera um bom trabalho à frente da Telekom.

A crise é geral no setor das telecomunicações e dela não escapou nenhuma das grandes operadoras. O principal motivo foi a fortuna paga pelas licenças para o novo padrão de telefonia móvel (UMTS) na Grã-Bretanha e na Alemanha. No caso da Deutsche Telekom, também pesaram as numerosas aquisições, à sua frente a da operadora norte-americana VoiceStream, comprada por um preço excessivo segundo os críticos da transação.

A ação da Telekom subiu nesta quarta-feira, apesar do ceticismo reinante nos mercados financeiros. Os analistas acham que uma diretoria interina não conseguirá adotar medidas de saneamento, nem terá margem de ação para tomar decisões estratégicas para reduzir as dívidas. Com isso, o impasse poderá continuar até a nomeação do próximo presidente da Deutsche Telekom. A "T-Aktie" (ação da empresa) chegou a valorizar-se 10%, sendo cotada a mais de 12 euros, mas terminou o dia com + 8,69%, em 11,88 euros.